Indignação com as laranjeiras

Da Folha
LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

Por que não nos indignamos com a captura do patrimônio público que ocorre todos os dias em nosso país?
HÁ UMA semana, duas queridas amigas disseram-me da sua indignação contra os invasores de uma fazenda e a destruição de pés de laranja. Uma delas perguntou-me antes de qualquer outra palavra: “E as laranjeiras?” -como se na pergunta tudo estivesse dito.
Essa reação foi provavelmente repetida por muitos brasileiros que viram na TV aquelas cenas. Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela “fúria de militantes irracionais”.
Quando ouvi o relato indignado, perguntei à amiga por que o MST havia feito aquilo. Sua resposta foi o que ouvira na TV de uma das mulheres que participara da invasão: “Para plantar feijão”. Não tinha outra resposta porque o noticiário televisivo omitiu as razões: primeiro, que a fazenda é fruto de grilagem contestada pelo Incra; segundo, que, conforme a frase igualmente indignada de um dos dirigentes do MST publicada nesta Folha em 11 deste mês, “transformaram suco de laranja em seres humanos, como se nós tivéssemos destruído uma geração; o que o MST quis demonstrar foi que somos contra a monocultura”.
Talvez os dois argumentos não sejam suficientes para justificar a ação, mas não devemos esquecer que a lógica dos movimentos populares implica sempre algum desrespeito à lei. Não deixa de ser surpreendente indignação tão grande contra ofensa tão pequena se a comparamos, por exemplo, com o pagamento, pelo Estado brasileiro, de bilhões de reais em juros calculados segundo taxas injustificáveis ou com a formação de cartéis para ganhar concorrências públicas ou com remunerações a funcionários públicos que nada têm a ver com o valor de seu trabalho.
Por que não nos indignarmos com o fenômeno mais amplo da captura ou privatização do patrimônio público que ocorre todos os dias no país? Uma resposta a essa pergunta seria a de que os espíritos conservadores estão preocupados em resguardar seu valor maior -o princípio da ordem-, que estaria sendo ameaçado pelo desrespeito à propriedade.
Enquanto o leitor pensa nessa questão, que talvez favoreça o MST, tenho outra pergunta igualmente incômoda, mas, desta vez, incômoda para o outro lado: por que os economistas que criticam a suposta superioridade da grande exploração agrícola e defendem a agricultura familiar com os argumentos de que ela diminui a desigualdade social, aumenta o emprego e é compatível com a eficiência na produção de um número importante de alimentos não realizam estudos que demonstrem esse fato?
A resposta a essa pergunta pode estar no Censo Agropecuário de 2006: embora ocupe apenas um quarto da área cultivada, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção e emprega quase três quartos da mão de obra no campo.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, nesta Folha listou esses fatos e afirmou que uma “longa jornada de lutas sociais” levou o Estado brasileiro a reconhecer a importância econômica e social da agricultura familiar. Pode ser, mas ainda não entendo por que bons economistas agrícolas não demonstram esse fato com mais clareza. Essa demonstração não seria tão difícil -e talvez ajudasse minhas queridas amigas a não se indignarem tanto com as laranjeiras.
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Redigindo melhor a frase!


"O presidente Lula tem todo o direito de apoiar um candidato. Mas não vivemos num regime de capitania hereditária em que o presidente apoia e automaticamente o candidato está consagrado. O presidente não pode fazer uma nomeação"



Declarou ontem José Serra, candidato das oposições à Presidência da República.

Vamos ajudar o Serra a dizer as coisas de uma forma mais, digamos, eleitoral:

" O Lula tem direito de apoiar, mas não de impor candidato. O Brasil não é Cuba, aqui é democracia, o povo é quem vota e escolhe. O povo quer conhecer muito bem cada candidato. O Lula merece todo o respeito, mas não vai ganhar eleição no carteiraço, pois brasileiro não é um cachorrinho para sair votando em quem não conhece só porque ele mandou."

Além de que:

Assim como a Dilma está importando o marqueteiro do Obama para que resolver o seu problema de "Yes, eu quem?"....




Coronel
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As viagens culturais de Serra

A oposição reclama das viagens do Lula. Para as do governador de São Paulo, diz que são motivadas por interesses culturais. Flagramos alguns momentos do álbum de fotografias de José Serra.



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Dia do Médico


Hoje é 18 de outubro e nada temos a comemorar em mais um dia do médico.
O aviltamento e a exposição destes profissionais às péssimas condições de trabalho oferecidas pelo governo.
A culpa do sistema é quase sempre de responsabilidade virtual moral do próprio médico
Mas o Ministro da Saúde não é responsabilizado. Nem os gestores Estaduais e Municipais que usam de nossa profissão sem o mínimo cuidado ético, inclusive, muitas vezes, nem remuneram, numa espécie de golpe que muitas prefeituras o fazem, pelo Brasil aí a fora.
Segue abaixo uma crônica politizada sobre o assunto.

O Médico e a Esquerda!

Uma crônica politizada sobre as utopias de esquerda, que tentam encontrar caminhos no caos brasileiro, onde encontram médicos imbecis fáceis de demonizar. Ou seja, o dia-a-dia de quem trabalha junto às políticas públicas de saúde no Brasil.
(Nada mais degradante do que se lembrar de Duda Mendonça, na CPMI, em 2005, forçando o choro, olhando para a câmera de TV, para o povo, e dizendo: "EU sou do bem!" - tentando marquetear-se em um personagem ao sabor da idiotia nacional, como fez publicitariamente com tantos políticos profissionais nesse caos de país)
Quando adolescente fui simpatizante de partidos de esquerda. Hoje sou partidário apenas de minha própria sobrevivência neste resquício cultural que ainda chamam de Brasil; o que me faz, consequentemente, um "antipatizante" de quase todas as pessoas vivas, inclusive de todos os partidos políticos. Torço, contudo, para que a maioria da população continue a acreditar nestes joguinhos "democráticos", e continue a se envolver com eles como se envolve em partidas de futebol - com muita paixão mas sem qualquer conseqüência prática.
Nos últimos anos tenho sido tomado de especial antipatia pelos partidos, ONGs e militantes daquilo que ainda pode ser rotulado de ?esquerda brasileira". E isto não apenas pela tentativa de golpe político-midiático contra o governo federal do PT na época do "mensalão" - em que houve mais algumas denúncias de corrupção que são triviais no Brasil, em todo e qualquer governo, em toda e qualquer instituição ou empresa, mas que só é conveniente deixar vazar na mídia quando se quer derrubar um adversário na luta por poder plutocrático. Ao contrário, nesta lenta agonia do PT , tenho simpatizado, embora com certo asco, mais com os cínicos do partido do que com seus moralistas, principalmente os que o abandonaram ou foram expulsos recentemente.

Ou seja: considero que corromper políticos faz parte deste joguete pseudo-democrático brasileiro (embora acrescentar o "pseudo" aí seja apenas redundância), da mesma forma que andar com dólares na cueca seja ato inerente às regras da circense disputa pelo poder no Brasil: uma democracia eleitoral construída e mantida apenas para ludibriar a platéia sedenta por palhaços por quem torcer ou a quem odiar, sem quaisquer outras conseqüências práticas.
Nesses últimos anos, justamente os dizeres inflamados dos moralistas de esquerda (como os do PSOL, os típicos produtos do choque entre a ilusão e o cinismo dos "esquerdistas" nacionais) é que andam me causando mais nojo - em nível até mais elevado do que minha já tradicional vontade de vomitar ao ver os políticos de sempre na televisão.
Não sei se isto é mero acaso, mas o Brasil também está se evangelizando de forma radical nas últimas décadas, de modo que a distinção entre o que é "de deus" e o que é "do diabo" tem se tornado mais franca na cabeça de número crescente de brasileiros. Principalmente agora que esta cruzada evangélica ganhou a grande mídia (Record x Globo), e, consequentemente, grandes empresas e políticos com pretensão ao governo federal.
Nos últimos anos, por necessidade de sobrevivência profissional, tive que freqüentar reuniões de ONGs, de partidos de esquerda, de sindicatos e até de governos de esquerda. Em tal convívio sempre me senti rapidamente pressionado a me posicionar entre ser "do bem" ou "do mal", ou, em outras palavras, entre ser "de deus" ou "do diabo".

E olhe, não estou apenas fazendo metáfora, tem muito ex-marxista se cristianizando em novas explosões de fé Brasil afora. Alguns colegas que tive em minha adolescência "militante" hoje chegam até a me meter medo quando os encontro após essa sua "transformação existencial", da qual resultou a estranha simbiose entre socialismos, cristianismos radicais, partidos políticos e corporativismo empresarial (este último muitas vezes disfarçados de ONGs e de "projetos de inclusão social" de algum grupo minoritário).
Nessas reuniões de esquerda, como médico que infelizmente sou, logo ficava claro para mim (pois eu logo ficava meio "diabólico" nesses lugares, independente do que eu falasse - exceto se eu começasse a atacar constantemente todos os médicos e a medicina em geral, culpando-os sem parar por qualquer coisa) que os médicos estão pairando nesse imaginário esquerdista tupiniquim, nesse tragicômico início de século XXI brasileiro, como os novos vilões (ou diabos) responsáveis pelo caos da saúde pública e privada no Brasil.
Nessas reuniões de esquerda, hora o culpado pelo caos na saúde era o "discurso médico", o "saber médico", o "poder médico", a "ideologia médica", o "lobby médico", a "propaganda a médica", etc.; hora era a "onipotência médica", a "arrogância médica", a "falta de escrúpulo do médico", o "centralismo de poder do médico", o "mercantilismo do médico", etc. Sei, e infelizmente por experiência própria (já que nas alienadas faculdades médicas brasileiras somente se discuti e ensina o inútil), que ser médico no Brasil é um lixo.

O típico médico brasileiro atual vive entrincheirado, tendo que administrar a convivência com alguns poucos e endinheirados empresários e catedráticos da medicina, que não saem da mídia e das associações de classe da área, onde fingem defender a população e o humanismo médico, bem como com políticos profissionais que ganham a vida "urubuzando" a carniça humana resultante da desgraça nacional; e ao mesmo tempo tendo que trabalhar de "boca fechada" para estes empresários e políticos carniceiros, demagogos e cínicos que infestam e tomam conta da saúde no país. O dia-a-dia do típico e fodido médico brasileiro é sempre às voltas com hospitais sucateados e corrompidos, atendendo sem condições uma multidão de gente desesperada e desnorteada, e tendo que dar a cara a tapa quando algum popular resolve protestar, já que em geral é o plantonista explorado que leva o dedo na cara, seja por parte da população, da imprensa ou das próprias associações de classe, quando os burocratas da área resolvem fazer média e "punir exemplarmente" alguém.
A maioria dos médicos brasileiros nada mais é que um bando de gente fodida, que trabalha feito cão para manter seus ridículos sonhos de consumo de classe média americanizada, e para manter a pose e agradar a massa sedenta por mentiras onipotentes, que faz questão de fingir ver no médico o que nunca viu em ser humano algum: um deus; e coitado dos que começam a acreditar nisso, pois, ao ?falharem?, instantaneamente tornam-se o diabo e algoz do momento, para felicidade de outros tantos e fodidos advogados carniceiros. Essa maioria de médicos, contudo, ainda paga e continuará pagando por tentar manter a pose e a farsa da medicina e das instituições de saúde, nas quais trabalham sendo explorados e se drogando pra agüentar o tranco e continuar de pé, e ainda fingindo ser "senhor" da situação.

Numa das reuniões de governo "de esquerda" em que fui obrigado a participar, me lembro de ter ocorrido o encontro entre alguns desses fodidos médicos que não perdem a pose e os moralistas da esquerda, os "humanizadores" da saúde. Estávamos lá eu e outros médicos sendo feitos vilões da saúde pública brasileira - antes mesmo de abrirmos a boca -, até que alguns de meus colegas começaram a discursar (tudo nessas reuniões é discurso, pra ver quem convence mais a platéia presente) e dizer que não havia essa homogeneidade na medicina, "que nem todo alemão ariano é nazista", ou coisas do tipo. Contudo, esses meus colegas logo viram que de nada adiantava qualquer argumentação. Praticamente todas as pessoas neste tipo de reunião apenas ouvem e percebem o que estão predispostos a ouvir e perceber. Rapidamente meus colegas se uniram ao meu silêncio, compreendendo que estavam - embora inicialmente achassem que se tratava de uma reunião da área da saúde - em algo bem parecido com um encontro de fanáticos em busca de messias e demônios. O médico era demônio e fim de papo. E aquele que parecesse não se enquadrar bem neste seu papel de vilão, logo diziam que era por estar disfarçado, um infiltrado no rebanho dos humanistas de esquerda. Eu mesmo, tantas outras vezes, sempre que falara algo que nitidamente agradava a maioria, ouvia no discurso seguinte, de algum líder da manada, algo do tipo "Tomem cuidado com os discursos, são muito sedutores, mas escondem as tramas maquiavélicas!"
Ao contrário, qualquer palavreado vazio ou sem nexo, mas que viesse de alguém já reconhecido como "tipicamente do bem", da esquerda militante e humanista brasileira, como alguém das ciências sociais ou de práticas "alternativas" ou "humanizadoras" em saúde (ambos já tendo até seus estilos próprios para fazer diferença com a "ortodoxia médica" - com roupas e linguajar "alternativos" ou "descolados") ou alguém que se identificava apenas como "usuário da rede", os aplausos avolumavam, com gritos de torcida e assobios.

Principalmente se falassem contra médicos e a favor de uma "medicina holística", "humanizada", com "inclusão social", com respeito à "cidadania" e "autonomia", aos "direitos das pessoas vulneráveis" e sem ser um prática "centrada no médico". Bastava falar estes chavões, desde que com emoção, e sair para o abraço!... Literalmente.
Vejo com freqüência que outras fantasias curativas para o caos brasileiro, semelhantes a essa "humanização da saúde", têm ganhado força popular, como "cotas para negros", estatutos de idosos, de crianças, de adolescentes, modelos de inclusão digital, e coisas do tipo - todos bastante funcionais somente como modos de ONGs tirarem dinheiro de governos de ?esquerda?.
Em todas estas tentativas desvairadas dos esquerdistas ao tentar lidar com o colapso social brasileiro tem se construído um "bem" e um "mal" fictícios. Não sei até onde vão chegar estes embustes, nem se eles estão piorando ou melhorando essa merda de país. Posso, contudo, apenas lamentar de viver neste Brasil que se prepara para uma guerra tribal de todos contra todos: enfermeiros contra médicos, psicólogos contra psiquiatras, empresários contra arrivistas, médicos contra médicos, discursos contra discursos, vizinho contra vizinho, negro contra branco, branco contra negro, paulista contra nordestino, humanistas esquerdistas contra seus vilões de momento... E com todos os ?formadores de opinião? tentando manipular a massa com falsos deuses, a fim de que a população lute contra inimigos imaginários e eleja novos messias.

Espero, sinceramente, que meus "bondosos" personagens humanistas, os quais sou obrigado a fingir no dia-a-dia com essa multidão de alienados que se auto-destrói, ainda perdurem por tempo suficiente para eu não ser rotulado como "do mal" por esses novos moralistas inquisidores. Ainda não está bem claro qual vai ser o seu modo de exorcizar, se vão transformar suas ONGs, partidos e sindicatos em igrejas declaradas, unindo-se aos evangélicos, carismáticos e congêneres, em sua louca corrida contra diabos de todos os tipos, ou se vão querer queimar pessoas como eu em praça pública, junto aos novos diabos que forem enxergando em nossa derrocada como país. Por enquanto sigo como um "diabo" livre, quer dizer, vivo.
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Por Tomazio Aguirre

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O Brasil Precisa de Babá!

A candidatura de Babá à presidência da República cresce a olhos vistos. Fomos informados que na próxima pesquisa do IBOPE, ele aparecerá à frente de Marina e Ciro e bem próximo de encostar em Dilma (com todo o respeito, é claro!). Afinal, como está escrito no manifesto de várias correntes internas do PSOL em apoio a esta candidatura popular e de luta, este combativo partido deve “consolidar nacionalmente sua referência de massas, nas ruas e nas urnas, com um candidato a Presidência da República em 2010 com influência popular, e conhecido em todo o Brasil”, acrescentando que em “em todas as regiões brasileiras, o companheiro BABÁ é reconhecido enquanto aquele fundador do partido da Heloísa Helena, aquele que não trocou de posição, não se vendeu nem titubeou e continua fiel aos interesses dos trabalhadores e desempregados”. Empolgado com o crescimento eleitoral desta liderança carismática, amplamente conhecida em todo o Brasil, e cuja popularidade supera a do traidor Lula, o “Abobrinhas” dá mais uma colaboração a esta campanha que incendiará o país, do Oiapoque ao Chuí, em 2010. Depois de termos criado – gratuitamente e graciosamente – o slogan que ajudará a eleger o companheiro Babá, estamos colocando no ar – em primeira mão – o cartaz que estará em todas as paredes do Brasil no próximo ano e que mobilizará os corações e mentes pátrias. Avante, companheiros! O Brasil precisa de Babá!

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As grandes corporações transnacionais e a burguesia brasileira, bem como os seus aliados encastelados no governo neoliberal e pelego do traidor Lula - o Kerensky de nove dedos - têm procurado difamar a candidatura do companheiro Babá, para tentar evitar o seu crescimento junto às massas trabalhadoras. Um dos últimos boatos espalhados por esses inimigos do povo é o de que o comando da campanha à presidência do PSOL está sendo chamado, nos círculos internos do partido, de “Ali Babá e os Quarenta Trotskistas”. Isto é uma inverdade e uma calúnia! Afinal, todos sabem que é impossível juntar quarenta trotskistas no mesmo comitê de campanha: com este número, se formam, no mínimo, 12 0rganizações, 25 frações, 18 rachas e umas 5 Internacionais!
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