Darwin respondeu a Kripke, avant la lettre (Domingo cabeça)

O filósofo estadunidense Saul Kripke é famoso por ter afirmado que, necessariamente, água é H2O.

Isso quer dizer que, se algo é água, tem essa fórmula.

Isso é falso por vários motivos, dentre os quais que chamamos de "água" compostos químicos com várias fórmulas distintas de H2O, e que em diversas épocas não era certo chamar compostos de H2O sólido ou gasoso de "água", pois não se tinha a visão atual sobre os diferentes estados de agregação da matéria.

Para muitos seguidores de Kripke, da visão de Kripke surge uma boa teoria sobre as espécies naturais. O ponto kripkeano seria que cada espécie tem uma essência, assim como necessariamente água é H2O.

Mas isso é falso por motivos já apresentados por Charles Darwin logo no início do capítulo 2 dA Origem das Espécies, intitulado "Variação sob a Natureza":
Dessas observações se verá que olho para o termo espécie como um dado arbitrariamente com a finalidade da conveniência a um conjunto de indivíduos intimamente parecidos uns com os outros, e que ele não difere essencialmente do termo variedade, o qual é dado para formas menos distintas e mais flutuantes. O termo variedade, por sua vez, em comparação com meras diferenças individuais, também é aplicado arbitrariamente, e com a mera finalidade da conveniência.
[...] espécies são apenas variedades fortemente marcadas e permanentes.
No início do capítulo 3:
É imaterial para nós se uma multidão de formas duvidosas é chamado de espécie ou subespécie ou variedade [...].
No capítulo 9 Darwin escreve, sempre na minha tradução:
É de todo importante lembrar que os naturalistas não têm uma regra de ouro pela qual distinguir espécies e variedades; eles admitem alguma pequena variabilidade a cada espécie, mas quando eles se encontram com alguma quantia de diferença de algum modo maior entre quaisquer duas formas, eles as classificam como espécies, a menos que eles estejam habilitados a conectá-las uma a outra por gradações intermediárias próximas.
Darwin está deixando claro que se fala de espécies por mera conveniência, e que o critério para o estabelecimento de uma espécie é o que o naturalista sabe, não alguma coisa em si tal como é inobservada.

Talvez a teoria de Kripke funcione para alguns minerais. Mas não funciona para a água, como vimos acima.
Clique para ver...

Uma perfeita idiotice dita por um latinamericano (Mundo)

Tá aqui: Vargas Llosa dizendo que Chávez vai atacar a Colômbia. É uma perfeita idiotice dita por um latinamericano.

Caso queira leituras mais sérias, recomendo:
Clique para ver...

Sem medo do passado


O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas estão o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse: "O Estado sou eu." Lula dirá: "O Brasil sou eu!" Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo o que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote - o governo do PSDB foi "neoliberal" - e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora, os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da Lei de Responsabilidade Fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobrás, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões, e junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do Programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao País. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no País.

Esqueceu-se de que o País pagou um custo alto por anos de "bravata" do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI - com aval de Lula, diga-se - para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo o que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto "neoliberalismo" peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobrás, citado por Adriano Pires no Brasil Econômico de 13/1: "Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobrás produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela."

O outro alvo da distorção petista se refere à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002 houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram num município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outros 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando numa só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB "não olhou para o social". Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel para a realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa Toda Criança na Escola trouxe para o ensino fundamental quase 100% das crianças de 7 a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996 eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República
Clique para ver...

Animais racionais

Uma pequena dose, como Pierre Huber expressa, de juízo ou razão, frequentemente entra em cena, mesmo em animais muito baixos na escala da natureza.
Charles Darwin, A Origem das Espécies, cap. 7, Instinto
Clique para ver...

O livro na caixa (Fotossaudação)

Clique para ver...
 
Copyright (c) 2013 Blogger templates by Bloggermint
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...