Começa a ser decidido o futuro do PT

Um artigo publicado na edição de hoje, 06 de maio de 2009, no Jornal Gazeta Mercantil, sobre as opções do PT para a sucessão do governo paulista. Apesar de preferido por Lula e por algumas correntes petistas, a candidatura do ex-ministro Antônio Palocci (PT-SP) pode-se revelar enorme equívoco. Mesmo que o STF o livre do processo, não há garantia que o eleitor (o que importa de fato) absolverá o ministro tão rapidamente. De todo modo, Palocci aparece nas pesquisas com baixas intenções de voto, e ainda terá de enfrentar uma campanha dura tendo que explicar para o eleitor as acusações.

Caso o PT opte por velhos nomes, o melhor seria Eduardo Suplicy ou Marta Suplicy, em função da densidade eleitoral. Porém, o melhor caminho para o partido seja mesmo a renovação, testando novos nomes, o que não incluiria Palocci. As melhores opções seriam: Fernando Haddad, ministro da Educação, Emídio de Souza, prefeito de Osasco e José Eduardo Cardoso, deputado federal. O último enfrentaria fortes resistências no partido, e o primeiro poderia ser apadrinhado por Lula e surpreender politicamente, a despeito da falta de experiência eleitoral. Emídio de Souza é outra opção de renovação, e parece possuir bom discurso. Segue o artigo.

Thales Guaracy, publicado na Gazeta Mercantil

Esfacelado no governo Lula por denúncias de corrupção, que trituraram suas principais lideranças, o PT encontra-se hoje diante de uma encruzilhada. Por um lado, pode recuperar as raízes, criar um novo projeto mais alinhado com o que viu ser bem-sucedido na era Lula e manter-se como um partido eleitoralmente forte. Ou pode agarrar-se aos nomes chamuscados e às raízes criadas na máquina pública durante seu período no poder para, mesmo sem grande futuro eleitoral, manter-se vivo. Terá, neste caso, um destino semelhante ao do PMDB, um partido que nasceu apoiado em uma boa causa (a luta pela volta à democracia), teve seu período de força eleitoral e vitalidade, e depois de experimentar o poder aproveitou as estruturas nele criadas para sobreviver graças ao fisiologismo.

Para recolocar o PT nos trilhos, é necessário um trabalho de grande envergadura e que começa com a sucessão em São Paulo, cenário onde se definirá não apenas o nome do próximo governador como o destino do partido. Vamos saber, assim que for oficializado o nome do candidato ao governo do estado, para que lado o PT penderá. Em boa parte cabe ao presidente definir os rumos que o partido irá tomar. Lula pode trazer a legenda mais para perto do que deu certo em seu governo - um PT light, fortemente preso ao compromisso tradicional com a distribuição de renda, mas sem o antigo discurso agudo de esquerda - e injetar sangue novo para dar nova face ao partido. Ou pode manter-se apegado aos antigos nomes de um partido enfraquecido, mas ainda capaz de influir. Nesse caso, viraria outro José Sarney.

Pula nos corredores do PT que Lula apóia no governo de São Paulo a candidatura do seu ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Em eventos públicos, lideranças importantes do partido, postulantes potenciais ao governo paulista, como a ex-prefeita Marta Suplicy e o senador Aloizio Mercadante, já deram sinal de que darão passagem a Palocci, se esta for a vontade todo-poderosa do presidente. Ventilou-se também o ministro da Educação, Fernando Haddad, como um segundo nome do seu agrado. Cresce dentro do partido, porém, a corrente que busca um nome novo, que possa ser conciliatório - sem romper totalmente com as velhas lideranças, traria um ar novo e ao mesmo tempo promissor nas urnas.

Nessa raia, vem correndo por fora nas preferências dos convencionais do partido o nome de Emidio de Souza, prefeito de Osasco. Ex-metalúrgico de fala mansa, cujo sotaque e timbre da voz lembram muito o ex-ministro e deputado federal José Dirceu, Emidio foi reeleito numa cidade de orçamento importante, sede de algumas das maiores empresas do Brasil, como o Wal-Mart e o Bradesco, mas que sempre foi um município de pouco prestígio político, de onde saiu pouca gente de expressão nacional. Emidio candidata-se à exceção.

Nome em ascensão dentro do PT, pode-se dizer que é em torno dele, e da decisão sobre quem será o candidato ao governo do estado-chave da federação, que será decidido também o destino do partido. Nas últimas semanas, Souza vem percorrendo o interior de São Paulo, de cidade em cidade, em busca de apoio para seu nome. Já obteve declarações favoráveis de lideranças do partido e foi convidado para uma reunião com Lula para falar da sucessão paulista, ao lado de Marta e do próprio Palocci.

Nas conversas de Emidio, que vem se tornando cada vez menos privadas, ele lembra que é um prefeito empreendedor, que trouxe um município que era a 25 economia do estado para o 13 lugar, graças a uma política de desburocratização e incentivo a empresas. Tem também uma frase muito simples para convencer seus pares de qual é sua principal vantagem sobre Palocci na vaga do PT da próxima eleição: "Não tenho de ficar explicando nada". Possui um discurso para ganhar o governo do estado, segundo o qual o PSDB já teve muito tempo para arrumar o que não foi arrumado, como a segurança e a saúde, e que poderia ser a vez de testar o PT. E olha também para o cenário nacional, com a ideia de que São Paulo perdeu a condição de liderança política econômica do País.

Para aqueles que desejam entrar na eleição com o objetivo não apenas de recuperar prestígio como de ganhar de fato a eleição, Palocci aparece como a pior escolha possível. Nas simulações já feitas pelo Datafolha, do jornal Folha de S. Paulo, largou na rabeira. Segundo o levantamento, obtido em resposta estimulada, o ex-ministro aparece com 3% das intenções de voto para o próximo governo paulista, metade do eleitorado de Soninha, e distante assim como o homem está da Lua do líder Geraldo Alckmin, com 46%. Com Marta Suplicy, que levaria 13%, o índice de Alckmin cairia a 41%, mas continua parecendo muito sólido. Nessa pesquisa, o nome de Emidio sequer foi considerado.

Emidio sabe que não é fácil enfrentar o presidente mais popular da história do País dentro de um partido de imagem enfraquecida, mas cuja máquina ainda é poderosa, e que ficou sem outra liderança de peso, caso ele se decida por Palocci. "O que eu quero é que ele ponha a mão em mim, como fez com ele o Barack Obama, e diga: ‘Esse é o cara’", afirma. Mesmo contra o presidente, porém, há uma corrente defensora da antiga vocação do PT de tirar suas novas lideranças da base. E de criar um programa positivo de governo que pode balizar também um projeto de reconstrução do partido, alinhado com aquilo que deu certo no governo mais popular da história.

A missão de Emidio é fazer-se mais conhecido entre empresários e o eleitorado fora de São Paulo, mostrar-se competente tecnicamente como Palocci, mas dono de carisma próprio, de uma conduta e um programa que podem recolocar o partido no caminho certo. Se conseguir, terá obtido um feito realmente histórico de reagrupar uma grande legenda esfrangalhada e poderá surgir de fato como um forte candidato não apenas ao governo do estado como a outros voos futuros. Se falhar, Emidio será tragado junto com o PT a um destino que é, no máximo, ficar exatamente onde está.

Obs: Se o partido não injetar sangue novo, Lula pode se transformar em um Sarney.
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Notícias do desespero: jornais desencavam uma velha trosoba


Pronto, é a luz, saiu no New York Times. Os donos da mídia descobriram como vocês lerão os jornais em breve futuro. É fácil, basta levar esta trosoba por aí. Quase cabe no bolso, né? E deve ser ótimo para matar moscas. Só não serve para embrulhar peixes.

O interessante é que estão desenvolvendo a tecnologia há um bom tempo. Digamos, desde o final dos anos 80. Vejam só:


Posso estar enganado, me cobrem, mas a saída não é por aí.
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É hoje, quarta-feira: Xô Gilmar! Em DF, SP e BH




E para quem estiver no Rio, um grande evento:

"O que ameaça a liberdade de imprensa? E quem a imprensa ameaça?"

Como parte das comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio de Janeiro), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ) e o Intercom Sudeste, realizam o Seminário "O que ameaça a liberdade de imprensa? E quem a imprensa ameaça?".

O evento – com entrada franca - acontece no dia 06 de maio de 2009, a partir das 9h00, no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e contará com a presença do Ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.

Programa:

9h00 Abertura do evento

Diretora da ECO/UFRJ, Ivana Bentes
Diretor do UNIC Rio, Giancarlo Summa
Coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO, Guilherme Canela Godói

9h30 às 10h30: "Da censura à liminar: a liberdade de imprensa atacada"

Palestrantes: Júlio César Pompeu e Elvira Lobato

Júlio César Pompeu - Graduado em Direito pela PUC-Rio e Filosofia pela UERJ. Mestre em Direito pela PUC-Rio e Doutorando em Psicologia Social pela UFES. Professor de Ética do Departamento de Direito da UFES. Conselheiro do Conselho Estadual de Ética Pública do Estado do Espírito Santo.

Elvira Lobato - Formada em jornalismo pela UFRJ, trabalha na Folha de S. Paulo desde 1984 e é repórter especial do jornal desde 1992. Acompanha o setor de radiodifusão desde 1994 e é autora do livro Instinto de Repórter. Venceu o grande prêmio anual da Folha em 1999 e 2004, e o Prêmio Esso de Jornalismo em 2008.

10h30 Intervalo

10h45 às 11h45 “Direito de resposta: os desafios da informação no Brasil”
Palestrantes: André de Carvalho Ramos, Gustavo Gindre e Franklin Martins

André de Carvalho Ramos - Procurador Regional da República, Professor de Direito Internacional e Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Doutor e Livre-Docente em Direito Internacional, ex-Procurador Regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo (2000-2002) e autor de vários livros de direitos humanos, entre eles Responsabilidade Internacional por Violação de Direitos Humanos (2004), Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional (2005), Direitos Humanos na Integração Econômica (2008).

Gustavo Gindre - Jornalista graduado na UFF, com pós-graduação em Teoria e Práxis do Meio Ambiente (ISER) e mestre em Comunicação e Cultura na UFRJ. Fellow da The Ashoka Society, autor do livro Comunicação nas Sociedades de Crise e co-autor do livro Comunicação digital e a construção dos commons. Membro do Coletivo Intervozes e conselheiro eleito para o Comitê Gestor da Internet (CGI.br).


11h45 às 12h15 Perguntas e respostas

12h15 - Conclusões finais e encerramento

Franklin Martins - Ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, foi vice-presidente da União Metropolitana dos Estudantes, Presidente do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ, ex-preso político, e fez parte do Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Viveu no exílio e mais de cinco anos em clandestinidade no Brasil, Anistiado, trabalhou em diversos jornais, como Hora do Povo, O Globo e Estado de S. Paulo. Foi correspondente do Jornal do Brasil em Londres e repórter especial, colunista político, editor de política e diretor da sucursal de Brasília de O Globo. Trabalhou também como comentarista político da TV Globo, da Globonews, CBN e Bandeirantes, e foi colunista no portal IG.

Moderador: Siro Darlan de Oliveira - Desembargador da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Juiz da Infância e da Juventude do Rio, de 1991 a 2004. Possui pós-graduação em Direito da Comunicação Social da Universidade de Coimbra (Portugal). É ex-presidente do Conselho Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro.

Serviço:

Seminário “O que ameaça a liberdade de imprensa? E quem a imprensa ameaça?"
Dia: 06 de maio de 2009 (quarta-feira)
Horário: 9h00 às 13h00
Local: Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Auditório Pedro Calmon) Campus Praia Vermelha - Av. Pasteur, 250. Praia Vermelha -
Rio de Janeiro.

Entrada Franca
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Caetano Veloso: o mala-mor da MPB - Parte II

Vamos, então, para a segunda parte de meus humildes argumentos (afinal, quem sou eu para criticar tão iluminada e brilhante figura?):

1- Como se pode notar, por tudo o que descrevi no post anterior, a vaidade de Caetano é tão grande que não lhe permite aceitar críticas: aqueles que não o compreendem são tachados de “caretas”, “medíocres”, “conservadores” ou “elitistas”. Um exemplo claro disto foi o que aconteceu no final da década de 1970, quando, em uma entrevista que deu ao “Diário de São Paulo, Caetano respondeu de forma extremamente violenta a alguns críticos musicais que lhe cobravam um maior engajamento e um posicionamento político mais claro, depois de ele dar algumas declarações de que “não sabia nada do que se passava no Brasil e no mundo”. Citando nominalmente José Ramos Tinhorão, Maria Helena Dutra, Tárik de Souza e Maurício Kubrusly, ele dizia que os cadernos de cultura dos jornais e revistas brasileiros eram dominados por uma esquerda medíocre e repressora que obedecia a dois senhores: o dono da empresa e o chefe do partido. Tal entrevista levou o cartunista Henfil a escrever uma dura crítica a Caetano chamando-o de covarde e dedo-duro por denunciar seus críticos como membros do Partido Comunista, em um país onde ser comunista dava cadeia, torturas e até a morte. Mais recentemente, na entrevista citada no post anterior e publicada no jornal “Expresso”, de Lisboa, Caetano respondeu às criticas recebidas por ter sido matéria de capa da revista “Caras” da seguinte forma: “Pode-se gostar ou não, mas acho pior, sendo realmente uma celebridade, fingir que não o sou, que sou chique. Há uma altura em que não se pode aparecer na Caras para se poder ficar numa área superior, como se se pertencesse a uma elite de bom gosto que não se mistura com a vulgaridade dos novos-ricos (...) Por isso, sou a favor do capitalismo, da vulgaridade, sou contra Adorno, que é igual à direita, que quer restaurar a aura das grandes famílias, das grandes posições de responsabilidade cultural detidas por um grupo fechado e excelente” . Não é preciso dizer que todos esses pitis foram dados com grande cobertura midiática...
2- O culto à figura de Caetano é tão forte que se construiu uma memória coletiva sobre ele que é pontilhada por inúmeros esquecimentos. A sua imagem pública é a de uma figura progressista, que foi perseguida pelo regime militar, que possui posições políticas identificadas com uma esquerda “moderna” e que sempre levantou bandeiras de vanguarda. Desta forma, há a lembrança do Caetano exilado em Londres por conta da ditadura, mas esquece-se daquele que - como citei há pouco - dizia, ainda durante os anos de chumbo, que não queria saber de política e que acusava seus críticos de “comunistas”; esquece-se do Caetano que, logo após a eleição de Fernando Collor, declarou ter grandes simpatias pelo novo presidente e por seu discurso “modernizador” ou daquele que, reiteradas vezes, declarou todo o seu apreço por Antonio Carlos Magalhães. Isto sem falar, em tempos mais recentes, do Caetano que foi alçado pelo PhDeus Fernando Henrique Cardoso – de quem se declara um grande admirador – à condição de um dos maiores intelectuais do país. No entanto, insistir em lembrar estes episódios pode fazer com que aquele que tenha esta ousadia receba a pecha de estar agindo como um “patrulheiro ideológico” ou a acusação de não ter a sensibilidade necessária para compreender as inquietações de um artista em permanente mutação (ou seria uma “obra em progresso”?).

E por estas e (muitas) outras que não tenho mais paciência para Caê e suas egotrips. E, para finalizar, não posso deixar de reproduzir as palavras do historiador português Romero Magalhães que, ao ser indagado sobre os já citados comentários do gênio de Santo Amaro da Purificação a respeito da colonização portuguesa no Brasil, respondeu: “Ele se deixou embarcar em qualquer coisa que passou à frente. Além do mais, eu prefiro o Caetano a cantar do que a falar sobre coisas de que não sabe”.
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Leandro Fortes e o silêncio capanga

Excelente o retorno ao blog “Brasília, eu vi” do jornalista Leandro Fortes. Para quem não lembra, ele é repórter da Carta Capital e autor de duas matérias inevitáveis sobre Gilmar Mendes. Em uma, relata a vida empresarial do presidente do Supremo, a estranha ética que emprega diversos de seus colegas e recebe agrados decisivos, como desconto de 80% no valor do terreno de seu instituto. Na outra, a versão faroeste de Gilmar, até então desconhecida. O repórter esteve em Diamantino, em Mato Grosso, terra da família Mendes, e revelou que lá os valores republicanos do presidente são outros. Foi esta última reportagem que motivou a frase de Joaquim Barbosa sobre capangas, e que a mídia comprometida não explicou aos seus leitores. É sobre este silêncio que Leandro comenta hoje em post. Ele, que ao dar aulas de jornalismo ou em palestras por todo o Brasil, sempre é perguntado sobre a falta de repercussão da Carta Capital. Vale a leitura, Leandro é fundamental reforço à blogosfera.
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