E agora?
O que parecia difícil, aconteceu: e com direito a exibição de gala da Espanha. Vicente del Bosque, o técnico, entortou a Alemanha. Geniais Xavi, Iniesta e Xabi Alonso. Garra pura de Puyol. Uma grande partida, com pouquíssimas faltas. A Espanha teve de tudo: paciência, habilidade, disciplina tática e dedicação, além de alguns jogadores excepcionais. Bálsamo para o futebol!
Com o que jogou contra a Alemanha, a Espanha ganhou cara de campeã. Mas a Holanda é um time articulado, com muitas reservas técnicas, Snejder e Robben, frieza absurda e determinação para ganhar um título que já deveria ter vindo. Promessa de grande jogo na final. Difícil arriscar palpite. Mesmo em termos de torcida, fico dividido, pois as duas seleções são simpáticas e estão afiadas. Se vencer a Holanda, será a correção de uma injustiça com a genial "Laranja Mecânica" e as gerações de Cruyf, Neskens, Van Basten, Rijkaard, Bergkamp e os irmãos De Boer... Se for a Espanha, prêmio para a persistência e para o futebol bem jogado, com bola no pé, toques criativos e inteligência.
A ciência brasileira, daqui a quinze anos
Como será a pesquisa acadêmica brasileira em 2025?
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A revista científica Nature, uma das mais importantes do mundo, deposita grandes esperanças na pesquisa brasileira, por causa das seguintes evidências sólidas:
- O governo Lula, elogiado pela revista, aprovou medidas que garantem o financiamento da pesquisa depois de primeiro de janeiro de 2011, data na qual sai do Planalto. A próxima década da ciência brasileira está com melhores horizontes.
- Novos centros de excelência estão sendo criados.
- Há a proposta de incentivar o financiamento da pesquisa brasileira por empresas multinacionais.
- O investimento no Ministério da Ciência e Tecnologia duplicou no governo Lula.
- Os resultados brasileiros são surpreendentes se comparados aos dos outros países da América Latina, mas também se comparados aos dos outros BRICs, Rússia, Índia e China. Em 2008 o Brasil era responsável por 43% das publicações científicas da América Latina, em 2008 por 55%. E o Brasil investe muito mais em cada pesquisador do que os outros membros do grupo dos BRICs.
- Com tudo isso, a previsão para a ciência brasileira publicada pela revista, e não contestada, é de crescimento orgânico nos próximos anos.
Essa é a visão da Nature, a qual não foi adequadamente repercutida no Brasil. Uma visão contrária, do professor Marcelo Hermes, da UnB, está ganhando mais espaço. Ele acha que o Brasil não será capaz de fazer pesquisa de ponta, daqui a quinze anos, "porque toda a geração [atual] se aposentou e os atuais não foram formados adequadamente".
Temos, então, duas visões sobre o futuro da pesquisa brasileira. Uma, da Nature, deposita fortes esperanças, e o faz baseada em bases sólidas. Outra, do professor Hermes, é pessimista, e se apoia na afirmação vaga de que os futuros doutores serão piores do que ele e os outros doutores da sua geração.
Eu prefiro acreditar na Nature, e não só porque sou um desses novos doutores. O faço porque prefiro formar uma opinião a partir de bases sólidas do que a partir de uma vaga generalização. Se queremos supor, de maneira sóbria, como será a pesquisa brasileira no futuro próximo, precisamos nos apoiar em bases sólidas, como os dados sobre o aumento de publicações, e a proliferação de centros de excelência. Se há boas bases para prever que os cientistas brasileiros do futuro próximo publicarão mais, como imaginar que o Brasil não será capaz de fazer pesquisa de ponta daqui a quinze anos?
A única maneira de imaginar isso é imaginar que só a geração atual publica, sendo a próxima geração incapaz disso. Mas essa é uma generalização sem bases sólidas.
Uma das evidências apresentadas pelo professor Hermes seria o fato -- a ser checado -- de que praticamente não há reprovação na pós-graduação. Mas isso, ainda que verdadeiro, não seria conclusivo, pois a não reprovação poderia ser indício, justamente, de que o trabalho está ok.
No entanto, ainda que aceitássemos que qualquer instituição que não reprova é por si só ruim, o que precisa ser visto de perto, é de se notar duas coisas. Primeiro, que as seleções para programas de pós-graduação são difíceis, rigorosas e concorridas. Assim, é explicável que haja pouca reprovação, pois quem entra é capaz. Segundo, nem todos os selecionados chegam à etapa final, da defesa da tese, não chegando nunca à etapa que, para o professor Hermes, é a de aprovação por assim dizer automática. Mas seria de se perguntar ao professor Hermes porque esses que ficam pelo caminho não submetem à banca uma receita de bolo em forma de tese, já que tudo é sempre aprovado, segundo ele. Eu diria que eles não fazem isso porque há cuidados e controles rigorosos quanto ao que é uma boa tese. Mas, é claro, essa é apenas a opinião do "doutor Mobral" que vos escreve.
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