Estimativas para 3 de outubro

Marcos Coimbra, da Carta Capital 

Votos válidos: Marina Silva (e os pequenos) 11%, José Serra, 33%, Dilma Rousseff, 56%. Talvez seja arriscado fazer essa especulação. Talvez não 

Do jeito como vão, as eleições presidenciais não devem nos reservar surpresas de reta final. Ao contrário. Salvo algo inusitado, elas logo adquirirão suas feições definitivas, talvez antes que cheguemos ao cabo da primeira quinzena de veiculação da propaganda eleitoral na tevê e no rádio. 

Por várias razões, a provável vitória de Dilma Rousseff- em 3 de outubro será saudada como um resultado extraordinário. Ao que tudo indica, ela alcançará uma coisa que Lula não conseguiu nem quando disputou sua reeleição: vencer no primeiro turno. Não que levar a melhor dessa maneira seja fundamental, pois o próprio Lula mostrou ser possível ganhar apenas no segundo e se tornar o presidente mais querido de nossa história. 

É preciso lembrar que Lula não a obteve em 2006 por pouco, apesar de sua imagem ainda sangrar com as feridas abertas pelo mensalão. Ele havia chegado aos últimos dias daquele setembro com vantagem suficiente para resolver tudo ali mesmo e só a perdeu quando sofreu um ataque sem precedentes de nossa “grande imprensa”. 

Aproveitando-se do episódio dos “aloprados”, fazendo um carnaval de sua ausência no debate na Globo, ela balançou um eleitorado ainda traumatizado pelas denúncias de 2005. Lula deixou de vencer em 1º de outubro, o que, no fim das contas, terminou sendo ótimo para ele. No segundo turno, a vasta maioria da população concluiu o processo de sua absolvição, abrindo caminho para o que vimos de 2007 em diante: ele nunca mais caiu na aprovação popular e passou a bater um recorde de popularidade atrás de outro. 

Com as pesquisas de agora, é difícil estimar com precisão quanto Dilma Rousseff poderá ter no voto válido. Não é impossível que alcance os 60% que Lula fez, no segundo turno, na última eleição. E ninguém estranharia se ela ultrapassasse os 54% que Fernando Henrique obteve em 1994, com o Plano Real e tudo. 

Para fazer essas contas, é preciso levar em consideração diversos fatores. Um é quanto Marina Silva poderá alcançar, a partir dos cerca de 8% que tem hoje. Há quem imagine que ela ainda cresça, apesar do mísero tempo de televisão de que disporá. Com uma única inserção em horário nobre por semana e um tempo de programa praticamente idêntico ao dos candidatos pequenos, não é uma perspectiva fácil.

O segundo fator é o desempenho dos candidatos dos partidos menores, dos quais o mais relevante é Plínio de Arruda Sampaio. Muito mais que seus congêneres de extrema esquerda, ele pode se transformar em opção para a parcela de eleitores que vota de forma mais ideo-lógica ou que apenas quer expressar seu “protesto”. Embora as pesquisas a respeito desse tipo de eleitor não sejam conclusivas, isso pode, talvez, ocorrer em detrimento de Marina: à medida que Plínio subir, ela encolherá. O que não afetaria, portanto, o tamanho do eleitorado que não votará em Dilma ou Serra. 

Para, então, projetar o tamanho da possível vitória de Dilma, o relevante é saber o piso de Serra. Se ele cairá, considerando seu patamar atual, próximo a 30%. 

Só o mais otimista de seus partidários acredita (de verdade) que a presença de Lula na televisão será inútil para Dilma e que seu apelo direto ao eleitor não produzirá qualquer efeito. Ou seja, ninguém acredita que ela tenha já atingido seu teto, com os 45% que tem hoje.

O voto em Serra tem, no entanto, três fundamentos, todos, aparentemente, sólidos: 1. É um político respeitado no maior estado da federação, que governou, até outro dia, com larga aprovação. 2. Representa o eleitorado antipetista,- aquele que pode até tolerar Lula, mas que nunca votou e nunca votará no PT. 3. Tem uma imagem nacional positiva, conquistada ao longo da vida e, especialmente, quando foi ministro da Saúde. De São Paulo deve sair com 45% dos votos, o que equivale a 10% do País. O antipetismo lhe dá mais cerca de 10% e a admiração por sua biografia no restante do eleitorado, outro tanto (tudo em números redondos). 

Se essas contas estiverem corretas, Serra teria pouco a perder nas próximas semanas. Em outras palavras, já estaria, agora, perto de seu mínimo. 

Fica simples calcular o resultado que, hoje, parece mais provável para 3 de outubro: Serra, 30%; Marina e os pequenos, 10%; brancos e nulos, entre 8% e 10% (considerando o que foram em 2006 e 2002, depois da universalização da urna eletrônica); Dilma, entre 50% e um pouco menos que 55%. Nos válidos: Marina (e os pequenos) 11%, Serra 33%, Dilma 56%. 

Talvez seja arriscado fazer essas especulações. Talvez não, considerando quão previsível está sendo esta eleição.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense

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Minas: Diminui a vantagem de Hélio Costa (PMDB)

A primeira pesquisa IBOPE após o horário eleitoral em Minas Gerais apontou queda na vantagem de Hélio Costa (PMDB) contra o tucano Antônio Anastasia (PSDB). A diferença caiu de 18% para 11%. O peemedebista mantém a liderança com 38%, contra 27% do candidato tucano. Na pesquisa anterior, Hélio Costa tinha 39% (menos 1%) e Anastasia aparecia com 21% (mais 6%). 

Em Minas, as eleições são de continuidade, tanto no plano federal quanto estadual. Os governos de Lula e de Aécio Neves obtêm altos índices de aprovação no Estado, o que favorece a continuidade. Essa é a principal explicação para a subida de Dilma Rousself (PT) nas pequisas em Minas Gerais, ultrapassando José Serra (PSDB). Nesse sentido, era apenas uma questão de tempo a subida de Anastasia após o início do horário eleitoral. Afinal, o candidato tucano possui como principal cabo eleitoral justamente Aécio Neves, com seus altos índices de aprovação. 

A pergunta a ser respondida é se Anastasia conseguirá levar a eleição para o segundo turno, tendo em vista que os demais candidatos são inexpressivos. Caso se configure segundo turno, Anastasia entraria com franco favorito, podendo derrotar dois ex-ministros de Lula (Hélio e Patrus). 

Na disputa para o Senado, Aécio lidera com folga com 69% (contra 70% da última pesquisa). O segundo colocado, o ex-presidente e ex-governador Itamar Franco (PPS) subiu 4 pontos e atingiu 43%. Já o petista Fernando Pimentel teve leve alta, de 18% para 19%, mas ainda distante do segundo. A eleição de Pimentel está cada vez mais difícil, desenhando um quadro que pode dar tripla vitória para Aécio: sua própria eleição, o governo estadual e a eleição de Itamar. 

Em verdade, a coligação formada em Minas favorecia o Dilmasia, não a eleição estadual. O PT tinha os dois melhores candidatos para interromper o ciclo tucano no Estado (Patrus e Pimentel), mas como não houve entendimento, a eleição caiu no colo do PMDB de Hélio Costa. O problema é seu alto índice de rejeição, além da grande volatilidade verificada nas suas intenções de voto. 

Considerando a aliança PMDB-PT, como ocorreu, o melhor candidato ao Senado era o vice-presidente José de Alencar (PRB), atualmente o político mais popular de Minas depois de Lula e Aécio Neves. Com Alencar na disputa, dificilmente Itamar encararia o pleito, e mesmo que fosse candidato, dificilmente seria eleito. Assim, o futuro governo Dilma, caso seja confirmado nas urnas, teria um senador de oposição a menos. 

A presença de Alencar na chapa reforçaria enormemente a campanha da dupla Hélio-Patrus. Pimentel, por outro lado, puxaria votos para a Câmara Federal, ajudando a eleger uma grande bancada do PT e aliados (em Pernambuco, o popularíssimo ex-prefeito de Recife, João Paulo, desempenhará o papel de puxador de votos para o PT). 

Resta saber se o vice-presidente aceitaria a incumbência de candidatar ao Senado ou simplesmente foi alijado do processo eleitoral mineiro em virtude das ambições políticas de Pimentel. Pelo trator imposto ao PT mineiro pelo grupo de Pimentel, a segunda opção é mais provável. Sobrou voluntarismo e faltou cálculo político.
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Será que o Ricardo salva a grana do Serra


Os tucanos estão passando o chapéu, falta dinheiro para a campanha do Serra. É que tucano rouba até tucano. Paulo Preto passou a mão em R$ 4 milhões. E dinheiro de caixa 2. Tucano pode? Até outro dia era homem de total confiança do tucanato. Mesmo quando foi preso tentando vender jóia roubada. Foi diretor do Roubanel, obra exemplo da "ingestão" do vampiro. O homem certo, no lugar exato.

Agora a coisa está feia. Será preciso pedir reforços. Quem seria? O Ricardo Sérgio de Oliveira? Afinal, este é leal e tem larga experiência no assunto, já foi tesoureiro de Serra e FHC.

O único problema é que os tucanos têm pavor do nome. Há anos está escondido em algum armário. Talvez em algum lá de Cayman. Ele não só pode acabar de vez com a eleição de José Serra, mas até mandar para a cadeia algumas aves bicudas.
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E na hora que o vampiro vai dormir...


Lula, Dilma e Mercadante na porta da fábrica da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, às 5h da manhã de hoje. Vejam outras fotos.
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A ANJ está com medo dos "blogues sujos"!

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) promoveu, nestes dias, o 8º Congresso de Jornais. Conforme noticiou o ético e imparcial jornal Zero Hora, o evento “discute o futuro do jornalismo frente aos desafios impostos pela internet e pelas mídias digitais. A questão central é como sustentar o jornalismo de qualidade [sic!] num ambiente de crescente circulação gratuita de informações.”

Mas a coisa não parou por aí: a ANJ, presidida pela eficiente Judith Brito, aliás reconduzida ao cargo, além de arrancar um compromisso dos presidenciáveis com a “liberdade de expressão” (que para eles significa, entre outras coisas, difamar a quem quer que seja impunemente), anunciou a criação de uma guilda para autorregulamentação do setor,´cujo objetivo, segundo a diligente servidora, é “reiterar o compromisso da entidade com a liberdade de expressão e com a responsabilidade editorial".

Na verdade, a grande preocupação dos tubarões da mídia é com esta verdadeira praga dos “blogues sujos” (para usar a elegante expressão de Zé S.) que assola a nação, os quais têm o peito de disseminar informação crítica e, o que é pior, sem cobrar nada. Acostumados há anos a difamar pessoas e empurrar para cima da plebe as versões mais calhordas dos fatos, agora as empresas de comunicação tremem porque não podem mais mentir a serviço dos seus interesses.

Certamente a realização, neste fim de semana, em São Paulo, do Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, do qual participaram cerca de 330 blogueiros de 19 Estados, contribuirá em muito para tirar o sono da nobreza falida da comunicação.

O anúncio da criação da guilda dos jornalões é somente mais uma tentativa de retomar a credibilidade perdida por conta de anos de servilismo, primeiramente à ditadura e, após, aos grandes interesses econômicos. Mas a esta altura da vida, a chance de sucesso da empreitada é nenhuma. Será que alguém vai acreditar em “responsabilidade editorial” por parte de quem admite publicamente que os grandes meios de comunicação estão fazendo de fato a oposição política ao governo Lula porque "a oposição está muito fragilizada”, como afirmou a presidente da ANJ? Nem a falecida Velhinha de Taubaté cairia nessa...
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