Dedicado servidor da ditadura militar e prócer do CCC - Comando de Caça aos Comunistas - nos anos 60 e 70, o jornalista Boris Casoy acaba de confirmar, via satélite, sua verdadeira e odiosa índole. Na última noite de 2009, ao apresentar as manchetes do Jornal da Band, o velhaco escarneceu dos garis que haviam acabado de desejar um Feliz 2010 aos brasileiros. O vídeo abaixo dispensa explicações. Serve apenas para mostrar que o afetado âncora da Rede Bandalha, do alto da sua irrefreável estupidez, envergonha a espécie humana. Boris Casoy é um lixo em forma de gente, escória excrementícia do que há de mais baixo na escala da dignidade. Esta é a opinião deste Cloaca News.
Um discurso escrito em papel podia parecer uma descrição perfeita de árvores, mas se fosse produzido por macacos batendo ao acaso em teclas de uma máquina de escrever durante milhões de anos, então as palavras não se refeririam a nada.
Hilary Putnam, Razão, verdade e história (Ed. Dom Quixote 1992, esgotado), p. 26
Sono, pensa, que remenda a puída manga do desvelo. Que forma incrível de colocar a coisa! Nem mesmo todos os macacos do mundo batucando em máquinas de escrever a vida inteira produziriam essas palavras arranjadas nessa ordem.
Tarsila do Amaral - "Carnaval em Madureira" - 1924
Eric Hobsbawm, o grande historiador britânico, vem reiterando incessantemente nos últimos anos que o grande programa político destes nossos dias deve ser a retomada e a defesa dos valores iluministas, como um contraponto necessário ao irracionalismo e a barbárie. Posso dizer que a adesão – mas sem perder o espírito crítico e uma boa dose de iconoclastia – a este programa tem marcado o “Abobrinhas Psicodélicas” neste pouco mais de um ano de existência. Neste tempo, passei a ter uma noção efetiva do que representa hoje a grande rede e da capacidade daquilo que vem sendo chamado de “blogosfera”, de intervir e de influenciar o real. Sem ufanismos ou otimismos exagerados, percebo hoje que a “guerrilha virtual” levada a cabo por milhares de pessoas em todo o Brasil tem conseguido causar alguns pequenos estragos na, até agora, intransponível barreira midiática. É lógico que ainda estamos longe da quebra do monopólio da informação, mas – pela primeira vez – vemos os senhores da mídia acusando os golpes que vem sofrendo das fundas cibernéticas dos inúmeros “Davis” da internet. Neste sentido, os blogueiros estão entre os primeiros que perceberam, consciente ou inconscientemente, o fenômeno que foi traduzido em palavras pelo teólogo e deputado democrata-cristão alemão Heiner Geibler: “Antigamente, nas revoluções, as estações de trem eram ocupadas. Hoje, ocupamos conceitos”. Assim, o que começou meio que na brincadeira – um espaço para exorcizar fantasmas e também para publicar textos que fugissem dos padrões mais rígidos dos artigos acadêmicos que habitualmente escrevo – acabou se tornando um gostoso vício e, por que não, uma pequena trincheira onde eu exponho e debato idéias. E neste relativamente curto período de existência do blog, encontrei diversos companheiros e companheiras de caminhada que participaram – concordando ou discordando – das discussões aqui travadas e que, principalmente, mostraram que apesar de aparentemente estarmos nadando contra a corrente, ainda há espaço para a construção de utopias coletivas. Sem sombra de dúvidas, vivemos em tempos interessantes. E para nós que vivemos no sempre tão propalado “País do Futuro”, eles se mostram mais interessantes ainda, porque parece que, finalmente, o futuro chegou e, ao passarmos da contemplação para a ação, estamos participando de uma pequena revolução silenciosa – à brasileira – que tem atordoado os setores que secularmente foram os fiadores e intermediários da nossa miséria e da nossa dependência. Assim, é com esperança e com ânimo renovado para continuar a "combater o bom combate" que desejo a todos (as) um ótimo 2010 e que deixo aqui dois poemas que traduzem bem o espírito deste blog. O primeiro é da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen e foi escrito dois dias após a Revolução dos Cravos, em abril de 1974; o segundo, é de um grande poeta brasileiro, já citado aqui outras vezes, Eduardo Alves da Costa:
Revolução
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Como casa limpa Como chão varrido Como porta aberta
Como puro ínicio Como tempo novo Sem mancha nem vício
Como a voz do mar Interior de um povo
Como página em branco Onde o poema emerge
Como arquitectura Do homem que ergue Sua habitação
27 de Abril de 1974
Não Te Esqueças do Mundo
(Eduardo Alves da Costa)
Ainda que o divino te chame pelo nome e te ofereça a sua intimidade, não te esqueças do mundo. Porque é aqui, entre dores e esperanças que teus irmãos caminham, atados aos esquecimento. E se tu, que recebeste a benção da recordação, não te importares mais com eles, quem os receberá na região dos sonhos, para lhes traduzir o sentido das visões que os tornam tão próximos dos Deuses?