"Era só mais um Silva...": uma história, uma canção.

Desde muito tempo, tenho o hábito de escrever textos mais livres e curtos, sem as naturais limitações e amarras presentes em meus artigos e textos acadêmicos: são reflexões, reminescências ou mesmo desabafos que hoje em dia publico no "Abobrinhas Psicodélicas". Porém, antes de criar o blog, eu costumava enviar esses textos descompromissados para alguns amigos, via e-mail, com o objetivo explícito de compartilhar minhas idiossincrasias e, é claro, de receber das pessoas que gosto e admiro suas impressões a respeito delas. Alguns desses "textículos" (ops!) provocaram longas, calorosas e, na maioria das vezes, divertidas discussões na minha lista de e-mails. Ontem, remexendo em algumas mensagens antigas de correio eletrônico, acabei encontrando um deles, escrito em dezembro de 2007, e que, por me trazer boas lembranças, decidi "ressuscitar" e publicar aqui.



Em uma madrugada de um ano indefinido na primeira metade da década de 1990, voltava eu, já meio de porre, de uma noitada em um boteco suburbano que não existe mais (percebemos que estamos ficando velhos, no momento em que começamos a contar o número de bares nos quais bebemos um dia e que já fecharam!), quando, depois de um bom tempo de espera no ponto de ônibus, apareceu um “piratão” caindo aos pedaços, com o som a toda altura, tocando um funk daqueles. Apesar do sacrifício que isto representava para um roqueiro jurássico como eu, embarquei ao som do “pancadão” e procurei abstrair. Não sei se a música que estava tocando trazia alguma lembrança especial ao motorista, mas o fato é que a dita cuja foi repetida, pelo menos, mais umas três vezes ao longo da minha mui "agradável" viagem. Assim, meio que forçadamente, comecei a prestar atenção na letra e imediatamente aquele “refrão-chiclete” ficou grudado nos meus ouvidos: “Era só mais um Silva/que a estrela não brilha/ele era funkeiro/mas era pai de família”. Então, comecei a reparar em alguns detalhes e notei que ela tinha um quê de crônica urbana, no estilo de alguns velhos sambas, e ao descer do ônibus já a estava achando bem interessante. Depois disto, ainda ouvi o tal funk algumas vezes, mas sempre de passagem e de forma fragmentada (em alguma banca de camelô na Uruguaiana, no som de um carro que passava na Rua ou em algum rádio perdido nas vizinhanças). Agora, depois de tantos anos, voltei a ouví-lo, do início ao fim, no CD das Chicas e confirmei a minha primeira impressão: de fato, a letra é muito boa e se situa, com certeza, entre as melhores coisas produzidas pelo Funk carioca. A gravação das Chicas está muito legal, incorporando ao balanço do gênero, uma levada mais pop e um arranjo de primeira linha que utiliza instrumentos aparentemente díspares - e estranhos ao universo funk - como Viola, Violoncelo, Caxixi, Zabumba e Timbal, além de ter, é claro, o belo vocal das meninas que realça e valoriza a ótima letra.



Ouça as "Chicas" cantando o "Rap do Silva":



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O PDT morreu. Está enterrado em São Borja

Paulo Timm, publicado no sítio da TV Alexânia Digital

"(Eu) não sou nada, nunca serei nada. Aparte isso, trago em mim todo sentimento do mundo". Fernando Pessoa

Há 30 anos um heróico grupo de adeptos do trabalhismo, como o caminho brasileiro para a construção de uma sociedade democrática, reuniu-se em Lisoba com Leonel Brizola, esse e alguns dos participantes ainda no exílio, e firmaram o compromisso de reconstruir o PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO- PTB. Firmaram a CARTA DE LISBOA de junho de 1979. Goiás e Brasília lá estiveram presentes pela minha assinatura.
Foi um momento histórico. Inesquecível. Recomeçava naquele gesto a reconstrução do fio da história cortado pelo Golpe de 64.
Daquele momento em diante o trabalhismo , sob a liderança de Brizola teve muitos revezes. Perdemos a sigla histórica, fazendo o grande líder derramar-se em pranto na frente das câmeras, ainda em 1980. Padecemos muito no primeiro embate eleitoral enfrentado por uma sigla desconhecida – PDT – em 1982, só justificado pelo mérito de ter garantido cartorialmente o êxito de Brizola, no Rio de Janeiro. Sofremos ansiosamente os longos anos do fim do mandato do General Figueiredo ( 6 anos..., no total : 1979-1985), acrescidos de mais cinco de José Sarney (1985-1889). Perdemos inexplicavelmente a eleição de Brizola à Presidência da Republica em 1989. Enfrentamos uma grave crise de rumos depois desse fato que demarcou o inelutável avanço do PT sobre os alicerces do trabalhismo, numa conjuntura em que a hiper-inflação animava cada vez mais seu crescimento com base nas lutas pela recuperação das perdas salariais, soterrando o discurso ideológico mais conseqüente. Sofremos...Mas em todo esses longos anos o PDT não perdeu a dignidade. Era um partido de porte médio sempre associado às nobres causas do povo trabalhador brasileiro , consubstanciado nas suas conquistas trabalhistas e na defesa do princípio da soberania. Até mesmo nos difíceis anos de estabilização, sob o Governo de FHC – 1995/2001-, o PDT conservou-se firme no combate ao neoliberalismo, ainda que isso o afastasse do suposto “bom senso” que dominava a mídia e até mesmo setores da esquerda.
Com a vitória de Lula em 2002 , o PDT começou a se perder. Não apoiou Lula e se manteve longe do seu Governo. Mas não conseguir articular uma sólida oposição à continuidade da política econômica. Chegou 2006, quando havia uma chance concreta de superar essa política fortalecendo um núcleo à esquerda do PT, o Partido , novamente, embarcou na canoa furada da candidatura de Cristovam Buarque. E pior, fechadas as urnas, correu em busca de uma participação gratuita no governo Lula. Ocupamos um Ministério com o único objetivo, como os demais partidecos que pululam na coligação de governo, para ocupar cargos. Nenhuma exigência programática, nenhum posicionamento sólido diante da conjuntura, nenhum rastro da dignidade duramente conquistada durante décadas, aliás, só tornada possível sobre o cadáver silente do líder sepultado. E ainda agora, diante da grave crise econômica que avassala o mundo inteiro, o PDT não se mobiliza, não abre espaço para a discussão interna, não se posiciona com firmeza exigindo redução dos juros, um programa compensatório de gastos públicos, uma atenção prioritária à educação e à tecnologia, um passo adiante na reconquista da soberania pulverizada sob o “Consenso de Wshington”.
Nos Estados, o PDT se esfarinha em escaramuças internas e falta de perspectiva. Em alguns casos, como Goiás, é um braço do PMDB. Não teve fôlego sequer para defender intransigentemente seu velho companheiro , Governador do Maranhão, Jackson Lago, atingido pela cassação por “abuso de poder econômico”. Ora, logo o Jackson Lago...Logo no Maranhão...!!!?
No Distrito Federal, a vergonha. O PDT regional arrasta-se aos pés do mentiroso, mau caráter nacionalmente reconhecido, JOSÉ ROBERTO ARRUDA, aquele chorão do escândalo do painel eletrônico do Senado. O mesmo, aliás, que chegou em Brasília ainda no regime militar apadrinhado por seu professor na Escola de Engenharia em Minas: Aureliano Chaves.
Desconhecendo a Direção Regional do PDT a importância simbólica de Brasília no contexto nacional, associa-se com um membro do PARTIDO DOS DEMOCRATAS- DEM, ninho dos velhos defensores da ditadura militar para ganhar um ou dois cargos na vasta administração local. Que tristeza! Só gente recém chegada ao Partido, com ambições maiores do que a vocação pública poderia chegar a tal ponto. Enfim, náufrago sem rumo, o PDT , sem um grande líder, sem um programa consistente para o país e diante da crise, sem qualquer respeito ao seu passado , perde-se nas águas turvas de governos sem qualquer identidade com a sua história e, com isso, candidata-se , apenas , a cair na armadilha do folclore que já devorou o glorioso Partido Libertador no passado e que consumiu o velho Partidão mais recentemente.
O PDT morreu no dia 21 de junho de 2004. Está enterrado em São Borja. Saiu da vida para entrar para a História

PAULO TIMM*- Olhos d Agua (Alexania-GO) , 6 de maior de 2009 (*)PÁULO TIMM, 65 - Economista, Professor da Unb, Escritor. Fundador do PDT e Signatário da Carta de Lisboa. Candidato aos Governos de Goiás (82) e DF (94).

Comentário do blogueiro
:
Nunca gostei do PDT, mas tinha respeito pela liderança de Brizola. O Brasil mudou bastante daquele trabalhismo antes do golpe de 1964. Nos anos 90, os movimentos sociais e uma sociedade mais plural requeriam novos conceitos, paradigmas, e o trabalhismo do PDT era mais velho que a própria sigla. A forte presença de Brizola pode ter sido empecilho para surgimento de lideranças antenadas com a nova realidade, mas que não aceitavam a liderança brizolista, muito personalista.
Há muito tempo, bem antes de Brizola morrer, o PDT na maioria dos estados não tinha qualquer identidade com o trabalhismo. Era mais uma sigla para disputa de mandatos eleitorais e ocupação de espaços de poder. Daquelas siglas que servem a interesses de lideranças que, por razões diversas, não se enquadravam nos demais partidos com alguma densidade eleitoral. Brizola e outros poucos mantinham o partido vivo. Ultimamente o PDT foi ocupado pelo sindicalismo da Força Sindical, o que trouxe certo pragmatismo eleitoral. Quando se vão as bandeiras só resta o pragmatismo ou a extinção, como o que está ocorrendo com o PPS. São justamente esses dois partidos que sustentam o governo de Arruda, do DEM, aqui no DF. É a sobrevivência. Mas o autor está certo. O velho PDT morreu. Está enterrado em São Borja.

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Sarney 5 X 0 no TSE

João Capiberibe (PSB-AM) elegeu-se senador contra a vontade de Sarney e é cassado pela justiça eleitoral. Para deixar tudo dominado no Amapá, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassa também o mandato de deputada federal de Janet Capiberibe, esposa do senador cassado. A prova incontestável é o testemunho de duas eleitoras que disseram ter recebido 26 reais cada para votar neles, mas que depois admitiram terem mentido. Sarney 2 X 0.
Jackson Lago (PDT-MA), após anos de luta na oposição à família Sarney, elege-se governador do Maranhão em 2006, derrotando Roseana Sarney (PMDB-MA), filha do ex-presidente José Sarney. Denunciado por abuso de poder na campanha eleitoral, por supostamente ter sido beneficiado por convênios assinados com prefeituras maranhenses pelo então governador José Reinaldo (PSB-MA), antigo aliado dos Sarneys que virou desafeto. É irônico que a família Sarney, proprietária de extensa rede de comunicação (jornais, rádios e retransmissora da TV Globo no Estado) beneficie-se de cassação de suposto abuso de poder, justamente naquilo que são craques. Ademais, a prova mais contundente mais uma vez é testemunhal, a verdadeira prostituta das provas. Sarney 3 X 0 na justiça eleitoral.
Sarney também leva a melhor quando o acusado é seu aliado. É o caso da acusação contra o governador do Amapá Waldez Góes (PDT-AP), fiel escudeiro de José Sarney. Aliás, nesse caso, o próprio Sarney estava enrolado, pois o pedido de cassação e inelegibilidade evolvia também o senador José Sarney, ambos por prática de abuso de poder político e econômico. Walter Góes já livrou. Sarney 4 X 0.
Ninguém precisa adivinhar o placar final. Sarney já escapou, até mesmo como coerência à absolvição de Walter Góes. Sarney 5 X 0. Tudo dominado nos tribunais.

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Living La Vida Loca - 08

Amigo é coisa pra se gravar...
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Lilliput é aqui!

Não vou citar nomes porque agora eles deram para processar blogueiros. Mas, hoje pela manhã ouvia uma rádio am, que, se não me engano, é de propriedade da família de um deputado do PMDB e ex-dirigente do inter. O programa era um daqueles em que uns três ou quatro tiozões discutem entre si para ver quem defende mais a Yeda, quem fala mal do Lula mais vezes, quem detesta mais o Chávez... O apresentador do programa tem nome de deus egípcio e já foi de outra rádio am local. É um daqueles formadores de opinião, que tem palpite sobre todos os assuntos, de física quântica à epidemiologia, sempre com uma convicção que somente os barbeiros e os motoristas de táxi possuem. A diferença é que estes profissionais prestam serviços relevantes, à despeito de suas opiniões...

Mas voltemos ao fato em si: o locutor, palpiteiro e deus egípcio lia as manchetes das principais revistas semanais. A capa da Carta Capital tinha como principal matéria "O Congresso de Lilliput", sobre o apequenamento moral do Congresso Nacional.

Provavelmente temendo pela precariedade cultural de seus ouvintes, o letrado jornalista resolveu traduzir a manchete, por demais sofisticada. Foi mais ou menos assim:

-Pra quem lembra do desenho do Gulliver, Lilliput era a terra em que o Gulliver chegou, onde viviam os pequeninos. Mas eles não eram realmente pequeninos, o Gulliver é que era um gigante!

Gulliver, para um dos nossos notáveis formadores de opinião que têm opinião sobre tudo, é apenas um desenho animado. E, ainda por cima, com o enredo invertido.

Sem querer, o radialista explicou, entre outras coisas, a matéria da Veja. Lilliput é aqui! No nosso diminuto Rio Grande do Sul, onde seus provincianos habitantes não se consideram minúsculos e mesquinhos. Quando muito, consideram os outros como sendo exóticos gigantes...
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