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CRIA CORVOS

Eliakim Araújo e o corvo da rua Chile
Política| 12/04/2010
por Eliakim Araújo, do Direto da Redação, via Carta Maior, via Vi O Mundo.
Política| 12/04/2010
por Eliakim Araújo, do Direto da Redação, via Carta Maior, via Vi O Mundo.
Emir Sader, colunista da Carta Maior, foi muito feliz ao criar o prêmio “O Corvo do Ano 2010”, numa homenagem ao jornalista Carlos Lacerda, extremado lider golpista dos anos cinquenta – e parte dos sessenta – que soube usar como ninguém a mídia da época e aliou-se aos militares para derrubar governos democráticos. Sader lembra que nos tempos modernos há jornalistas e colunistas que seguem a cartilha lacerdista e promovem abertamente o golpe de estado contra as instituições democráticas em frontal desrespeito à vontade popular, usando o espaço que lhes é concedido por empresas midiáticas que comungam os mesmos pontos de vista.
Sader deu o pontapé inicial e arriscou o nome de Otavio Frias Filho, “pela “ditabranda”, pelas acusações falsas, pelo silêncio sobre o que não lhe agrada”. E deixou a critério dos leitores a indicações de nomes dentre os quais o mais votado fará jus ao prêmio.
Neste domingo eram 216 mensagens de leitores indicando nomes para a premiação. Tantos que a gente até pode pensar que eles são maioria. Numa rápida passada de olhos, observei que os nomes que mais aparecem são os de Jabor, Boris e Mainardi. Nomes que dispensam apresentação. Com certeza, qualquer um deles presidiria “maxima cum laude” o Partido da Imprensa Golpista (PIG), a criação do Paulo Henrique Amorim que é um verdadeiro achado, sobretudo depois que a presidente da Associação Nacional de Jornais, Judith Brito, confirmou recentemente em alto e bom som que “na situação atual, em que os partidos de oposição estão muito fracos, cabe a nós dos jornais exercer o papel dos partidos, por isso estamos fazendo”.
Mas voltando ao prêmio “Corvo do Ano” é preciso destacar que nenhum dos jornalistas dos tempos modernos chega aos pés de Carlos Lacerda, um traidor convicto mas dotado de rara capacidade de polemizar. Ganhou a eleição para governador do recém criado Estado da Guanabara, em 1959, numa disputa acirrada com Sergio Magalhães e Tenorio Cavalcanti. Naquele ano, eu tive o privilégio de, quase aluno da Faculdade Nacional de Direito, estar presente no dia em que Lacerda debateria com os estudantes do CACO (Centro Acadêmico Cândido de Oliveira).
Aqui é bom explicar que o prédio da FND, no Campo de Santana, no Rio, tem história. Ali funcionou a primeira sede do Senado da República (1826 a 1924) e, talvez por esse motivo, havia regras específicas para o uso salão nobre, que só era aberto para ministros de Estado ou para o presidente da república. Palestras ou debates com outras personalidades eram realizados em um anfiteatro no terceiro andar. Assim foi com Tenório e Sergio.
Com Lacerda, entretanto, não foi assim. Lacerda era tipicamente aquela figura contraditória, amada ou odiada. Naquele ano, a direita, através da Aliança Libertadora Acadêmica, embora estivesse no poder no CACO, estava enfraquecida e sua derrota na próxima eleição era previsível. A maioria dos alunos votaria com o Movimento de Reforma, como de fato aconteceu em outubro do ano seguinte. Portanto, naquele ano eleitoral os progressistas, que repudiavam o golpismo representado por Larcerda, eram maioria. E aí deu-se uma passagem histórica que eu tive o privilégio de testemunhar.
Uma hora antes da chegada do Corvo, o apelido de Lacerda, líderes do Movimento de Reforma se reuniram numa sala fechada para examinar duas propostas: se impediam a entrada de Lacerda no chamado “território livre da FND”, o que certamente redundaria em pancadaria, pois Lacerda andava cercado por uma tropa de choque composta por lutadores, ou se permitiam sua entrada para o debate com estudantes. Não estou certo quanto ao número de presentes nessa reunião, mas sei que por um voto de diferença venceu a proposta de que ele deveria entrar e enfrentar o debate.
Ocorre que o anfiteatro ficou pequeno para receber a multidão que queria aplaudir ou vaiar Lacerda. A diretoria viu-se então obrigada a transferir o debate para o salão nobre, onde Lacerda não conseguiu falar, porque quando lá chegou o auditório já estava tomado pelos alunos que portavem cartazes e gritavam em coro “ladrão da rua Chile”, numa referência à Avenida Chile que seria aberta no centro do Rio e para a qual seria transferido o jornal de Lacerda, Tribuna da Imprensa, o que lhe renderia uma compensação financeira milionária que a Prefeitura lhe pagaria.
O resto é fácil de deduzir. O pau quebrou entre alunos e a tropa de choque lacerdista em pleno salão nobre do que foi outrora o primeiro Senado brasileiro onde Rui Barbosa brilhou. Lacerda ganhou a eleição e tornou-se o primeiro governador do Estado da Guanabara, que durou apenas 16 anos, de 1960 a 1975, quando foi incorporado ao Estado do Rio de Janeiro.
Bem, depois dessa divagação histórica, é hora de voltar ao blog do Emir Sader e indicar o seu candidato ao prêmio “Corvo do Ano 2010”. Copie o link abaixo em sua URL e participe.
* Eliakim Araújo é editor do site Direto da Redação
O perigo da 'grande marcha'... a ré

O GLOBO - 13/04/10
Vivemos um momento delicado para a democracia
Lula é um reality show permanente. Lula está em "fremente lua de mel consigo mesmo", como dizia N. Rodrigues.
Mas, em sua viagem narcisista, começam os sintomas do erro. A sensatez do velho sindicalista virou deslumbramento. Um dia, abraça o Collor, no outro está com o Hamas e o Irã.
Freud (não o Freud Godoy dos "aloprados"...) tem um trabalho clássico, "O fracasso após o triunfo", no qual mostra que há indivíduos que lutam e vencem, e, depois da vitória, se destroem, porque muitos carregam no inconsciente complexos inibidores do pleno sucesso.
Quanto mais medíocre é o dirigente, mais ele despreza a inteligência e a cultura, e se transforma numa ilha cercada de medíocres.
Será que foi por isso que Lula escolheu uma senhora sem tempero, uma gaffeuse sem prática, com "olhos de vingança", como me disse um taxista? Parece um sintoma.
A grande ironia é que Lula foi reeleito por FH.
Sem o Plano Real, o governo Lula seria o pior desastre de nossa História. E, ajudado também pela economia mundial em bonança compradora, ele hoje diz que é responsável pelos bons índices econômicos que o governo anterior organizou.
E não cai um raio do céu em cima...
Afinal, o que fez o governo Lula, além de se aproveitar do que chamava de "herança maldita", além do Bolsa Família expandido e dos shows de TV? Os primeiros dois anos foram gastos no assembleísmo vacilante dos "Conselhos" que ele nunca ouviu, depois a briga com a gangue dos quatro do PT, expulsos. Depois, a aventura da quadrilha de corruptos "revolucionários" que Roberto Jefferson desbaratou — para sua e nossa sorte —, livrando-o do Dirceu e de seus comunas mais ativos. Aí, Lula pôde voltar a seu populismo personalista.
Lula continua o símbolo do "povo" que chegou ao poder, mascote dos desvalidos e símbolo sexual da Academia. Lula descobriu que a economia anda sozinha, que basta imitar o Jânio Quadros, o inventor da "política do espetáculo", e propagar aos berros o tal PAC, esse plano virtual dos palanques.
Lula tem a aura sagrada, "cristã" do mito de operário ignorante e, por isso, intocável.
Poucos têm coragem de desmentir esse dogma, como a virgindade de Nossa Senhora...
Por isso, vivemos um importante momento histórico, que pode marcar o Brasil por muitos anos. Agora, com as eleições, vai explodir a guerra com o sindicalismo enquistado no Estado: 200 mil contratados com a voracidade militante de uma porcada magra que não quer largar o batatal.
Para isso, topam tudo: calúnias, números mentirosos, alianças com a direita mais maléfica, tudo para manter o terrível "patrimonialismo de Estado". Não esqueçamos que o PT combateu o Plano Real até no STF, como fez com a Lei de Responsabilidade Fiscal, assim como não assinou a Constituição de 88. Este é o PT que quer ficar na era pós-Lula. Seu lema parece ser: "Em vez de burgueses reacionários mamando na viúva, nós, do povo, nela mamaremos".
Os "companheiros" trabalham sincronizados como um formigueiro. O sujeito pode até bater na mãe que continua "companheiro". Só deixa de sê-lo se criticar o partido, como o Paulo Venceslau, que ousou denunciar roubos nas prefeituras, que depois se confirmaram na tragédia de Celso Daniel.
FH resumiu bem: se continuar o "lulismo" com sua tarefeira Dilma, "sobrará um subperonismo contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão".
Ou seja, o velho Brasil volta a seu pior formato tradicional, renascendo como rabo de lagarto. O país tem um movimento "regressista" natural, uma vocação populista automática.
Será o início da grande marcha a ré...
Com a eventual vitória do programa do PT, teremos a reestatização da economia, o inchamento maior ainda da máquina pública, a destruição das Agências Reguladoras, da Lei de Responsabilidade Fiscal, em busca de um getulismo tardio, uma visão do Estado como centro de tudo, com desprezo pelas reformas, horror pela administração e amor aos mecanismos de "controle" da sociedade, essa "massa atrasada" inferior aos "revolucionários". A esquerda psicótica continua fixada na ideia de "unidade", de "centro", de Estado-pai, de apagamento de diferenças, ignorando a intrincada sociedade com bilhões de desejos e contradições.
A tarefa principal da campanha de Serra será explicar qual é o "pensamento tucano". Como ensinar a população ignorante que só um choque democrático e empresarial pode enxugar a máquina podre das oligarquias enquistadas no Estado? Como explicar um programa de "mudanças possíveis" na infraestrutura e na educação, contraposto a este marketing salvacionista de Lula? Este é o desafio da campanha do PSDB.
Aécio Neves fez bem em se indignar com a demagogia de Dilma no túmulo de Tancredo — ele nos lembrou que o PT não apenas não apoiou Tancredo em 85 como expulsou seus três deputados que votaram nas eleições pela democracia.
A maior realização deste governo foi a desmontagem da Razão. Podemos decifrar, analisar, comprovar crimes ou roubos, mas nada acontece. Ninguém tem palavras para exprimir indignação, ou melhor, ninguém tem mais indignação para exprimir em palavras.
Aécio Neves devia ir além e ser vice, sim. Seria um gesto histórico que lhe daria riquíssimos frutos, para além do interesse pessoal de uma política imediata. Aécio ganharia uma rara grandeza na Historia do país. Seu avô aprovaria.
Só uma alternância de poder, fundamental na democracia, pode desfazer a sinistra política que topa tudo pelo poder e que planeja, com descaro, transformar-se numa espécie do PRI mexicano, que ficou 70 anos no poder, desde 1929. Durante o poder do PRI, as eleições eram uma simulação de aparente democracia, incluindo repressão e violência contra os eleitores. Em 1990, o escritor peruano Mario Vargas Llosa chamou o governo mexicano, sob o PRI, de uma "ditadura perfeita". Será que isso nos espera?
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