Fragmentos de discursos amorosos ou nós que amávamos tanto a (tal da) revolução.

Giuseppe Pellizza da Volpedo, “O Quarto Estado”, Itália, 1901.

E sob os seus pés, continuavam as batidas cavas, obstinadas, das picaretas. Todos os companheiros estavam lá no fundo; ouvia-os seguindo-o a cada passo. Não era a mulher de Maheu sob aquele canteiro de beterrabas, curvada, com uma respiração que chegava até ele de tão rouca, fazendo acompanhamento ao ruído do ventilador? À esquerda, à direita, mais adiante, julgava reconhecer outros, sob os trigais, as cercas vivas, as árvores novas. Agora, em pleno céu, o sol de abril brilhava em toda a sua glória, aquecendo a terra que germinava. Do flanco nutriz brotava a vida, os rebentos desabrochavam em folhas verdes, os campos estremeciam com o brotar da relva. Por todos os lados as sementes cresciam, alongavam-se, furavam a planície, em seu caminho para o calor e a luz. Um transbordamento de seiva escorria sussurrante, o ruído dos germes expandia-se num grande beijo. E ainda, cada vez mais distintamente, como se estivessem mais próximos da superfície, os companheiros cavavam. Aos raios chamejantes do astro rei, naquela manhã de juventude, era daquele rumor que o campo estava cheio. Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra.

(Émile Zola, “Germinal”, França, 1881).

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Come ananás, mastiga perdiz.
Teu dia está prestes, burguês.

(Vladimir Maiakóvski, “Come Ananás”, Rússia, 1917).

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A burguesia perdeu o próprio sentido. O proletariado marxista, através de todos os perigos, achou o seu caminho e nele se fortifica para o assalto final. Enquanto as fêmeas da burguesia descem de Higienópolis e dos bairros ricos para a farra das garçonnières e dos clubs, a criadagem humilhada, de touquinha e avental, conspira nas cozinhas e nos quintais dos palacetes. A massa explorada cansou e quer um mundo melhor!

(Patrícia Galvão, sob o pseudônimo de Mara Lobo, “Parque Industrial”, Brasil, 1932).

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(...) E se de repente Karl Marx ressuscitasse
e os agentes de produção voltassem a chamar-se
capitalistas e proletários? E se esta ordem
desordenada
virasse toda do avesso? Mas
o muro caiu
oiço dizer todos os dias.
E um japonês chamado Fukuyama
(talvez com medo de não morrer na cama)
pôs um ponto final na História. Fim.
A partir de agora é só sondagem imagem sacanagem.
Gosto amargo do mundo
bebe-se um trago e fica um travo.
Se a História é interdita e não nos resta sequer a escrita
que farei eu com este cravo?

(Manuel Alegre, “O Cravo e o Travo”, Portugal, 1999).

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Trilha Sonora do Dia: Screaming Trees, com "Working Class Hero", de John Lennon.


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Viva Nossa Rede!
Viva o Estado Democrático de Direito.
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Como o Google se torna semântico

Você quer encontrar fotos de cães na Internet. Daí você entra no Google, e digita "fotos de caes". Mas você não se satisfaz, e tenta "foto cao", "foto cachorro" e "foto canino".

Em cada caso, o Google dá certos resultados. No entanto, o Google está calibrado para considerar pesquisas consecutivas como dizendo respeito às mesmas coisas. Assim, o Google aprende que "de caes", "cao", "cachorro" e "canino" são sinônimos.

Eis como o Google se torna uma ferramenta semântica. Achei genial.

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