
Luis Inácio Lulla da Silva
proferindo mais bravatas.


José Múcio — que, até anteontem, cuidava de amansar os parlamentares em nome de Lula e agora vigia as contas do governo — tomou posse ontem no TCU. Fez um discurso cujo mote é constrangedor e indica a degradação a que chegou a vida pública. Segundo disse, fará no tribunal “uma boa governança no sentido de orientar e prevenir no lugar de condenar”.
Por que não se deve dizer uma besteira como essa? Porque todas as coisas têm lugar certo e sua necessidade. Há a hora da orientar, há a hora da prevenir, e há a hora dae condenar — no caso, o TCU pode condenar uma obra ou procedimento, mas não pessoas.
No momento em que o TCU está sob a mira de Lula e da candidata Dilma Rousseff — porque encontrou lambanças em obras federais —, a fala se mostra indecorosa. Mais: parece que já chega censurando seus pares. Mal disfarça, assim, um certo caráter de intervenção que tem a sua entrada no tribunal.
Um começo melancólico.

O artigo 36 da Lei Eleitoral determina que a propaganda comece só depois do dia 5 de julho do ano da eleição. A propaganda antecipada, esclareceu um acórdão do TSE, “é caracterizada pela existência simultânea de três condições: a induvidosa intenção de revelar ao eleitorado o cargo político que se almeja, a ação que pretende o beneficiário desenvolver e os méritos que o habilitam ao exercício da função". A excursão pelo rio São Francisco atendeu exemplarmente aos três quesitos.
No Brasil, como se sabe, leis são como vacinas: algumas não pegam. A sequência de comícios disfarçados de “vistoria de obras” reafirma que, para o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, a Lei Eleitoral não pegou. Ou o Judiciário mostra que ambos estão errados ou declara oficialmente aberta a campanha de 2010.