Paciência tem limite!

Eu tenho sido um cara paciente. Até parei de vaiar o Roth quando anunciam o seu maldito nome nos autofalantes do Olímpico. Mas tem coisas que não dá mais para aturar.
Não dá para aturar um cara que desmancha um time que jogou bem três dias antes para colocar o Diogo. Um time que jogou bem, mas não conseguiu marcar gol. Aí, o idiota tira um atacante para colocar o horroroso volante Diogo. Logo o Diogo, que não poderia vestir a camiseta do Grêmio nem se comprasse na lojinha do clube! Esse Diogo é um Nunes piorado! Nem falta no adversário ele consegue fazer.
Aliás, essa é outra coisa que não dá mais para aturar: levar gols de falta e de escanteio. Se minha combalida e irritada memória não estiver me traindo, são três derrotas seguidas em Gre-Nal nas quais o Grêmio sofreu sete (SETE!!!) gols de bola parada! O que faz essa porra de treinador que não consegue marcar eficientemente uma prosaica bola parada? Como é possível tomar um gol de uma falta frontal como a do gol do Índio?!? E o Rever estava marcando quem no gol do Magrão? Perdemos o Brasileirão do ano passado muito por causa de gols sofridos em cobranças de escanteio, em jogos como o Gre-Nal dos 1x4 e o 1x2 contra o Goiás (em que o grandalhão Marcel ficava no primeiro pau e saía do lugar na hora da cobrança, permitindo o gol-olímpico do Paulo Baier). Se ao menos o time fosse capaz de marcar gols de bola parada. Mas nem isso! Há quanto tempo o Grêmio não faz um gol em cobrança de escanteio?
Mais: é inadmissível tomar gols-relâmpago, como no Gre-Nal anterior, como no início do segundo tempo deste Gre-Nal e como no jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, quando tomamos um gol "no minuto de silêncio".
Esse Roth é muuuuito ruim! O pouco que ele, por acaso, consegue acertar, ele estraga na hora decisiva. É hora de mudar enquanto ainda é tempo. Do jeito que vai, na Libertadores, a ruindade do Roth nos custará muito caro!
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A "ditabranda" da Folha de São Paulo...

Em um editorial intitulado “Limites a Chávez”, publicado no dia 17 de fevereiro como resposta à vitória do presidente venezuelano no referendo de 15/02 que lhe permitirá a reeleição ilimitada, a Folha de São Paulo traçou uma comparação entre o que ela chama de “novo autoritarismo latino-americano” (que teria em Chávez o seu principal representante) e as ditaduras civis-militares que existiram em nosso continente entre as décadas de 60 e 80 do século XX. Ao referir-se a essas ditaduras, a Folha chama-as de “ditabrandas”, dando como exemplo aquela que existiu no Brasil entre 1964 e 1985, em um flagrante desrespeito a todos aqueles que lutaram (e aos muitos que tombaram) pela liberdade e pela democracia nesta nossa América. Não é preciso dizer que tal absurdo gerou inúmeras reações indignadas de milhares de pessoas em todo o Brasil, como se pode constatar pela quantidade de posts que foram colocados nos muitos blogs independentes que existem na grande rede e mesmo pela reação de alguns outros veículos de comunicação de viés um pouco mais crítico, como a “Carta Capital”, que publicou uma bela resposta da socióloga Maria Victoria Benevides. No entanto, o que o editorialista da Folha não revela é que o termo “ditabranda” não é uma criação sua, mas sim do Gal. Augusto Pinochet, que o usou para se referir ao regime liderado por ele no Chile, entre 1973 e 1990, como pode ser constatado em um vídeo disponível no You Tube. Portanto, são estas as referências que o “combativo” jornal paulista (que se coloca como um bastião em defesa da liberdade de imprensa, mas que não deixou de colaborar ativamente com o regime militar brasileiro) utiliza em seus editoriais e artigos de opinião.

Existe uma petição on-line em repúdio à Folha de São Paulo e em solidariedade à Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Clique aqui para assiná-la.

Clique neste link para ler, na íntegra, o editorial da “Folha”.

Leia aqui a resposta da Prof. Maria Victoria Benevides, publicada na "Carta Capital".

E, finalmente, clique e assista o vídeo com o discurso em que o Gal. Augusto Pinochet, "muso inspirador" da "Folha", cria o neologismo "ditabranda".
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Agreste alagoano!



"Sertão é onde manda quem é forte, com as astúcias. Deus mesmo, quando vier, que venha armado!" João Guimarães Rosa
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Casinha

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Um novo padrão de discurso político

Da Coluna de Maria Inês Nassif, do Valor Econômico

O capítulo seguinte desse estágio da democracia brasileira será a mudança do paradigma oposicionista, que hibernou durante a ditadura militar (1964-1985) e submergiu, intacto, depois desse período. O padrão que subsiste é o da antiga União Democrática Nacional (UDN), que no pré-64 representou, na história política do país, o que talvez tenha sido a conexão mais orgânica entre um aparelho privado de ideologia (um partido político) e um aparelho público de ideologia (as Forças Armadas), que resultou no uso do monopólio da força por segmentos da sociedade civil em favor da manutenção de um status quo - o golpe foi um ataque preventivo a mudanças trazidas pela disputa entre as forças políticas numa sociedade democrática.

O padrão de discurso da UDN, em especial de seu líder Carlos Lacerda, mantido até hoje, é o da agressividade, de ataque que confunde a vida pública com a vida privada, de desqualificação do poder - quando ele não está nas mãos das forças que lhe são favoráveis - e de desqualificação dos ocupantes do poder, quando eles são do partido a que se opõe. Disso decorre também a desqualificação da democracia - o voto ignorante, o voto analfabeto e o voto não esclarecido teriam dado a pessoas pouco capazes a possibilidade de acesso a um poder que se vulgarizou e mostrou-se o espelho do atraso do país. Inicia-se num terreno de consenso - o moralizante, contrário à corrupção - até polarizar e confrontar com o poder. Torna-se inevitável, assim, a radicalização política.

Esse padrão retornou ao cenário político depois da redemocratização. A emergência do discurso lacerdista foi claro, por exemplo, nas eleições de 1989, quando o candidato do PRN, Fernando Collor de Mello, disputou literalmente aos gritos a preferência do eleitor com o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Margeou a oposição feita pelo PT aos governos pós-85, até 2002, quando Lula ganhou as eleições. E foi reproduzido intensamente depois de 2005, quando as oposições a Lula, em especial o hoje DEM, antes PFL, e o PSDB, tentaram aprofundar o desgaste do governo com o escândalo do mensalão e os que o sucederam.

A UDN pré-64 movia-se num terreno onde a intervenção militar era cotidiana na cena política. O discurso lacerdista magnetizou a classe média e teve grande repercussão na caserna; o discurso anticomunista era capaz igualmente de atrair os militares e os setores conservadores da sociedade. O universo dos eleitores era restringido por um alto índice de analfabetismo e a proibição do voto ao analfabeto. Havia uma exclusão, de fato, de uma parcela grande da população da dinâmica da democracia representativa, uma grande influências das classes médias como formadoras de opinião e uma cultura de intervenção militar na política.

Em 2006, na reeleição do presidente Lula, a reedição do modelo udenista encontrou o seu auge. Tinha contra ele, todavia, uma realidade onde o eleitor analfabeto e pobre movia-se da mesma forma que as classes de maior poder aquisitivo na cena democrática; o poder de formação de opinião pública foi subtraído da classe média; e existia um líder carismático com acesso aos novos eleitores, e que não dependia para isso dos meios tradicionais, como os líderes locais e a mídia. Na eleição presidencial passada, onde a oposição exerceu um discurso radicalizado, não foi capaz de, por si só, mudar a popularidade do presidente que disputava o segundo mandato.

Na eleição de 2010, a oposição terá a seu favor o fato de o líder carismático estar saindo de cena - Lula não pode disputar um novo mandato. Mas o discurso udenista conflita com uma situação consolidada de popularidade de Lula, principalmente nas regiões mais pobres, onde as políticas sociais compensatórias foram mais massivas. Um discurso antilulista está fadado ao fracasso.

O discurso udenista de hoje cola nos setores de classe média e alta, assim como no pré-64, mas, ao contrário de antes, parece não ter influência sobre a corporação militar. Existem alguns movimentos de luta interna pelo controle de aparelhos públicos de ideologia - burocracia estatal e justiça, em especial - mas eles têm sido neutralizados por um líder pouco afeto à radicalização, e por uma sociedade que está mais radicalizada nas elites do que na base. Lula, de alguma forma, representa um fator de estabilidade para a sociedade civil, inclusive para setores hegemônicos na sociedade.

O governador de São Paulo, José Serra, virtual candidato do PSDB, que tem o apoio do DEM, teria que rever o padrão de discurso oposicionista, concentrando-se na imagem de bom administrador e gestor. Seria uma forma de neutralizar uma posição que foi extremada nas eleições de 2010, quando o candidato tucano foi o ex-governador Geraldo Alckmin. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, concorre nessa faixa com Serra - ela tem a mesma imagem de "técnica" que sempre teve o governador paulista, e esta parece ter sido a intenção do presidente Lula, quando praticamente a ungiu candidata do PT à sua sucessão. Para neutralizar ideologicamente o seu discurso, Serra teria que frear não apenas os seus aliados de direita, como sua própria tendência - ele tem assumido, ao longo do tempo, uma posição mais conservadora, em parte também levado por um padrão oposicionista que encontra na radicalização a sua principal estratégia.

A grande oportunidade dessas eleições, para todo o quadro político, é sair desse paradigma de oposição montado no discurso udenista. Ao longo da história, ele tem substituído a obrigação institucional de os partidos apresentarem um projeto de país ao eleitor - quando a oposição estabelece o padrão de ataque, a própria situação se vê desobrigada de defender as suas propostas. A crise econômica internacional coloca novos parâmetros de discussão. A experiência democrática também. Eleição não é só ataque a adversário. É defesa de projetos políticos diferenciados.

Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
E-mail: maria.inesnassif@valor.com.br
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