Para compreender o mundo



Muitos jovens universitários e pré-universitários – assim como muitos não tão jovens profissionais já inseridos no mercado de trabalho – talvez se surpreendam com o presente texto. Ele se dedica a fazer o elogio das Ciências Humanas, esse amplo e controvertido conjunto de conhecimentos com os quais as sociedades têm procurado se conhecer ao longo do tempo.

A surpresa poderá existir, antes de tudo, porque o conceito mesmo de Ciências Humanas é relativamente impreciso, dado não existir consenso estabelecido a respeito de quais ciências devam ser incluídas no conjunto. Tome-se a economia, por exemplo. Numa visão abertamente econometrista, ela poderia ser vista como sintonizada com as matemáticas. Se o foco for o universo financeiro, ela se associaria unilateralmente aos negócios. Mas a grande economia – a Economia Política – é bem diferente disso. Tem lugar cativo entre as Humanas, e somente se realiza como ciência se interagir com os conhecimentos que se interrogam a respeito do homem em sociedade.

Dar-se-ia o mesmo com a Administração, a Psicologia e as Letras, que muitas vezes terminam por ser postas à meia-distância daquele conjunto a que pertencem no mínimo por exclusão.

O segundo motivo tem que ver com o primeiro. É que vivemos de modo tão pragmático, veloz e utilitarista, numa estrutura em que a luta pela vida é incerta e competitiva ao extremo, que as pessoas passaram a desconfiar das Ciências Humanas. Tendem a achar que elas – a Filosofia, a Ciência Política, a Sociologia, a Antropologia e a História, que formam o esteio de sustentação do bloco – estão incapacitadas para garantir um nicho consistente em termos de emprego ou pavimentar o caminho para aquilo que se considera “sucesso profissional”. Teriam pouca utilidade, já que seriam ciências mais “negativas” e reflexivas que “positivas” e aplicadas. O Mercado – esse semideus da modernidade globalizada – tomou o lugar do Homem, da Sociedade e do Estado, a ponto de fazer com que as pessoas percam a vontade de se conhecer a si próprias.

Sabe-se que a modernidade não é somente empenho cego para maximizar a racionalidade e a produtividade. É também disseminação de espírito crítico, incremento comunicativo e esforço para que se viva de maneira mais justa e sábia. Hoje, porém, o lado mais instrumental e perverso do moderno prevalece. Vivemos sobrecarregados por ele e acabamos por deixá-lo modelar muitos de nossos cálculos, expectativas e projetos.

Tal prevalência está na base da má-vontade que se tem com as Humanas. Pensa-se que elas atrapalhariam, pois convidariam as pessoas a um exercício intelectual supérfluo, meio romântico e “subversivo”. Acredita-se, além do mais, que todos seriam naturalmente capazes de entender a sociedade e a época em que vivem, mas nem todos conseguiriam atingir as esferas mais elevadas do pensamento técnico-científico. Acha-se que para dominar os fundamentos das Exatas ou das Biológicas é necessário muito estudo e inteligência, ao passo que a assimilação das Humanas seria tarefa fácil, quase uma extensão da alfabetização.

A partir daí, se cria uma muralha separando as Humanas das demais ciências. Os estratégicos conhecimentos produzidos pelas primeiras ficam assim fechados em si, em vez de serem incorporados pelas outras, que se especializam cada vez mais. As próprias universidades ignoram a relevância e as vantagens da integração disciplinar. São poucas, se é que existem, as faculdades de Exatas ou Biológicas que incluem matérias de Humanas em seus currículos. A recíproca, claro, é igualmente verdadeira.

Mas a questão vai além do universo acadêmico. Tanto que se tornou usual, entre pais e alunos, distinguir as escolas do ensino médio em “fortes” – que reforçam os conteúdos, dão destaque às Exatas e se dedicam a fazer com que os alunos cheguem à universidade – e “fracas”, quase sempre identificadas com orientações de tipo humanista e voltadas para a formação de um aluno mais crítico e criativo. Dada a competição entre elas, aos poucos todas vão se convencendo de que precisam ser “fortes”. Vão assim se deixando seduzir pela preocupação de funcionarem como preparatórios para o vestibular, em vez de se dedicarem à formação integral dos estudantes.

Acontece que o mundo é complicado demais para ser vivido e especialmente para ser compreendido. Ele não se revela de imediato, desafia-nos e nos confunde, chega mesmo a atemorizar. Precisa ser pensado, analisado em seus ritmos e determinações para poder ser concebido como um todo e não apenas como um amontoado de fragmentos desconexos.

Isso não é possível sem as Humanas. Sempre foi assim, aliás. Não é por outro motivo que a idéia moderna de universidade tem no seu coração uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, entendida como espaço onde os saberes e as especialidades encontram condições para superar suas estreitezas. Sem esse coração, a universidade não se completa.

Precisamente porque vivemos em ambientes complexos, dinâmicos e fragmentados, as Ciências Humanas tornaram-se estratégicas. A razão crítica por elas cultivada deveria ser amplamente disseminada, de modo a ajudar a que cidadãos e profissionais sejam mais do que meros receptores ou aplicadores de conhecimentos e adquiram recursos intelectuais abrangentes.

Fazer a defesa das Humanas não é somente defender os cursos e faculdades de Humanas, que certamente necessitam de maior valorização. É também defender a perspectiva de que bons profissionais – sejam eles quais forem – se caracterizam pela posse de uma visão coerente do mundo e por saberem articular saberes. São intelectuais, pessoas capazes de compreender o mundo em que vivem, traduzi-lo em termos compreensíveis para todos e organizá-lo tendo em vista uma idéia de comunidade política democrática. [Publicado em O Estado de S. Paulo, 23/05/2009, p. A2].

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Palco meu



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Se Dilma sai, Patrus é o plano B?

Não há como negar que a doença da Dilma colocou incertezas nas eleições de 2010. Governo e oposição estão cada vez mais cautelosos. Lula, PT e seus aliados não arriscarão um plano B enquanto não tiverem certeza da evolução do quadro de saúde da ministra candidata. E como ela cresce a cada nova pesquisa (Vox Populi já aponta Dilma acima de 20% das preferências), o plano B só virá se for inevitável. O que agora não parece haver uma resposta objetiva.

Mas se Dilma não puder se candidata qual o plano B? Outro nome do governo ou o terceiro mandato. A discussão sobre terceiro mandato ganha cada dia mais adeptos, mesmo o presidente dando todas as mostras de que não pretende arriscar sua imagem política alterando as regras do jogo. Mesmo assim, como muita gente quer deixar as coisas como estão, o movimento em torno de novo mandato para Lula se alastra.

O Blog do Desemprego Zero publicou em seu sitio um texto enviado pelo ex-blog do César Maia. O ministro Patrus Ananias (PT-MG), mineiro e político de bom trânsito na base aliada (PMDB, PC do B, PDT e PR), é apontado como opção para o plano B caso a ministra Dilma não saia. Considerado bom gestor de políticas sociais, Patrus comanda o carro-chefe dos programas sociais do governo Lula, o Bolsa Família.

Não por acaso, na propaganda que o PT começou a veicular na televisão, Ananias aparece ao lado de Dilma e Mantega. Por outro lado, a escolha de Patrus poderia resolver o impasse no PT mineiro, além de ser contraponto no segundo colégio eleitoral do país. Veja o que César Maia colocou no seu Ex-Blog:

"O ex-blog já fez alguns comentários sobre a percepção do eleitor em relação a candidatos no Brasil. Realmente, se o perfil/imagem de um candidato de um partido é muito diferente de outro candidato do mesmo partido, não há razão nenhuma no eleitor brasileiro para que mantenha seu voto dentro desse partido. Lula é um personagem visto como de extração popular que subiu na vida. E, mesmo que já esteja de fato na classe média há mais de 25 anos, ou mais da metade de sua vida adulta, entendeu a importância de manter sua imagem de origem. E faz isto com raro talento de ator".

"Dilma é de outra 'família', assim como Dirceu, Palocci, Mercadante, Jacques Wagner, Tarso Genro, profissionais de classe média que se vestem, falam e pensam como classe média. É assim que o eleitor os vê. Por isso, será muito difícil Lula transferir votos para quaisquer deles, além do que, a máquina conduzirá. Seria algo como o ex-presidente Fernando Henrique pedir votos para a ex-senadora Benedita".

"Há apenas um nome para substituir Dilma (em minha visão, mal escolhida por Lula). Esse nome é o ministro Patrus Ananias. Ele pode não ser da família-imagem de primeiro grau de Lula, mas certamente é um primo de segundo grau. Pense num mineirinho de piada, com seu cigarrinho no canto da boca, ironicamente humilde e que tira sarro dos outros que se acham espertos. Se a origem de Lula é campesina, migrante, o mineirinho Patrus também é, só que do interior de Minas. Alguém como Mazzaroppi, para ajudar a visualizar".

"E ainda com a vantagem de ser o gestor do bolsa família. Mazzaroppi, desculpe, Patrus, como primo mineiro do retirante nordestino, absorverá votos transferidos de Lula, fora da máquina. Sei que os marqueteiros de estúdio dirão que ele não estará na linha dos senadores norte-americanos que eles se amarram. Tanto Kennedy quanto possível. Tanto Clinton quanto possível. Se quiser pode publicar no ex-blog, mas sem meu nome. Escrevi essa nota depois de ler seu comentário sobre a eleição presidencial".  

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LA CASA DI LUCE ROSSA



Não saber votar dá nisso. O RS elegeu uma desequilibrada que conseguiu fazer no Palácio Piratini uma Casa da Luz Vermelha!

E há uma corja de parlamentares que não quer investigação. Estão todos, certamente, com o rabo preso. Isto inclui o PMDB do “ético” e “indignado” Senador Simon, que até agora nada disse.

O chapéu da ética parece não servir mais na cabeça do “TURCO”!

Já é tempo de se varrer esta tropa de cafajestes da política. Isso passa pela responsabilidade de cada um de nós.
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Cuba

Sem sombra de dúvidas, a Revolução Cubana foi um dos mais importantes - e fascinantes - acontecimentos do século XX e, juntamente com a Revolução Mexicana, marcou profundamente o imaginário das esquerdas e dos movimentos sociais latino-americanos. Apesar disto e ao contrário de muitos amigos queridos e de pessoas que respeito e admiro, não sou nenhum grande entusiasta do regime castrista. Melhor dizendo: tenho uma profunda admiração pela revolução e pelos revolucionários que derrubaram a infame ditadura de Fulgêncio Batista, no início de 1959, mas também tenho diversas críticas ao modelo de Estado construído em Cuba, notadamente a partir de 1964, embora compreenda os condicionamentos externos e internos que levaram à implantação e à consolidação desse modelo. Porém, continuo a achar que, em diversos momentos, outros caminhos poderiam ter sido tentados e experimentados, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo governo revolucionário ao longo destes cinqüenta anos. Mas, mesmo assim, são indiscutíveis os avanços conquistados pela sociedade cubana em diversos campos, assim como é indiscutível o heroísmo de uma nação que se construiu como tal, através da luta e do enfrentamento das adversidades. Escrevo tudo isto como preâmbulo a um comentário sobre a matéria “Negociar sim; sem perder a firmeza, jamais”, surpreendentemente (deve ter sido um “cochilo” da editoria internacional) publicada em “O Globo” de hoje. Nesta reportagem, assinada pela jornalista Nani Rubin, o jornalão da família Marinho foge do seu tom crítico habitual sobre a ilha (por sinal, somente alguém completamente idiota ou então um leitor compulsivo do Mainardi - o que, no fundo, acaba sendo a mesma coisa - para acreditar que um “regime decadente e que está perdendo o apoio popular” - que é como “O Globo” habitualmente define o governo de Fidel - consiga sobreviver por cinco décadas, enfrentando as pressões da maior potência do mundo, sem poder contar, há quase 20 anos, com o apoio da extinta URSS) e apresenta um vibrante quadro da sociedade cubana, diante das perspectivas da ocorrência de mudanças no país e de uma reaproximação com os EUA. O que vemos ali é o retrato de um povo orgulhoso e consciente que deseja mudanças políticas e econômicas e que sonha com o fim do embargo norte-americano e com melhores relações com seu poderoso vizinho, mas que não abre mão das conquistas obtidas após 1959 e nem aceita transformar-se novamente em um “quintal” dos EUA, como nos tempos anteriores à revolução. Tal disposição fica bem clara nas palavras de uma cubana comum, a recepcionista Maria Cristina Sánchez, que afirmou para a jornalista de “O Globo”: “Este é o melhor país para se viver. Quem trabalha tem o seu dinheirinho, quem não trabalha... o que se pode fazer? Não temos muita coisa, mas temos orgulho do que conseguimos e comida para todos. O bloqueio é injusto e precisa acabar, mas Raúl não pode ceder”.
Depois de ler isto, não pude deixar de abrir um sorriso e de dar um “Viva”, mentalmente, a esse heróico e orgulhoso povo.

Leia aqui, na íntegra, a matéria sobre Cuba publicada em O Globo.

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