Cartazes da Guerra Civil Espanhola.


Em 1936, as esquerdas espanholas uniram-se na Frente Popular e venceram as eleições gerais naquele país, tendo como suas principais bandeiras a realização da reforma agrária e a modernização da velha Espanha. Esta vitória fez com que os setores mais conservadores da sociedade espanhola – que incluíam os “tierratenientes” (latifundiários), o clero católico, a incipiente burguesia e militares direitistas – começassem a conspirar contra o governo republicano de esquerda, culminando com o levante das tropas sediadas no Marrocos, comandadas pelo general Francisco Franco, em julho de 1936. Entrando na Espanha, via Gibraltar, as tropas franquistas deram início a uma guerra civil que se transformou em um dos mais importantes acontecimentos do século XX e que acabou sendo uma prévia dos horrores da Segunda Guerra Mundial. A neutralidade/omissão das potências liberais (França, Inglaterra e EUA) no conflito e o apoio decisivo da Itália e da Alemanha – que usou a Guerra Civil Espanhola como “laboratório” para testes de armamentos e táticas de guerra – aos franquistas, levaram à derrota do governo republicano, em 1939, e à implantação de uma longa ditadura de características fascistas, que se prolongaria até a morte de Franco, em 1975. Naquele momento, os únicos auxílios obtidos pela esquerda espanhola foram o discreto apoio da URSS – mais envolvida com suas questões internas – e a ajuda dos voluntários das Brigadas Internacionais, que reuniram militantes antifascistas do mundo inteiro (incluindo brasileiros como Apolônio de Carvalho e José Gay da Cunha) para o combate contra os fascistas na Espanha. Este conflito, que deixou mais de 500.000 mortos, também serviu de inspiração para que surgissem grandes obras artísticas e literárias, em apoio aos republicanos espanhóis ou denunciando os horrores da guerra, das quais a mais famosa é, sem dúvida, o gigantesco painel “Guernica”, pintado por Pablo Picasso, em 1937, que retrata a dor e o sofrimento gerados pelos bombardeios alemãs sobre aquela pequena cidade basca. Já no campo da Literatura, romancistas e poetas de todo o mundo produziram inúmeras belas e tocantes obras sobre o conflito. Em prosa, um dos textos mais conhecidos sobre a Guerra Civil Espanhola é o romance “Por quem os sinos dobram”, do norte-americano Ernest Hemingway, que lutou como combatente das Brigadas Internacionais; dentre os livros de memórias destaca-se “Lutando na Espanha”, do escritor inglês George Orwell, outro ex-brigadista. Porém, foi através da poesia que a luta pela liberdade em terras espanholas acabou sendo mais bem retratada. No Brasil, os poemas No vosso e em meu coração, de Manuel Bandeira e Notícias de Espanha , de Carlos Drummond de Andrade, são bons exemplos do engajamento de intelectuais de todo o mundo na luta antifascista, que mobilizava as forças libertárias e progressistas de diversos países nas décadas de 30 e 40 do século passado. Recentemente, a Guerra Civil Espanhola também rendeu uma pequena e tocante obra-prima do cinema: o pungente “Terra e Liberdade” (1995), do diretor britânico Ken Loach. Porém, no calor da própria luta, também se produzia arte. E esta arte tomava as ruas nos cartazes produzidos pelo governo republicano ou por sindicatos e organizações anti-fascistas que também estavam na luta contra as tropas franquistas. Influenciados pelas vanguardas artísticas da época, em especial pelo construtivismo soviético, alguns nomes extremamente importantes do cenário artístico espanhol e europeu como Bardasano, Monleón e Huertas participaram ativamente desta produção cartazista. Até o dia 02 de agosto, 95 destes cartazes estarão em exposição no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, em dobradinha com a mostra de fotografias de Pierre Verger, “Andalucía, 1935”. Muitos deles, setenta anos após o fim da Guerra Civil, ainda aparecem como extremamente contemporâneos, com alguns chegando a lembrar as grafitagens mais engajadas presentes em qualquer grande cidade, neste início do século XXI. No entanto, outros nos dão uma sensação – ao mesmo tempo estranha e dolorida - de pertencerem a um outro mundo que já não existe mais (e que, de certa forma, também não nos diz mais respeito) e de retratarem as ruínas das utopias que foram sendo enterradas pela sucessão de tragédias que marcaram o século XX. Ao olhar, melancolicamente, as fotografias sorridentes de alguns combatentes que aparecem em alguns dos cartazes, sem poder – é claro – prever a derrota de seus sonhos pouco tempo depois, não pude deixar de me lembrar dos versos de “Apologia y peticíon”, do poeta Jaime Gil de Biedma, lindamente adaptados e musicados pelo guitarrista Paco Ibañez (com o nome de “Triste Historia”), no primeiro disco que gravou após o seu retorno à Espanha, depois de alguns anos de exílio (“A Flor de Tiempo”, 1978):

¿Y qué decir de nuestra madre España,
este país de todos los demonios
en donde el mal gobierno, la pobreza
no son, sin más, pobreza y mal gobierno,
sino un estado místico del hombre,
la absolución final de nuestra historia?

De todas las historias de la Historia
la más triste sin duda es la de España
porque termina mal. Como si el hombre,
harto ya de luchar con sus demonios,
decidiese encargarles el gobierno
y la administración de su pobreza.

Nuestra famosa inmemorial pobreza
cuyo origen se pierde en las historias
que dicen que no es culpa del gobierno,
sino terrible maldición de España,
triste precio pagado a los demonios
con hambre y con trabajo de sus hombres.

A menudo he pensado en esos hombres,
a menudo he pensado en la pobreza
de este país de todos los demonios.
Y a menudo he pensado en otra historia
distinta y menos simple, en otra España
en donde sí que importa un mal gobierno.

Quiero creer que nuestro mal gobierno
es un vulgar negocio de los hombres
y no una metafísica, que España
puede y debe salir de la pobreza,
que es tiempo aún para cambiar su historia
antes que se la lleven los demonios.

Quiero creer que no hay tales demonios.
Son hombres los que pagan al gobierno,
los empresarios de la falsa historia.
Son ellos quienes han vendido al hombre,
los que le han vertido a la pobreza
y secuestrado la salud de España.

Pido que España expulse a esos demonios.
Que la pobreza suba hasta el gobierno.
Que sea el hombre el dueño de su historia.
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O samba do vazamento doido

Como esperado, o desespero tomou conta da mídia demo-tucana após a criação de um simples blog pela Petrobras. O motivo é óbvio: a estatal desnuda a prática sistemática da imprensa em distorcer em comprometidas edições o que foi apurado por seus jornalistas. Bastou para a reação violenta. Em impensado texto, o Globo tenta investir contra o blog, com o parvo argumento de que há uma caracterização de vazamento de informação. É a tese primeira, surgiu no susto, fruto de questionamento do Estadão, mas que o Globo não entendeu. Argumentou o vetusto diário paulista que a Petrobras desrespeitou o “disclaimer” ao fim dos emails da Folha (pois é, em tese seu concorrente), que impede a reprodução de seu conteúdo. Esqueceram que tal texto, padrão hoje no mundo corporativo, caracteriza apenas que os emails são de propriedade da empresa. Visa enquadrar juridicamente seus funcionários por possíveis outros usos. Erra o Estadão em imaginar que ao enviar perguntas por email elas não podem ser reveladas. Que mundo é esse? Por telefone o mesmo conteúdo seria livre? Aula de direito para estes jornalistas, por favor.

Já o Globo, viajou bonito. Não entendeu o parceiro. Diz em texto que “os emails enviados pela estatal contêm uma mensagem de rodapé, em três idiomas, que ameaça processar os destinatários que não derem tratamento adequado às informações”. Como assim? Que mensagens da Petrobras estão sendo reveladas? As respostas, por email? Citam que no disclaimer da Petrobras está dito que as mensagens são proibidas de reprodução por normas internas da empresa...

Para, para, para... Assim vai ficar muito fácil. Vamos combinar o seguinte: Globo, Folha e Estadão, marquem uma reunião, tracem uma estratégia, uma defesa que faça sentido, continuem no jogo. Daremos tempo. Queremos a briga, ela é boa. Ganhar assim fica muito fácil. Por aí não vai dar. Consultem seus departamentos jurídicos. Não queremos, já, usar a frase:

Perderam, playboys!
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No meu Google Reader, antes de correção do Globo Online.


Sentar em um acento periga ser agudo descuido. Assentemos todos: a mídia corporativa desce a ladeira em acentuado declive. E, assertivamente, ainda falam mal dos blogs...
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Abriram as portas das fábricas de salsichas

Obrigado ao meu leitor anônimo que deu a dica. A criação do blog da Petrobras é uma das melhores ações de comunicação recentes. No momento que a mídia parte orquestrada para cima da Petrobras, em mais uma tática demo-tucana, a resposta imediata da empresa a cada erro ou desvio de informação publicado é contraponto dos mais necessários e até aqui inexistente. É o que de melhor estamos conquistando com a blogosfera, o cidadão comum tendo acesso à informação sem intermediários. Tarefa que a grande mídia imaginava ser apenas sua. Não é. Ela é parcial e tem interesses específicos na apuração dos fatos, distantes do objetivo de dar aos seus leitores a chance de ouvir o outro lado.

A novidade já causa frisson nas redações, podemos perceber pelas perguntas que os jornais o Globo e o Estado de S.Paulo fizeram sobre a criação do blog. Este último, em nome do cartel, chega a tomar as dores da Folha de S.Paulo, com o patético argumento que o disclaimer no email enviado com as perguntas do “concorrente” proíbe reprodução. Não, não há reprodução de emails. O que o blog faz, para a grande dor de cabeça da mídia, é divulgar perguntas, respostas da empresa e matérias publicadas. O horror para os que até aqui podiam distorcer na edição cada apuração. Terão agora o contraponto da Petrobras e o acompanhamento das notícias por muitos.

Bola dentro. Já sou leitor diário.
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Pérolas do futebol





Meu amigo José Antônio Pinho – professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e editor da excelente revista Organizações & Sociedade (http://www.revistaoes.ufba.br/) – é, como eu e milhões de outras pessoas, um amante do futebol. Sua revista publicará nas próximas semanas um número especial dedicado precisamente a esse esporte, visto como prática, negócio e desafio gerencial.

Acabei de receber um e-mail do Pinho com uma excelente coletânea de frases célebres do mundo do futebol. Agreguei algumas outras à sua lista e reproduzo tudo abaixo.

Como se sabe, muitas das frases consideradas “pérolas do futebol” são inventadas. Alguns dos personagens do universo futebolístico tornaram-se tão famosos e foram tão centralizadores das atenções que impulsionaram a construção de todo um imaginário a partir deles. Foi o caso, por exemplo, de Vicente Matheus (1908-1997), o “eterno” presidente do Corinthians, que mesmo depois de morto continuou a ser referência na área. Suas frases sem pé nem cabeça fizeram-no famoso, completando todo o folclore que se criou a partir de sua conduta irreverente, alegre, fora dos padrões do que se considerava “mundo educado”. Matheus morreu de câncer em 1997. Dez anos depois, quando o Corinthians caiu para a série B, sua viúva Marlene o homenageou: “Ainda bem que o Vicente não viu. Seria mais uma morte para ele”.

São atribuídas a ele algumas pérolas que jamais puderam ser comprovadas: “O Sócrates é invendável e imprestável”, “Depois da tempestade vem a ambulância”, “Agradeço à Antárctica pelas brahmas que nos mandou”, “Vou dar uma anestesia geral para os que estão com a mensalidade atrasada”, "Minha gestação foi a melhor que o Corinthians já teve."

Outro grande personagem foi Dario, o Dadá Maravilha, cuja irreverência concorria com a ingenuidade e a genialidade dentro e fora do campo. Consta que ele mesmo fixou seu slogan: “Com Dadá em campo, não tem placar em branco”. E que costumava se definir sem falsa modéstia: “Artilheiro são outros, eu não sou artilheiro, sou uma máquina de fazer gols”. Para ele, o gol seria “o orgasmo do futebol”. Também é atribuída a ele a conhecida “Tragam-me a problemática, que eu chego com a solucionática.

Garrincha teria de ser igualmente lembrado, e com ele se iniciaria a composição de um verdadeiro elenco de ouro.

Independente de serem falsas ou verdadeiras, as frases são fantásticas. E revelam toda a dimensão cultural (portanto, política e social) do “esporte das multidões”, que tem mesmo, ao menos no Brasil, a cara do povo.

Ao reproduzir algumas delas abaixo, faço o convite para que outros amigos do futebol continuem a completar a lista.

De Vicente Matheus

"Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático".

"O difícil, como vocês sabem, não é fácil".

"Se entra na chuva é pra se queimar”.

"Tive uma infantilidade muito difícil."

"Haja o que hajar, o Corinthians vai ser campeão”.

"Peço aos corinthianos que compareçam às urnas para naufragar nossa chapa".

De Dario, o Dadá Maravilha

“Só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero e Dadá”.

"Eu me preocupo tanto em fazer gols, que não tive tempo de aprender a jogar futebol".

“Não existe gol feio, feio é não marcar gols”.

“A área é o habitat natural do goleador, nela ele está protegido pela constituição, se for derrubado é pênalti”.

“Num time de futebol existem nove posições e duas profissões: o goleiro e o centroavante”.

“Bola, flor e mulher, só com carinho”.

De outros

"Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe". (Jardel, ex-atacante de Vasco e Grêmio).

"Clássico é clássico e vice-versa". (Jardel).

"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola". (Bradock, amigo de Romário).

"No México que é bom. Lá, a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias". (Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos).

"O clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente". (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal).

"Eu disconcordo do que você disse". (Vladimir, ex-lateral do Corinthians, numa entrevista à Rádio Record).

"Na Bahia é todo mundo simpático. É um povo muito hospitalar". (Zanata, ex-lateral do Fluminense).

“Estou de regime, e o doutor me proibiu de comer bicarbonato”. (Fabio Baiano, ex-zagueiro de Flamengo, Palmeiras e São Paulo).

“Para fugir do becão, fiz que fui, não fui, e acabei fondo..”. (Nunes, antigo centro-avante do Flamengo).

A partir de agora, meu coração só tem uma cor: rubro-negra”. (Do zagueiro central Fabão, ao ser contratado pelo Flamengo).

"Não tem outra, temos que jogar com essa mesma". (Reinaldo, centro-avante do Atlético-MG, ao responder ao repórter que queria saber se ele ia jogar com aquela chuva).

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