Sobre o Megaprotesto contra Obama em Washington
Dezenas de milhares de pessoas invadiram Washington para protestar contra ele, Obama. Motivo? O excesso de intromissão do estado em suas vidas e a tendência socialista do presidente. O protesto foi suprapartidário. Foi contra Obama. O sonho acabou.


Atualizado, 20:00
Índices
- O incra poderia fornecer alguns dados como, por exemplo, qual a produtividade por área (nem precisa ser por família) nos assentamentos com mais de cinco anos. Vamos tomar apenas os mais antigos, para que os assentados tenham tido tempo de aclimatar-se ao trabalho duro de um agricultor.
- Vamos tomar, como comparativo, apenas a produção existente naquela área específica, antes dos assentamentos. Afinal, seria "injusto" querer que eles tivessem uma produtividade acima da média gaúcha.
- Mas vamos considerar apenas os assentados originais nestas glebas, não os que venderam ou repassaram. Será que o incra tem este dado?
- Vamos considerar apenas a produção realizada pelos assentados, não valendo arrendamentos e gado "por cabeça", o que é bem comum por aqui.
O PoPa poderia pedir que se colocasse, nesta conta, os gastos públicos para tal "produção", como as cestas básicas, as sementes, os adubos e tanta coisa que foi investida por ali. Mas podemos ignorar este passo, mesmo que ele seja importante para a definição do "PIB por hectare", tão perseguido pelo governo, no caso dos médios e grandes produtores rurais.
Mas o que mais magoa o velho agrônomo PoPa, é saber que a verdadeira agricultura familiar está abandonada por este governo. Sim, existem linhas de crédito muito interessantes para eles, mas sobre eles está sempre o temor de não produzir, de ter problemas de comercialização, de ter problemas de crédito. Para eles, a vida é dura, sofrida, trabalhada. Seus filhos não têm acesso a crédito fundiário para comprar terras e produzir. Mas eles vêem assentados - normalmente, desempregados urbanos - ganharem tudo de mão beijada, ao seu lado. Isto é justiça social?
Pensem nisso! A área da agricultura brasileira está definhando pela ameaça da desapropriação, pela ameaça da reserva legal, pelos quilombolas e áreas indígenas, pela ameaça de um governo que não está nem aí para a produção empresarial, embora seja ela que mantenha este país funcionando.
Licença para invadir mais

JOÃO PEDRO STEDILE
Como outros chefões do MST, ele jamais pega numa enxada ou enfrenta o sol num trator
Não param de surgir evidências de que o Ministério do Desenvolvimento Agrário é uma extensão natural das vontades dos grupos de sem-terra. Há, por exemplo, o repasse de verbas públicas para entidades ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o aparelhamento dos escritórios regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) com funcionários oriundos do movimento. A mais recente demonstração de submissão aos interesses dos sem-terra foi o esforço, nas últimas semanas, do ministro Guilherme Cassel em ver aprovada a alteração dos índices mínimos de produtividade rural – o principal critério usado para desapropriar terras para a reforma agrária. Se aprovada, a proposta terá como efeito o aumento das invasões de terra, porque propriedades hoje consideradas produtivas passariam para a lista negra do Incra. É exatamente do que o MST precisa: uma desculpa para invadir novas propriedades. Sob pressão do movimento, o presidente Lula prometeu, no mês passado, mudar os índices de produtividade. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, é contra a medida. Nos bastidores do governo, está quente o embate entre Agricultura e Desenvolvimento Agrário.
Não há sentido prático em tornar os critérios de produtividade mais rígidos. O setor agrícola brasileiro é um dos mais eficientes do mundo. Terras boas e ao mesmo tempo improdutivas são uma raridade. Quando existem, são resultado de circunstâncias eventuais – uma seca que causou queda de rendimento – ou de uma opção econômica do produtor: se o preço de determinado alimento não paga o investimento de produzi-lo, ele tem o direito, como qualquer empreendedor, de reduzir a produção por um período. Na outra ponta, a falta de acesso à terra já não é uma questão social relevante no país. Prova disso é que muitos militantes do MST são moradores das cidades. A maioria, e aí estão incluídos líderes como João Pedro Stedile, não sabe sequer manusear uma enxada. Além disso, se forem consideradas apenas as áreas cujo processo de desapropriação já foi iniciado pelo Incra, há terra suficiente para assentar todas as 30 000 famílias hoje amontoadas em acampamentos do MST e similares. "Não está havendo racionalidade técnica nesse debate", diz o ministro Stephanes. Para que, então, criar novos índices? A única resposta plausível é: para o MST continuar produzindo invasões e disseminando sua ideologia amalucada.



