Quem sustenta a "face da corrupção"?




CUI PRODEST (Ficha Corrida* )

Não nos esqueçamos, Yeda chegou lá por mãos alheias, às quais paga tributo. Quid prodest? O que interessa é quem dá sustentação ao governo Yeda e as razões disso. As razões respondem à pergunta latina: Cui prodest? A quem interessa a existência da "face da corrupção" no comandando do maior orçamento do RS? Óbvio, os que dela (Yeda) e dele (orçamento) podem auferir lucros! E quem fica com o maior quinhão? A RBS! Duvida, então pense em quantos veículos a RBS dispõe em todo o RS - 80% da mídia gaúcha é explorada pela RBS. E em todos os veículos da RBS há sempre algum órgão público patrocinando algo.

Para refrescar a memória, enquanto o DETRAN enfrentava uma auditoria arrasa quarteirão, o mesmo órgão patrocinava vários veículos da RBS. A influência disso podia ser constatada diariamente na Zero Hora. Ninguém lia que alguém era responsável pelo roubo de 40 milhões. Pasmem, o ladrão era... o DETRAN. Não entendeu? Então explico: o DETRAN é um órgão público, uma pessoa jurídica. Matavam dois coelhos com uma cajadada: denegriam um órgão público, esporte predileto da RBS, e desviavam o foco dos larápios.

Quando o Chefe da Casa Civil do Governo Yeda, Cesar Busatto, teve seu modus operandi exposto em praça pública pelas gravações do Vice-Governador, a RBS partiu pra cima do vice. Quando Jairo Jorge, eleito prefeito de Canoas pelo PT convidou Cesar Busatto, a RBS aplaudiu. Quando o mesmo prefeito envergonhado descantou o verso, a RBS fez um caderno especial de Domingo, chamando de a Volta da Guerra Fria. Portanto, para a RBS, negar salário público para um notório corruptor é ato de guerra fria. Conclusão: se há corrupção no RS, pode ter certeza, é porque os corruptos contam com o beneplácito da RBS.

Estamos vivendo um dos momentos mais degradantes da política gaúcha, com um governo de marionetes, cujo único objetivo é destruir as instituições públicas e atacar os movimentos sociais. Os resultados estão por aí, estendidos no chão: violência a qualquer hora do dia, dengue, febre amarela e leishmaniose ocupando os espaços deixados pela falta de saúde. Na educação então nem se fala, já que a falta dela é a marca de todos quantos ocupam cargo no atual governo.

E isto tem cara, é a coroa Yeda Crusius, sob patrocínio da RBS.

* Ficha Corrida (http://www.fichacorrida.net/ )

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No Carnaval de 1969, um hino à liberdade ecoou na avenida...

Há quarenta anos, no carnaval de 1969 (dois meses após a decretação do tristemente célebre AI-5), o Império Serrano entrava na avenida com o enredo “Heróis da Liberdade”, embalado pelo belíssimo samba de Silas de Oliveira, Mano Décio e Manuel Ferreira. Em uma letra que exaltava as lutas pela liberdade ao longo da História brasileira - Inconfidência Mineira, Independência, Abolição - aparecem referências explícitas às manifestações contra o regime militar ocorridas no ano anterior: "Ao longe soldados e tambores/Alunos e professores/Acompanhados de clarim/Cantavam assim:/Já raiou a liberdade/A liberdade já raiou/Esta brisa que a juventude afaga/Esta chama que o ódio não apaga pelo Universo/É a evolução em sua legítima razão". Cantados pelos passistas na avenida, estes versos de Silas de Oliveira - que foram considerados por Carlos Drummond de Andrade uns dos mais bonitos da língua portuguesa - pareciam um desafio aos militares, com o agravante de que naquele coro de milhares de vozes a palavra "evolução" soava como "revolução". Chamado pelas "autoridades constituídas" para "prestar esclarecimentos" sobre o teor do seu samba, Silas - como bom malandro que era - negou qualquer conotação política em sua letra. Mas naquele carnaval, o primeiro depois do início do período mais feroz da ditadura, "Heróis da Liberdade" constituiu-se em um verdadeiro hino contra o obscurantismo e a repressão.

Heróis da Liberdade

(Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Manuel Ferreira)

Ô ô ô ô
Liberdade, Senhor,
Passava a noite, vinha dia
O sangue do negro corria
Dia a dia
De lamento em lamento
De agonia em agonia
Ele pedia
O fim da tirania
Lá em Vila Rica
Junto ao Largo da Bica
Local da opressão
A fiel maçonaria
Com sabedoria
Deu sua decisão lá, rá, rá
Com flores e alegria veio a abolição
A Independência laureando o seu brasão
Ao longe soldados e tambores
Alunos e professores
Acompanhados de clarim
Cantavam assim:
Já raiou a liberdade
A liberdade já raiou
Esta brisa que a juventude afaga
Esta chama que o ódio não apaga pelo Universo
É a evolução em sua legítima razão
Samba, oh samba
Tem a sua primazia
De gozar da felicidade
Samba, meu samba
Presta esta homenagem
Aos "Heróis da Liberdade"
Ô ô ô

Ouça aqui "Heróis da Liberdade" na bela interpretação de Roberto Ribeiro:





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E viva Lili Carabina do sul!

Capa do disco de Tom Zé - Todos os Olhos.

Bem...mal saio um pouco do ar e nossa desgovernadora atola o pé na jaca. Novamente! Mas de onde estou, numa deserta e "horrivel" praia do litoral norte de Alagoas; praia de águas mornas, enseadas, pequenos rios, decorada por coqueiros e acima de tudo, deserta , leio aos sobressaltos os blogs "do lado de lá" ( como diria Yeda Crusius) sobre a política no RS. Numa conexão de banda larga à lenha, os sofríveis minutos para carregamento de uma simples página não foram em vão. Do governicho da "famiglia Crusius" não se poderia esperar nada mesmo, se não escândalos e que surpreendem aos mais calejados alagoanos.


A lógica de Tom Zé em Todos Os olhos, nos dá uma pista sobre o ângulo em que estes fatos devem ser analisados. Um ângulo abaixo da cintura. O olho do cu. Só assim poderemos entender a política das oligarquias do Rio Grande do Sul.

Depois dizem que Alagoas é que é terra de jagunço, onde até o colega tucano de Yeda Crusius, Téo Vilela do PSDB-AL anda com os cabelos em pé!
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Mídia tucana protege Yeda (PSDB) das denúncias do PSOL

A mídia tucana procura relativizar a denúncia do PSOL de uso de caixa de dois e mensalinhos na campanha da governadora Yeda Crusiuis (PSDB), Rio Grande do Sul. A Folha de São Paulo publicou o seguinte título: "Sem provas, Psol acusa Yeda de prática de caixa 2 e desvio de dinheiro". Ou seja, a Folha no título da matéria já tenta transformar o PSOL, partido que acusa, em acusado de apresentar denúncias supostamente vazias ou sem provas. No corpo do texto, o partido da governadora, o PSDB, aparece apenas uma vez. A verdade é que a sede do PSDB deveria mudar de vez para o prédio da Folha de São Paulo, pois esse jornal não apenas faz campanha velada por José Serra, mas transformou-se num Quartel General do PSDB. Até mesmo uma denúncia do desgoverno tucano do Rio Grande do Sul tem a proteção editorial do jornal. Um caso clássico de jornalismo partidário ou de interesses.

Na mesma linha, a Agência Estado, do Estadão, faz o mesmo jornalismo picareta. Sob o título “PSOL acusa Yeda de distribuir mensalinhos”, a matéria não traz sequer uma menção ao partido da governadora, o PSDB. É o silêncio da mídia tucana, assim como ocorreu com a cassação do governador tucano Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) por compra de votos e caixa dois. Segue a matéria da Agência Estado.

PSOL acusa Yeda de distribuir 'mensalinhos'

Da Agência Estado

A cúpula do PSOL no Rio Grande do Sul acusou a governadora Yeda Crusius e diversos de seus colaboradores de terem participado ou tomado conhecimento de arrecadação de fundos não declarados para a campanha eleitoral de 2006, uso de recursos paralelos e superiores aos informados num contrato de aquisição de um imóvel e distribuição de "mensalinhos" para várias pessoas feita por uma secretária do Palácio Piratini.

Em entrevista coletiva na sede estadual do partido, em Porto Alegre, o presidente regional da sigla, Roberto Robaina, a deputada federal Luciana Genro e o vereador e advogado do partido Pedro Ruas disseram que formaram convicção a partir de documentos como áudios, vídeos e transcrição de depoimentos que integram o processo contra os réus da Operação Rodin, em tramitação na Justiça Federal de Santa Maria. Eles informaram que pessoas do partido viram as peças, mas admitiram não ter cópias delas em mãos e não apresentaram provas à imprensa. Fontes do Ministério Público e da Justiça Federal negaram a existência dos documentos.

Segundo a denúncia, há áudios e vídeos mostrando representantes de empresas de engenharia, construção civil e fumageiras entregando R$ 1 milhão de contribuições à campanha de 2006, sem registros, a pessoas próximas à governadora, entre as quais o empresário Lair Ferst e o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha. Outra gravação mostraria o deputado federal José Otávio Germano doando R$ 400 mil e afirmando que ficaria com "crédito político".

Também estariam nos autos peças eletrônicas exibindo a formatação da operação da compra da casa da governadora, feita no final de 2006, com a entrega de R$ 400 mil "por fora" do contrato tornado público, de Ferst para um corretor de imóveis, e pagamentos de contas particulares, inclusive de Yeda, por agências de publicidade.

O procurador da República Adriano Raldi, integrante da Força-Tarefa do Ministério Público Federal, que acompanha o desdobramento da Operação Rodin, negou, por sua assessoria de imprensa, que o PSOL tenha tido acesso aos documentos e que os depoimentos, áudios e vídeos citados na entrevista façam parte do processo. Também afirmou que não houve acordo de delação premiada com Ferst.
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Jornalismo de muitas calorias

Rogério Simões, editor da BBC Brasil, publica artigo em que descreve a cautela que tiveram em dar a notícia do caso Paula Oliveira. Afirma que no jornalismo é sempre necessário antes duvidar, depois tentar a confirmação de fontes. E critica o restante da imprensa que não seguiu esta recomendação, vangloriando-se: “Nós, aqui na BBC, somos pagos para duvidar”. Mas, parece que a cautela não adiantou muito. Adiante, no texto, confessa que foram ludibriados em acreditar nos fatos por fonte do governo brasileiro, que os revendeu “a veículos de imprensa, entre eles a BBC Brasil, como um fato comprovado e digno do selo presidencial”.

Explica como trabalharam e foram enganados:

“No caso da brasileira na Suíça, nós ficamos sabendo do suposto ataque na noite de quarta-feira, dia 11. "Quem está dando a notícia?", perguntei ao redator que me ligara de São Paulo para a redação aqui de Londres. "Está na TV." Fomos checar em agências de notícias, e nada. A parte em inglês da BBC desconhecia. Aqui, se o caso não foi apurado diretamente por nós, precisamos de pelo menos duas fontes para publicá-lo no site ou levá-lo ao ar. Ou alguma fonte de credibilidade a que possamos atribuir as informações. Mas não tínhamos nada isso e não podíamos nos basear apenas num canal de televisão, que por sua vez se baseava em um blog. Preferimos esperar para saber se o governo brasileiro se pronunciaria sobre o assunto.”

Como fizeram?

“Ainda naquela noite, depois de falar com um porta-voz do Itamaraty, publicamos nosso texto. Atribuímos tudo ao Ministério das Relações Exteriores.”

O que diz o texto? Exatamente apenas o que estava no blog do Noblat e que repercutia em outros sites de notícia. Quem era o porta-voz do Itamaraty? Como ele apurou os fatos? O Itamaraty não faz jornalismo. Se é para trabalharmos com dúvida, tenho uma: talvez nem fosse exatamente um representante do Itamaraty. Pela diferença de fusos, poderia ser horário de almoço aqui, falaram com o rapaz da limpeza, que disse o que até então todos sabiam pela TV e pela internet.

E segue ele, em momento autocrítico:

“Onde poderíamos ter feito melhor foi no título. "Brasileira grávida de gêmeos é agredida na Suíça e perde bebês", dissemos. Mas o melhor teria sido algo como "Brasileira diz ter sido agredida na Suíça e perdido bebês" ou "Itamaraty denuncia agressão a brasileira na Suíça".”

Pronto. Este é o jornalismo de uma corporação de mídia. De Londres, alguém liga para um “porta-voz” do Itamaraty que confirma aquilo que buscam. Não é a notícia que procuram, mas o “selo” para dar crédito ao que desejavam. E ainda se prestam ao papel de dizer que fizeram tudo correto, mas infelizmente foram enganados.

Acho que uma ótima maneira de entendermos como funciona a fábrica de salsichas do jornalismo é lermos o depoimento do Sérgio Leo, que estava presente na entrevista coletiva de Celso Amorim a imprensa, dia 12. Os repórteres cobravam posição do governo sobre xenofobia. Perguntaram várias vezes, insistiram. Amorim foi cauteloso. Outro repórter pergunta se o caso seria levado à ONU, o ministro diz que seria prematuro. No dia seguinte os jornais destacam que o governo falou em xenofobia, que levaria o caso à Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Cuidado com a próxima degustação de jornalismo.
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