E se fosse no Irã?


Imagino uma charge para representar a visão internacional de nossas elites e sua mídia: vários distintos senhores em seus belos ternos, de quatro, cabeça baixa, tal como se estivessem rezando voltados para Meca. Mas, neste caso, estariam de costas, oferecendo a retaguarda para Washington. Imagino assim representar o espírito de entreguismo desta gente a tudo que vem da nação do norte. Principalmente suas idéias.

Só assim podemos entender que apenas hoje a Folha de S. Paulo noticiou o caso do brasileiro Marcelo Santos, preso na Arábia Saudita, fato já há um bom tempo comentado por blogs e redes sociais na internet.

Imagine se o fato fosse no Irã? Teria virado manchete, colunistas amestrados estariam colocando a culpa em Lula e sua política externa. Mas foi na terra do fundamentalismo amigo dos EUA. Lugar onde vive a família Bin Laden, sócia em negócios dos Bush. Onde o farto petróleo é vendido a preço camarada pela família Real.

Aliás, o brasileiro sobrevive em um pequeno apartamento cedido por irmão de Osama Bin Ladem. Só este inusitado fato já teria merecido atenção da mídia.

A matéria na ediçaõ de hoje da Folha:


Arábia Saudita proíbe brasileiro de deixar o país

Ele agrediu policial em partida de futebol em abril; agora, tem de ficar no país enquanto durar o processo

Marcelo Santos atuou durante a partida como tradutor de Luiz Felipe Scolari; ele está na casa do irmão de Bin Laden

RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

GUSTAVO S. FERREIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Faz quase dois meses que o tradutor brasileiro Marcelo Santos, 40, está proibido de deixar a Arábia Saudita.

Acusado de agredir um policial após um jogo de futebol, tem de ficar no país enquanto o processo durar.

Ele trabalhou na partida como intérprete do brasileiro Luiz Felipe Scolari, então técnico do Bunyodkor, do Uzbequistão. A equipe uzbeque jogou em Jeddah contra o Al Ittihad, em 14 de abril, pela Copa dos Campeões da Ásia.

No final da partida, chutou um juiz e trocou pontapés com um policial à paisana.
"Não sabia que ele era policial. Fui agredido e revidei", disse à Folha, por telefone.

Segundo ele, o árbitro o havia chamado de "macaco" durante o jogo -fluente em russo, Marcelo estava ao lado de Scolari para traduzir as instruções aos jogadores.
O brasileiro está em Jeddah desde então. Vive de favor em casa de quarto e sala cedida por Khalil Bin Laden, cônsul honorário do Brasil e irmão de Osama Bin Laden.
Levado para delegacia, o brasileiro se livrou da prisão graças à intervenção de Khalill, que assinou termo de compromisso para liberá-lo.

O seu passaporte, porém, está com a embaixada brasileira -condição do governo local para não o prender.

"Para mim, é como se eu estivesse preso aqui. Não posso voltar para casa."
Agressão contra autoridade é crime grave no país, segundo a embaixada, que não informou eventual pena.

O governo Lula pediu duas vezes liberação "imediata" do brasileiro, sem resposta.
O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) ligou para o homólogo saudita em 24 de maio. Scolari e Rivaldo, jogador do clube, também apelaram. Um advogado designado pelo cônsul tenta resolver o caso na Justiça local.

Com a demora, os US$ 600 que recebeu do Bunyodkor para ficar no país estão no fim. Hoje, Marcelo afirma ter menos de US$ 200 (R$ 368).

Para economizar, come sanduíche e frutas. Tem só duas mudas de roupas. Esperança de ir embora, o brasileiro diz ter. Mas o processo pode demorar até oito meses.

Ele tem mulher e duas filhas, que vivem em Recife.

Na esfera desportiva, foi suspenso por cinco anos e multado em US$ 20 mil.
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Atual Diretoria do DCE descumpre solicitação da Comissão de Inquérito


Nota sobre a NÃO-entrega da documentação pelo Executiva do DCE

Às dezessete horas do dia sete de junho de dois mil e dez os integrantes da CEI, conforme deliberado na ata de número 5 desta comissão, estiveram no DCE-UFRGS para receber os documentos solicitados a esta entidade, para assim poder proceder as investigações. No momento em que a CEI esteve presente nenhum integrante da executiva da gestão se apresentou. Os integrantes da CEI apenas tiveram interlocução com dois bolsista e Paulo Roberto Paganella, como representante da gestão. Este disse ter entrado em contato com Renan Pretto (presidente do DCE), que justificou sua ausência por estar fora da cidade. Alegou que momentos antes havia entrado em contato com Claudia Thompsom (vice-presidente do DCE), que justificou estar indisponível. Diante da impossibilidade de contatar algum membro da executiva e buscando o diálogo para o melhor andamento das investigações a CEI decidiu aguardar ates às dezoito horas até que alguém pudesse esclarecer porque não havia nenhum documento disponível e porque nenhum membro da executiva, sabendo de nossa ida, estava presente na sede do DCE – UFRGS. Às dezoito horas a CEI se retirou do DCE sem NENHUM DOCUMENTO solicitado, nem mesmo documentos justificando tal ato. Por bem e para tornar público tal procedimento a CEI decidiu formalizar os seguintes fatos. Assinam este documento o presidente da CEI, Andreas Ostermann e o representante do DCE Paulo Paganella.
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Recado dado...

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Sobre patrolas


Destes deputados e deputadas da base governista, apoiadore$/apoiadora$ do desgoverno Yeda Rorato Cru$iu$ [PSDB/PRBS], marcado pela truculência, deveríamos esperar algo diferente do que manifestação com linguagem violenta? Claro que não!

Agora, lembrem senhora$ e senhore$ que habitam a ALERGS por conta do voto que, além de patrolar a população mobilizada, moradora ou não do Morro Santa Teresa, estarão patrolando a Justiça, como poderá ser lido neste documento aqui, assinado pelo Desembargador Leo Lima, nada mais, nada menos, do que o Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul! Um ofício em resposta ao memorial escrito pela Dep. Est. Stela Farias [PT] e Dep. Est. Raul Carrion [PCdoB] e Raul Pont [PT], que pode ser lido aqui.

Tomara que a resposta a este desaforo, a esta virulência, seja dada nas urnas. Tem muita gente boa, arriscamos a dizer que de partidos da direita inclusive, aguardando seu voto para deputada e deputado estadual e federal este ano. Ei povo! Ajude a qualificar a legislatura na Assembleia, livrando-a de oportunistas deste naipe, que ignoram o bom senso [deixando a questão ideológica de lado nesta hora]!

Tentem imaginar o que será o Morro Santa Teresa com construções como essas, abaixo, em que estudo do economista Mauro Salvo alerta para a evolução do mercado imobiliário de Porto Alegre com vistas a identificar sua vulnerabilidade à ocorrência de ilícitos financeiros no que tange a utilização do setor com intuito de lavar dinheiro de origem criminosa. Ou seja, qualquer precipitação, correria na aprovação de uma lei, que sequer destina as verbas da venda para a descentralizada da FASE, poderá suscitar dúvidas em relação à seriedade de quem "patrola" a população mobilizada riograndense contra essa venda...


Artes: Henrique Wittler
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Polarizações, interesses e convergências - II



Ilustração de Liberati

Depois do primeiro debate, publicado no post anterior, Gisele Araújo escreveu novamente, uma réplica, em O Pasmado (www.opasmado.blogspot.com). Dei minha resposta. Os dois textos seguem abaixo.
Continua de pé o convite para que eventuais leitores se animem e agreguem suas análises e considerações. O tema é quente!

Gisele Araújo: PT e PSDB: "organismos em desconstrução" ou em construção?
Marco, como te disse, o seu comentário no "post" abaixo me gratifica muito. É generoso, elegante, inteligente. Além de abrir várias frentes de diálogo, vc. o faz de forma altiva, e qualquer resposta necessita de forte elaboração para pretender dialogar no mesmo tom. Eu me detive - veja só - apenas numa frase de seu primeiro parágrafo. E coloco aqui mais hipóteses que afirmações. Publico neste estado rudimentar mesmo, sem peias, porque talvez aí possamos identificar o "meta-problema" teórico sobre o qual dissertamos e poderíamos quem sabe aproveitar o debate conjuntural para pôr em questão a teoria política (sobre outros aspectos, comentarei depois, como, por exemplo, sobre o suposto viés estatista do Serra, que seria uma aproximação possível entre o atual PT e o candidato da oposição. Na minha opinião, este viés inexiste, dado o projeto serrista - programático antes, talvez pragmático agora - de privatizações generalizadas, inclusive da Petrobrás (sobre isso, há vídeos e entrevistas que não me deixam mentir).
Detive-me no seguinte tema: Sobre os dois alinhamentos partidários (PT e PSDB) como "organismos em desconstrução, corroídos pelo pragmatismo e pela disputa de território", como você coloca.
1. Será que todos os partidos políticos que entram nas disputas eleitorais (e com isso seguem as chamadas “regras do jogo” da democracia representativa) não estão sempre fadados ao pragmatismo (a busca por sucesso eleitoral que vincula, em certa medida, o “sucesso” (sic) na atuação governamental, leia-se, aprovação do governo)?
2. Nesse sentido, será que “aceitar” os limites da democracia representativa sempre leva a uma desconstrução?
3. O próprio termo “desconstrução” não subentende de forma um tanto apressada que algo orgânico existia no passado? Será mesmo que existia? O PSDB nasce de uma dissidência – não muito clara do ponto de vista ideológico – do PMDB. E o PT nasce de uma conjunção também pouco orgânica, pode-se dizer, entre perspectivas sindicais (ABC), religiosas (comunidades católicas de base), estatistas (funcionalismo público) e intelectuais (São Paulo!). Terá sido esse início orgânico? E essa questionável organicidade, pode-se dizer que se desconstrói com a entrada firme na disputa pelo(s) governo(s)?
4. Talvez nós tenhamos uma teoria política “ainda” (sic) romântica para tratar das instituições da democracia representativa. Talvez os partidos políticos no final do século XX não tenham nascido de forma orgânica, mas de conjunturas e interesses que os vinculam desde o início à disputa de território. E, em sendo assim (os partidos, desde que ligados à concorrência eleitoral, não estão sempre disputando território, como concordamos?), será que eles não firmam sua identidade ao longo destas mesmas disputas, e sempre em relação uns com os outros?
5. Se isso puder ser sustentado, será que PT e PSDB não se definem exatamente pelos seus governos (decerto distintos regional e temporalmente, e claro, vinculados aos sabores externos) e não pelas suas origens suposta e romanticamente orgânicas?
6. E, seguindo este raciocínio, o mérito do PT no governo federal não foi ter se diferenciado do governo do PSDB (ainda que isso tenha sido feito na esteira do mensalão, da mudança no cenário mundial, e, coerente com o meu argumento, no próprio andamento do exercício de governar, definindo sua identidade, mesmo temporária, pela distinção pragmática com relação ao PSDB)?
7. Enfim... isso não os torna hoje, conjunturalmente que seja (e portanto, sem fixidez), partidos com projetos opostos de país? Um, de viés neoliberal e o outro social-democrata? Essa polarização não expressa internamente um embate vivo no cenário mundial? Por exemplo: a crise da Grécia. O que fazer? Cortar gastos públicos ou ampliar o consumo interno de forma subsidiada para “fazer rodar” a economia? Não são estas fórmulas distintas em disputa lá e também aqui? Quando da crise dos EUA, não se disse que o governo do PT tomou medidas econômicas anticíclicas? Ao invés de ouvir a Miriam Leitão (sic), ou quem sabe o Palocci, e enxugar investimentos, o governo não optou exatamente pela redução dos IPIs em áreas específicas de modo a manter a expansão do consumo e um vigor mínimo na expansão econômica?
8. Será que estes nossos partidos protagonistas da disputa eleitoral não são, ao invés de organismos em desconstrução, estratégias pragmáticas e "territoriais" em construção permanente? Bom, isso pode ser ruim do ponto de vista ideológico, claro. E do ponto de vista de projetos, digamos assim, mais audaciosos, mais questionadores da ordem, mais democráticos. Mas pode ser uma constatação sociológica válida, e esta não é sempre um freio frustrante nos nossos 'wishful thinkings'? Dizendo em outras palavras, podem os partidos que se pautam pelo calendário eleitoral (regras do jogo da democracia representativa) terem projetos arrojadamente questionadores da ordem? Ou então: será que falar de um ativismo da sociedade radicalmente democrática implica necessariamente em compatibilizá-la com partidos voltados para a disputa eleitoral na democracia representativa?
9. Bom, são notas para refletir, como bem se vê. E inspiradas apenas no primeiro parágrafo do seu comentário. Outras indagações sobre as demais proposições ali inseridas virão, com tempo e esforço para alcançá-las! Obrigada de novo pela oportunidade de excelente reflexão e diálogo.

Minha resposta: Partidos em transição
É muito bom poder discutir assim. É bem melhor para que possamos expor as divergências mais substantivas, que não têm a ver com nossas eventuais opções partidárias e sim com questões difíceis, ainda não resolvidas.
Tentarei cercar os pontos que vc levanta.
1. Partidos precisam ser pragmáticos sempre, sob pena de pregarem nas nuvens e não chegarem a lugar nenhum. Especialmente se são partidos “de massa”, interessados não só em marcar posição identitária mas em praticar políticas positivas. Disputar eleições é um exercício de pragmatismo, como vc bem observa, e a democracia representativa exige essa perspectiva.
2. Mas isso não significa que partidos pragmaticamente conduzidos não possam ter ideais, valores e identidades claras. O pragmatismo não exige que os partidos desistam de elaborar uma concepção do mundo e um projeto de sociedade, de futuro. Quando falei que PT e PSDB são organismos “corroídos pelo pragmatismo”, quis dizer que perderam precisamente aquele afã ideológico e aquela pujança que no passado os caracterizaram. Isso me parece particularmente grave no caso do PT, que dos dois foi o que chegou mais longe nesse quesito. Mais que o PSDB, o PT depende da fixação de uma identidade para poder ser de fato uma alternativa de esquerda.
3. Para mim, os partidos não se “desconstroem” somente quando perdem o que existia antes. Essa é a base, com certeza, como vc enfatiza corretamente. Podem também se desconstruir como ideia e, nessa medida, não têm mais como atingir a materialidade futura que havia sido desenhada no início de sua trajetória. Acho que é isso que está ocorrendo com eles. Falhas internas? Em parte sim. Mas também imposições da realidade. Todos os partidos de esquerda no mundo estão sendo desconstruídos e se desconstruindo. É uma espécie de efeito colateral da globalização, mais precisamente da “vida líquida”, da diluição das classes-referência das sociedades contemporâneas, da entrada em cena daquela “multidão” percebida pelo Toni Negri. Não são tempos fáceis para os partidos políticos.
4. Os partidos estão sempre disputando território. Mas, se são efetivamente reformadores, precisam ocupar território tanto com posições materiais quanto com ideias. Caso contrário, tornam-se iguais aos outros. A disputa por território que PT e PSDB travam hoje é vazia de ideias. Não chega a ser fisiológica, mas está perto. Para dizer isso não preciso ter necessariamente uma noção de “questionamento da ordem”: basta-me uma ideia reformadora que conceba a reorganização da ordem, que busque um mundo melhor e não um outro mundo, digamos assim.
5. Não concordo com sua opinião, mas torço para que vc tenha razão quando pergunta se em vez de organismos em desconstrução, não teríamos na verdade organismos em construção permanente. Vc põe uma questão complexa: “será que falar de ativismo da sociedade radicalmente democrática implica necessariamente compatibilizá-la com partidos voltados para a disputa eleitoral na democracia representativa?”. É complexa porque teríamos de definir bem o que seria um “ativismo da sociedade radicalmente democrática”, depois teríamos de ver se esse ativismo tem como mudar a sociedade e se poderá fazer isso sem um Estado e sem partidos, e, por fim, porque não temos como saber, hoje, se os partidos políticos (na forma que for) ainda cabem na política que corresponde à “vida líquida”. Prefiro achar que sim, mas tenho dificuldades para estabelecer isso de modo categórico.
De repente, estamos protagonizando uma época que desconstrói os partidos programáticos para reconstruí-los como organismos focados exclusivamente na arregimentação de eleitores e na conquista dos governos. Se for isso, os partidos que temos darão conta do recado.
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