O castelo, os príncipes e o rei nu



Stetsenko Kseniya, The Naked King. Óleo.

Dizem que no Brasil tudo começa depois do carnaval. A convicção é em muitos aspectos verdadeira, mas não se aplica ao ano político, que costuma dar o ar da graça bem antes disso, se é que calendários políticos conheçam férias e interrupções.

2009 começou com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado e, quase ao mesmo tempo, com a descoberta do castelo construído pelo deputado Edmar Moreira. Nada deveria chamar muito a atenção, não estivesse o deputado ocupando a segunda vice-presidência da Câmara (cargo que incluía a função de corregedor) e não tivesse “esquecido” de declarar o bem, avaliado em mais ou menos 50 milhões de reais. Com o agravante, como logo se soube, de que o castelo havia sido planejado para servir de cassino, num país em o jogo é ilegal. A cereja do bolo coube ao STF, que revelou a existência de um inquérito para apurar a apropriação indébita, pelo deputado, de contribuições ao INSS. Os desdobramentos do caso são conhecidos, não há necessidade de voltar a eles.

Também seria normal a recondução do deputado Michel Temer e do senador José Sarney à direção do Congresso Nacional, não fossem os parlamentares vinculados ao mesmo partido e não fosse esse partido um operador político inteiramente dedicado a seus próprios interesses, sem idéias consistentes ou laços substantivos com qualquer força viva da nação. Partido que inscreveu seu nome na história por ter conduzido, com realismo e inteligência, a luta pela redemocratização do país, hoje o PMDB é uma sombra de seu passado, ainda que continue ativíssimo. Faltam-lhe clareza programática e projeto nacional, sobram-lhe vínculos regionais e apetite por cargos. Passou a expressar o “atraso” político brasileiro, mas, curiosamente, ajuda a que se afirme “a tradição do público na sociedade”, como observou o cientista político Luiz Werneck Vianna (Estado, 15/2/2009). Faz isso, porém, por via eminentemente fisiológica, acabando por transferir ao sistema uma pesada carga de fatores degenerativos. Para ser contido, precisa ser incorporado ao jogo político, mas ao sê-lo rebaixa a qualidade do jogo. Tê-lo na condução do Congresso funciona assim de modo paradoxal: amarra o partido à democracia e à institucionalidade política, ao mesmo tempo que o reforça como estrutura predatória.

Também anterior ao carnaval foi a entrevista do senador Jarbas Vasconcelos, que não poupou palavras para detonar seu partido, que estaria hoje definido por uma estrutura “coronelística” dedicada a explorar o governo e corroída pela negociata política. O tom foi de desgosto e decepção, mas o discurso foi calculado. Diga-me com quem andas e direi quem és, pareceu ser o recado ao Planalto, à direção do PMDB e a todos os que flertam com o partido. Política pura, com muita dissimulação, drama e jogos de cena. O estrondo só não foi maior porque o PMDB engoliu em seco, fez-se de morto e esfriou o fato.

O período foi pródigo na reiteração de duas tendências da política brasileira recente. Lula deu prosseguimento ampliado ao estilo que lhe têm concedido altos índices de aprovação popular, que atingiram agora impressionantes 84%. O Encontro Nacional de Novos Prefeitos por ele patrocinado foi uma festa política, mas não um desfile carnavalesco. Serviu de palco para a campanha presidencial de 2010, que, a esta altura, já se tornou fato consumado. Mas também conteve um elemento de vida institucional e governo: nas palavras do cientista político Fábio Wanderley Reis (Estado, Aliás, 15/2/1009), “a aproximação do governo federal com o municipal cria uma estrutura de Estado mais equilibrada” e reproduz a forma brasileira de fazer política.

A oposição não perdoou o que considerou uma antecipação da campanha presidencial. Foi, no entanto, bisonha e ineficiente na operação, reiterando a desgraça maior de sua fase atual. Exigir que um governante deixe de fazer política e de buscar extrair vantagens eleitorais de seus atos é tão sem sentido quanto achar que uma oposição de verdade deva atuar em tempo integral para demolir a situação. A denúncia foi somente uma demonstração adicional de medo e preocupação com os movimentos de Lula, quem sabe um reflexo da necessidade que têm os oposicionistas de ganhar tempo para arrumar a própria casa. Além do mais, veio embrulhada em paradoxos e contradições, como bem lembrou o professor Fábio W. Reis: ganhou luz pela boca do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no mesmo momento em que convocava o PSDB para entrar firme na disputa.

Juntando-se os fios, o período pré-carnavalesco serviu de espelho para que mirássemos a real situação da política nacional. Refletiram-se nele diversos traços da nossa dificuldade de ingressar em um ciclo virtuoso de vida democrática, reformismo e reorganização social. A persistência do flerte que o Congresso mantém com a desmoralização pública de sua imagem e de suas funções reflete um processo impulsionado pelo esforço compulsivo de políticos e partidos para maximizar interesses de curto prazo. A popularização banalizada da Presidência ganha embalo na figura carismática de Lula. O não-aparecimento de lideranças de novo tipo expressa a falta de uma oposição democrática suficientemente lúcida, unida e corajosa para abrir mão de ganhos imediatos e se apresentar como opção para a sociedade.

O ano começou dando transparência a uma situação cortada por dilemas, paradoxos e interrogações, em que não há nenhum príncipe (o estadista) ao estilo de Maquiavel e desapareceram os príncipes modernos de que falava Antonio Gramsci, os partidos políticos, dedicados a organizar idéias e interesses em torno de um projeto de sociedade.

Nunca o rei esteve tão nu. (Publicado em O Estado de S. Paulo, 28/2/2009, p. A2).

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Paciência tem limite!

Eu tenho sido um cara paciente. Até parei de vaiar o Roth quando anunciam o seu maldito nome nos autofalantes do Olímpico. Mas tem coisas que não dá mais para aturar.
Não dá para aturar um cara que desmancha um time que jogou bem três dias antes para colocar o Diogo. Um time que jogou bem, mas não conseguiu marcar gol. Aí, o idiota tira um atacante para colocar o horroroso volante Diogo. Logo o Diogo, que não poderia vestir a camiseta do Grêmio nem se comprasse na lojinha do clube! Esse Diogo é um Nunes piorado! Nem falta no adversário ele consegue fazer.
Aliás, essa é outra coisa que não dá mais para aturar: levar gols de falta e de escanteio. Se minha combalida e irritada memória não estiver me traindo, são três derrotas seguidas em Gre-Nal nas quais o Grêmio sofreu sete (SETE!!!) gols de bola parada! O que faz essa porra de treinador que não consegue marcar eficientemente uma prosaica bola parada? Como é possível tomar um gol de uma falta frontal como a do gol do Índio?!? E o Rever estava marcando quem no gol do Magrão? Perdemos o Brasileirão do ano passado muito por causa de gols sofridos em cobranças de escanteio, em jogos como o Gre-Nal dos 1x4 e o 1x2 contra o Goiás (em que o grandalhão Marcel ficava no primeiro pau e saía do lugar na hora da cobrança, permitindo o gol-olímpico do Paulo Baier). Se ao menos o time fosse capaz de marcar gols de bola parada. Mas nem isso! Há quanto tempo o Grêmio não faz um gol em cobrança de escanteio?
Mais: é inadmissível tomar gols-relâmpago, como no Gre-Nal anterior, como no início do segundo tempo deste Gre-Nal e como no jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, quando tomamos um gol "no minuto de silêncio".
Esse Roth é muuuuito ruim! O pouco que ele, por acaso, consegue acertar, ele estraga na hora decisiva. É hora de mudar enquanto ainda é tempo. Do jeito que vai, na Libertadores, a ruindade do Roth nos custará muito caro!
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A "ditabranda" da Folha de São Paulo...

Em um editorial intitulado “Limites a Chávez”, publicado no dia 17 de fevereiro como resposta à vitória do presidente venezuelano no referendo de 15/02 que lhe permitirá a reeleição ilimitada, a Folha de São Paulo traçou uma comparação entre o que ela chama de “novo autoritarismo latino-americano” (que teria em Chávez o seu principal representante) e as ditaduras civis-militares que existiram em nosso continente entre as décadas de 60 e 80 do século XX. Ao referir-se a essas ditaduras, a Folha chama-as de “ditabrandas”, dando como exemplo aquela que existiu no Brasil entre 1964 e 1985, em um flagrante desrespeito a todos aqueles que lutaram (e aos muitos que tombaram) pela liberdade e pela democracia nesta nossa América. Não é preciso dizer que tal absurdo gerou inúmeras reações indignadas de milhares de pessoas em todo o Brasil, como se pode constatar pela quantidade de posts que foram colocados nos muitos blogs independentes que existem na grande rede e mesmo pela reação de alguns outros veículos de comunicação de viés um pouco mais crítico, como a “Carta Capital”, que publicou uma bela resposta da socióloga Maria Victoria Benevides. No entanto, o que o editorialista da Folha não revela é que o termo “ditabranda” não é uma criação sua, mas sim do Gal. Augusto Pinochet, que o usou para se referir ao regime liderado por ele no Chile, entre 1973 e 1990, como pode ser constatado em um vídeo disponível no You Tube. Portanto, são estas as referências que o “combativo” jornal paulista (que se coloca como um bastião em defesa da liberdade de imprensa, mas que não deixou de colaborar ativamente com o regime militar brasileiro) utiliza em seus editoriais e artigos de opinião.

Existe uma petição on-line em repúdio à Folha de São Paulo e em solidariedade à Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Clique aqui para assiná-la.

Clique neste link para ler, na íntegra, o editorial da “Folha”.

Leia aqui a resposta da Prof. Maria Victoria Benevides, publicada na "Carta Capital".

E, finalmente, clique e assista o vídeo com o discurso em que o Gal. Augusto Pinochet, "muso inspirador" da "Folha", cria o neologismo "ditabranda".
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Agreste alagoano!



"Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!" João Guimarães Rosa
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Casinha

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