Uma Guerra, A Fé, a História, e um monte de bobagens

TEXTO 1 : do Estadão

NOVA YORK - Documentos obtidos pelo jornal americano New York Times revelam que até o bispo alemão Joseph Ratzinger, atualmente o papa Bento XVI, encobriu um sacerdote americano que abusou de aproximadamente 200 meninos surdos. A reportagem denunciando as omissões da Igreja foram publicadas nesta quinta-feira, 25, no diário.

A correspondência interna de bispos do estado americano de Wisconsin diretamente ao cardeal Ratzinger, que se tornaria o papa em abril de 2005, mostra que enquanto os responsáveis eclesiásticos discutiram a expulsão do padre, a prioridade maior foi proteger a Igreja do escândalo, segundo o site do jornal.


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Texto 2 : A Santa Inquisição - Wikipédia

A idéia da criação da Inquisição surgiu em 1183, quando delegados enviados pelo Papa averiguaram a crença dos cátaros de Albi, sul de França, também conhecidos como "albigenses", que acreditavam na existência de um deus do Bem e outro do Mal, Cristo seria o deus do bem enviado para salvar as almas humanas, após a morte as almas boas iriam para o céu, enquanto as más iriam praticar metempsicose.[1] Isto foi considerada uma heresia e no ano seguinte no Concílio de Verona, foi criado o Tribunal da Inquisição.

O Papa Gregório IX, em 20 de Abril de 1233, editou duas bulas que marcam o reinício da Inquisição. Nos séculos seguintes, ela julgou, absolveu ou condenou e entregou ao Estado vários de seus inimigos propagadores de heresias. A bula Licet ad capiendos (1233), a qual verdadeiramente marca o início da Inquisição, era dirigida aos dominicanos inquisidores: Onde quer que os ocorra pregar estais facultados, se os pecadores persistem em defender a heresia apesar das advertências, a privá-los para sempre de seus benefícios espirituais e proceder contra eles e todos os outros, sem apelação, solicitando em caso necessário a ajuda das autoridades seculares e vencendo sua oposição, se isto for necessário, por meio de censuras eclesiásticas inapeláveis. A privação de benefícios espirituais era a não administração de sacramentos aos heréticos, que caso houvesse ripostação deveria ser chamada a intervir a autoridade não religiosa (casos de agressão verbal ou física). Se nem assim a pessoa queria arrepender-se era dada, conscientemente, como anátema (reconhecimento oficial da excomunhão): "censuras eclesiásticas inapeláveis".

O uso da tortura era, de fato, bastante restrito e, aos poucos, foi sendo extinto dos processos inquisitoriais. Esta era apenas autorizada quando já houvesse meia-prova, ou quando houvesse testemunhas fidedignas do crime, ou então, quando o sujeito já apresentasse antecedentes como má fama, maus costumes ou tentativas de fuga. E ainda assim, conforme o Concílio de Viena, de 1311, obrigava-se os inquisidores a recorrerem à tortura apenas mediante aprovação do bispo diocesano e de uma comissão julgadora, em cada caso. Também é sabido que a tortura aplicada pela Inquisição era mais branda que a aplicada pelo poder civil, não sendo permitida, de forma alguma, a amputação de membros (como era comum na época) e o risco à vida. A tortura era um meio incluído no interrogatório, sobretudo nos casos de endemoninhados ou de réus suspeitos de mentira.

Apêndice:

Os julgamentos em Toulouse na França, em 1335, levou diversas pessoas à fogueiras; setecentos Feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg ...
Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em Estacas. Na Itália e Espanha as vítimas eram queimadas vivas. Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados.
No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente. Na Escócia a lei foi abolida em 1736, na França em 1772 e na Espanha em 1834.
Os pesquisador Justine Glass afirma que cerca de 9 milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos em que durou a perseguição contra a Bruxaria.
As “mesmas pessoas”, juizes, advogados, governadores e clérigos que decidiram que haviam pessoas que praticavam Bruxaria, decidiram que não havería mais.


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Texto 3 : A Fé - Wikipédia


Fé (do grego: pistia e do latim: Fides= fidelidade[1]) é a firme convicção de que algo seja verdade, sem nenhuma prova de que este algo seja verdade, pela absoluta confiança que depositamos neste algo ou alguém. A fé se relaciona de maneira unilateral com os verbos acreditar, confiar ou apostar, isto é, se alguem tem fé em algo, então acredita ,confia e aposta nisso, mas se uma pessoa acredita ,confia e aposta em algo, não significa, necessariamente, que tenha fé. A diferença entre eles, é que ter fé é nutrir um sentimento de afeição, ou até mesmo amor, pelo que acredita,confia e aposta. É possível nutrir um sentimento de fé em relação a um pessoa, um objeto inanimado,uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, uma crença popular, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. A fé não é baseada em evidências físicas, e portanto as alegações da fé não são reconhecidas pela comunidade científica. É, geralmente,associada a experiências pessoais e pode ser compartilhada com outros através de relatos. Nesse sentido, é geralmente associada ao contexto religioso. A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais e a motivos nobres ou estritamente pessoais[carece de fontes?]. Pode estar direcionada a alguma razão específica ou mesmo existir sem razão definida. Também não carece absolutamente de qualquer tipo de evidência física racional.



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Comentário:

As recentes notícias sobre casos e mais casos de crimes sexuais ligados a Igreja Católica, que vimos nos últimos dias deve ser tratada como um crime comum pela justiça, mas de forma crítica pela sociedade ocidental.
Não frequento nenhum tipo de Igreja, não gosto e não me apego em "rituais" de qualquer espécie.
Digo que deve ser encarado como mais uma derrota em se manter unida a civilização ocidental, que convenhamos, está em séria decadâencia.
O Futuro parece ser dos muçulmanos, e não devemos estar longe disso.
Mas, não me importo com as crenças em si...
Como médico, posso dizer que a fé gera um mecanismo de neurotransmissão potencialmente positivo no cérebro (evidente que em doses moderadas), independente da origem.
Mas o que me importa é a convivência em sociedade, os costumes, a cultura e realmente as relações interpessoais, que acabam, de alguma forma, moldadas por uma cultura ou outra, mais ou menos arraigada à rituais religiosos.
Este fato com a Igreja Católica mostra mais um grande de seus erros históricos (há alguns malucos que negam o Holocausto Nazista, mas existem outros malucos que negam as mortes geradas pela Santa Inquisição) em manter, por exemplo, o celibato (sabe-se lá porque inventaram algo tão anti-humano) que é o grande gerador de distorções no comportamento dos "representantes da Igreja Católica" em relação à "crimes sexuais". Viver onde a relação homem e mulher é proibida (nada é mais da natureza humana do que as diferenças de gênero e as relações entre pessoas de sexos opostos) leva ao aparecimento de desvios naqueles onde não há tanto "ego" disponível para digerir isso.
O erros são sucessivos. E as outras "entidades Cristãs" não ficam atrás, estas outra ávidas por dinheiro fácil, onde seus líderes não tem a menor vergonha de gritar em horários televisivos para doar, doar, doar, porque senão não seremos "salvos"!
E por aí vai.
Por isso não me apego a Rituais Religiosos. Todos, exatamente, TODOS se corromperam em algum momento de sua História.
Exatamente como a Esquerda...
As utopias de ambas geram isso.

Já dizia Martin Luther King:

"O Comunismo só existe porque o Cristianismo não está sendo suficientemente Cristão"!


Que coisa para se refletir, sem nenhum tipo de ataque histérico dos "Viciados em Fé Cega e excessiva" ou "Fundamentalistas de todas as espécies", os quais nem me darei ao trabalho de publicar os comentários.
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Pela sobrevivência do IUPERJ

No dia 22 de março passado reuniram-se no IUPERJ representantes de Associações Científicas e de Programas de Pós-Graduação com o intuito de apoiar a causa contra a extinção da instituição.


Nesta reunião foi elaborado um abaixo-assinado dirigido às várias autoridades que têm responsabilidades em nossas áreas de atuação, documento que está sendo encaminhado pela Associação Nacional de Pós-graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), tendo sido assinado por várias instituições, dentre as quais a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).


As instituições interessadas em apoiar a causa do IUPERJ e estão de acordo com o abaixo-assinado (Pela Sobrevivência do IUPERJ), podem fazê-lo enviando um email (apoio@iuperj.br) com o nome da instituição e o do responsável pela assinatura que serão integrados ao texto do abaixo-assinado.


As pessoas físicas devem clicar no link WWW.iuperj.br/abaixoassinado que traz a Carta Aberta dos professores do IUPERJ e se estiverem de acordo devem registrar as informações solicitadas (CPF e email são solicitados para evitar fraudes na assinatura, mas não serão divulgados).


Devemos nos esforçar para dar a maior divulgação possível a essa campanha. O IUPERJ é um patrimônio das ciências sociais brasileiras e do melhor pensamento crítico. Não pode simplesmente desaparecer.


Abaixo, segue o texto das associações científicas.





Rio de Janeiro, 22 de março de 2010.

PELA SOBREVIVÊNCIA DO IUPERJ

O IUPERJ – Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro – há 40 anos, vem formando mestres e doutores em Ciência Política e Sociologia. Durante todos esses anos também se distinguiu pela qualidade de suas pesquisas nas duas áreas. Neste momento, a instituição corre o risco de desaparecer. Seus professores não receberão os salários do ano em curso. A Universidade Candido Mendes, sua mantenedora, já o deixou claro.

A comunidade acadêmica brasileira considera inaceitável a extinção do IUPERJ, uma instituição de excelência, que tem obtido as mais elevadas avaliações das agências de fomento à pesquisa e ao ensino de pós-graduação.

Nós, abaixo assinados, vimos, por meio desta, demandar às autoridades públicas do Governo Federal – os Ministérios de Ciência e Tecnologia e da Educação, especialmente a Finep, o CNPq e a Capes; do Governo Estadual – a Secretaria de Ciência e Tecnologia e a Faperj, e do Governo Municipal que lancem mão dos instrumentos disponíveis para viabilizar a remuneração dos docentes do IUPERJ enquanto perdurar esta situação emergencial.

Trata-se efetivamente de uma situação emergencial. O IUPERJ submeteu ao Ministério de Ciência e Tecnologia a proposta de sua transformação em Organização Social. Com a aprovação deste pleito, a sobrevivência da instituição estará garantida no longo prazo.

No curto prazo, o quadro é dramático. A continuidade dos trabalhos da instituição depende de aporte imediato de recursos. É o que esperamos.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS (ANPOCS) – Maria Alice Rezende de Carvalho
ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS – Gilberto Velho
SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA (SBPC) – Otávio Velho
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL – MUSEU MUSEU NACIONAL – UFRJ – Gilberto Velho
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIÊNCIA POLÍTICA – Fabiano Santos
SOCIEDADE BRASILEIRA DE SOCIOLOGIA – José Ricardo Ramalho
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS – PUC-RIO – Eduardo Raposo
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS – PUC-RIO – José Maria Gómez
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA E ANTROPOLOGIA – UFRJ – Elina Pessanha
FUNDAÇÃO CASA DE RUI BARBOSA – Isabel Lustosa
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DAS CIÊNCIAS E DA SAÚDE / FIOCRUZ – Maria Rachel Fróes da Fonseca
ISER – INSTITUTO SUPERIOR DE ESTUDOS DA RELIGIÃO – Leilah Landim
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA E DIREITO – UFF – Marcelo Mello
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DE CIÊNCIAS SOCIAIS EM DESENVOLVIMENTO, AGRICULTURA E SOCIEDADE – CPDA – UFRRJ – Maria José Carneiro
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS ESTRATÉGICOS DE DEFESA E SEGURANÇA – UFF – Eurico Figueiredo
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Embrace Life



always wear your seat belt

VIA http://jumento.blogspot.com/

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BOLETIM DO PT CENSURADO POR TRIBUNAL GAÚCHO VIRA SENSAÇÃO NA INTERNET

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Depois que uma liminar açodada e arbitrária do TRE gaúcho mandou tirar de circulação uma publicação periódica do PT de Porto Alegre - fato que a imprensa venal dos pagos sulistas noticiou à farta - , um curioso fenômeno passou a ser observado na capital gaúcha: cada exemplar daqueles que já haviam sido distribuídos passou a ser disputado a tapa pelas pessoas que ainda não o tinham lido. Com isso, as falcatruas envolvendo o governo do prefeito José Fogaça - todas denunciadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público - estão se tornando conhecidas por um número infinitamente maior de leitores.
Segundo relato de testemunhas, até mesmo o Oficial de Justiça encarregado de executar a ação de busca e apreensão do boletim nas sedes municipal e estadual do PT teria separado um exemplar para ler no recesso de seu lar.
De acordo com a curiosa nota publicada no site do TRE-RS, "foram apreendidos 306 boletins", equivalente a dizer que não foram apreendidos cerca de 39.694 impressos.
Agora, com a publicidade gratuita adquirida graças à truculência judicial, os boletins do PT porto-alegrense passam de mão em mão, disseminando a verdade sobre os desvios milionários ocorridos na gestão de José Fogaça.
Caso um desses impressos – agora clandestinos – ainda não tenham chegado até você, eis aqui uma nova oportunidade para se informar sobre a bandalheira envolvendo a prefeitura e o prefeito que quer ser governador.
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Uma década que valeu a pena ter vivido


A homenagem prestada pelo Departamento de Ciência Política da USP a Gildo Marçal Brandão foi emocionante. À altura do personagem.

Centenas de pessoas se aglomeraram no anfiteatro da História, na tarde do dia 19 de março, para recordar o colega, amigo e companheiro. A banca que o examinaria no concurso de Professor Titular estava presente e pela palavra de Gabriel Cohn, seu porta-voz, tornou público o que todos esperavam: “Entende esta comissão que, por sobrados méritos, cabe a Gildo Marçal a condição de professor titular da USP, e que, doravante, toda referência a esse nosso muitíssimo prezado e saudoso colega deverá ser como titular, que ele aqui passa a ser, por méritos substantivos ainda quando não por designação formal”.

Na ocasião, ao lado de outros, fiz um pequeno depoimento, que reproduzo abaixo.

Não sabemos bem de que modo nascem e crescem as amizades.

Sabemos que partem de pequenas e sucessivas aproximações, afinidades e contrastes que se atraem. Depois, ganham vida própria. Um belo dia, certas pessoas se convertem em parceiras do destino de outras. Incorporam-se à experiência delas.

São famosas as duplas, ou trios, ou quartetos, de amigos que se completam, se complementam e se negam a vida inteira.

Amizades também são feitas de silêncios, hiatos, distâncias, crises, brigas e esquecimentos. São humanas, dinâmicas, contraditórias, imperfeitas. Carregamos muitas culpas por falhas ou desatenções nesse terreno.

Há amigos de diferentes tipos, gêneros e graus. Amigos de parte da vida e amigos da vida inteira. Alguns que colam em nossa trajetória e com ela se confundem, e amigos que a acompanham mas não se envolvem. Há amigos e conhecidos. Todos nos causam sentimentos de afeição, ternura ou simpatia, sua presença ou lembrança nos agradam, ainda que possam também nos irritar em um ou outro momento. Muitos se tornam tão presentes e entranhados em nossa marcha que muitas vezes nem percebemos direito que eles existem, como se fossem uma paisagem especial ou um dado da natureza. Esquecemos algumas pequenas cortesias e certos gestos mais prosaicos de afeto e gentileza, por exemplo.

Tive a sorte e a felicidade de ter amigos desse tipo especial. Gildo Marçal Bezerra Brandão, professor do Departamento de Ciência Política da USP, foi um deles, especialíssimo. Éramos tão amigos e fizemos tantas coisas em conjunto – coisas que se misturaram umas nas outras – que me sinto estranho ao tentar homenageá-lo nesse momento.

Gildo foi um intelectual e um militante da grande política que nunca torceu o nariz para a pequena política.

Houve uma década em nosso relacionamento que certamente valeu a pena ter vivido. Creio que Gildo pensava do mesmo modo, tantas foram as vezes que conversamos a respeito.

Foi a década entre 1974 e 1983.

Nós nos conhecemos na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na Rua General Jardim, Vila Buarque, centro da cidade. Dois jovens recém-diplomados, de esquerda. Gildo vindo do nordeste, com a cuia, uma mala cheia de livros e muitas idéias na cabeça. Era formado em filosofia, admirador de Hegel e do Padre Henrique de Lima Vaz. Eu acabara de me bacharelar em Ciências Sociais e estava aberto a todas as influências. Queria ser marxista, como ele. Queríamos ambos ser comunistas.

Depois de alguns anos de muitas bebedeiras e conversas – como bebemos naqueles anos! –, participamos juntos da criação em 1976-1977 da revista Temas de Ciências Humanas, patrocinada pela editora de Raul Mateos Castell. Era um projeto ambicioso: organizar um espaço para a intervenção teórica dos marxistas, em plena ditadura. O conselho editorial era composto por nós dois, mais José Chasin e Nelson Werneck Sodré, com Raul Mateos onipresente.

Mas a revista tinha uma alma e um motor. Talvez Gildo fosse a alma e eu, o motor. Fazíamos de tudo, da redação aos contatos, à divulgação e à agitação. Publicamos coisas importantes, e acredito que a revista representou algo de relevante naquele contexto.

Houve algum sectarismo nela, também, certo distanciamento presunçoso em relação à política. Durante os primeiros anos, para nós, a frente de batalha era metodológica, filosófica. A unidade não se fazia na política, mas na teoria, ou melhor, no terreno doutrinário.

Havia uma questão subjacente: o partido comunista. Ele não estava na revista, mas de certo modo fazia sentir sua presença. Era uma espécie de referência para nós. O que fazer para ajudá-lo a resistir, a sobreviver, a voltar a ter atuação na política nacional? Acreditávamos que ao menos parte daquele movimento dependia do alcance de uma teoria social competente, rigorosa, capaz de fazer frente às teorizações “apolíticas” e “acadêmicas” que circulavam então, e cujo centro gerador achávamos que estava na USP.

A partir do seu quinto número – que publica em separata um artigo de Marcelo Gato, então deputado e sindicalista vinculado ao PCB – a revista começa a se abrir para a política. Gildo teve papel decisivo nisso, imprimiu um ritmo firme, impulsionou a revista para a frente democrática que então se constituía e crescia.

Pagamos certo preço por essa inflexão. Temas aproximou-se da vida partidária e não teve como escapar da luta interna que atravessou o PCB por volta de 1980. Sobreviveu até 1981. Dez belos números. Em seus anos finais, porém, eu e Gildo já não estávamos mais tão presentes. Fomos fazer outras coisas.

Outras coisas não, uma só coisa, absorvente: o jornal Voz da Unidade, que teve em Gildo um de seus organizadores e seu primeiro editor-chefe, entre 1980 e 1981.

A possibilidade de fazer um jornal comunista explícito, legalizado, foi uma experiência que ninguém esquece. Para o bem e para o mal. Não foi uma experiência com certeza uma experiência doce e tranquila. Houve muita briga, muita tensão, rupturas e divergências. Mas o saldo foi positivo, valeu por uma década inteira de formação política e intelectual.

Quando Gildo saiu da chefia, eu o substituí. Não estávamos propriamente com as mesmas posições. Ficamos um tempo com as relações esfriadas, deixamos de nos freqüentar. Mais um ano e eu também saí do jornal, que em boa medida passou para o controle estrito das direções do PCB.

A Voz da Unidade foi uma tentativa de oxigenar o universo comunista brasileiro. Não é o caso de fazer o balanço da experiência aqui, mas diria que parte do programa que tínhamos para o jornal foi alcançada. Muitos jovens comunistas fizeram a cabeça lendo e distribuindo o jornal. Mas o comunismo brasileiro como um todo não se oxigenou, não passou para outro patamar cultural, não melhorou sua performance organizacional, teórica e política. Perdeu-se nas entranhas e nos desdobramentos da redemocratização.

O que se seguiu depois é o que nos reúne aqui hoje. Gildo perambulou como free-lancer e em 1989 ingressou como professor no DCP da USP. Tornou-se um scholar, um pesquisador, uma referência em sua área de trabalho. Nossa amizade se refez e se ampliou, ficou consolidada, virou história.

Gildo percorreu um périplo rico, que o engrandeceu e o satisfez. Nunca se trancafiou em torres de marfim, não deixou de olhar para a política cotidiana, a pequena política, a que move as pessoas em seu dia-a-dia. Viveu a vida intensa e generosamente.

Perdeu algumas batalhas, mas nenhuma guerra.

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