Pausa nas férias: Clássicos no interior

Interrompo excepcionalmente as minhas férias para postar sobre futebol. Mas, ao contrário do que pode fazer supor o título, não vou falar sobre o Grenal circense de Erechim. Esse, uma picaretagem. Para assistir ao jogo, o morador de Erechim teve que pagar uma grana considerável para entrar no estádio. E o restante da população do Estado teve que se contentar em assistir o “sensacional” Caxias x Brasil pela TV aberta ou pagar o pay-per-view para assistir ao Grenal. Assim, o assunto da postagem é algo bem mais democrático e que deve interessar particularmente ao Hélio, pela forma como se deu sua criação. A idéia e a organização do evento surgiram de uma comunidade do Orkut. Algo espontâneo, criado e organizado pela comunidade local, e não um artificialismo mercantil como o tal Grenal.

Falo do Torneio Citadino de Rio Grande, que reúne os três clubes da cidade e que foi capaz, inclusive, de promover a volta do Riograndense, após alguns anos de inatividade. Assisti aos dois jogos disputados até agora: São Paulo x Rio Grande e São Paulo x Riograndense. Ambos os jogos com ingressos a camaradas R$ 5,00 e com um público “familiar” no Aldo Dapuzzo, estádio do São Paulo.

O primeiro jogo foi o mais agradável, não tanto por sua qualidade (baixíssima, por sinal), mas pela novidade da coisa. Logo na chegada, estacionei o carro em uma rua ao lado do estádio, em meio a uma vila. Se eu estacionasse em uma rua com aquela aparência em Porto Alegre e fosse apenas assaltado, já estaria no lucro. Ali, tudo tranqüilo. Nem flanelinha havia. Verdade que a rua era um capinzal só, parecia até que o Fogaça era prefeito da cidade.

A entrada dos visitantes, em frente a qual estacionei, lembrava o Coliseu, não pela imponência, mas pelo estado de conservação. Acabei entrando mesmo pelo portão da frente, na torcida Caturrita, que era bem mais numerosa do que a do maior rival , o Vovozão Rio Grande. O estádio era pequeno, gramado irregular, com a grama meio solta por causa das chuvas recentes, iluminação precária, cabines de imprensa improvisadas, manchas de umidade nas paredes, umas arquibancadas quase caindo... Para completar, no intervalo havia uma promoção daquelas em que crianças chutam de uma determinada distância e tem que fazer o gol para ganhar os prêmios. Um D.J. anunciava os nomes dos participantes e narrava com um entusiasmado “EROOOOU!!!” cada bola que ia fora. Defendendo os chutes, o mascote do clube, um menino vestido de leão. De fundo musical, o “Créu”, coreografado pelo mascote em frente à torcida rival. Um charme!

Quanto ao jogo em si, foi o que se esperava: correria, pancadas, expulsões, catimba e um gol de chiripa. Algo que lembra muito remotamente o futebol disputado pelos grandes clubes. Para entenderem melhor o que quero dizer, o lance da foto não foi gol. A menos de um metro da meta adversária, Viarone chutou para fora de pé trocado. Não satisfeito, o autor da proeza, ainda acabaria sendo expulso...

O São Paulo acabou vencendo o Rio-Rita por 1x0, mesmo placar pelo qual venceu o “guri teimoso” em uma partida que foi melhor tecnicamente (o que não chega a ser uma grande façanha). Com as duas vitórias, o Leão (que ao mesmo tempo é Caturrita) classificou-se para a final do torneio e aguarda o vencedor do Rio-Rio. Será mais um clássico imperdível na próxima quarta-feira!
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Mídia, e o assassino e torturador que a Itália deu anistia?

E o mundo dos blogs continua dando olé no cartel da mídia tupiniquim. O blog Abobrinhas Psicodélicas acaba de publicar fato que ajuda a entender a parcialidade da campanha italiana pela extradição de Cesare Battisti, e de como o assunto tem que ser entendido pelo seu lado ideológico, onde nossa mídia afunda em deslavada torcida. No ano passado a justiça italiana deu asilo político ao militar uruguaio Jorge Troccoli, envolvido em mais de uma centena de assassinatos e torturas, participante ativo da “Operação Condor”. A justiça italiana usou como base jurídica um tratado assinado entre os dois países em 1879.

A mídia não pode dizer agora que nada sabia. Seus arquivos registraram a prisão, como aqui no Estadão. Apenas agora olham para o outro lado.

E viva a mídia do povo!
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As boas piadas dos portugueses

Culturalmente, o Brasil ainda está longe de estar conectado a um mundo dito globalizado, importador eterno das mesmas mercadorias, modismos e enlatados que aqui chegam pelas enormes vias abertas da nossa dependência. Continuamos de costas para o resto da América Latina. E da Europa só nos chegam os rebutalhos, tal como o modelo Big Brother. Ora pois, é sensacional que a internet traga novos produtos, como o inteligente Programa do Aleixo, criação de três patrícios portugueses, que do YouTube ganhou a TV e já começa a ser conhecido além mar.

É um humor minimalista, nonsense, feito com recursos simples de edição e computação gráfica. Os diálogos são hilários. Pedro Aleixo é meio cachorro, meio urso, quase um ewok de Guerra nas Estrelas. Na TV, o programa passou a contar com uma estrutura de talk-show, sempre com Bruno Aleixo e Busto, uma escultura falante de Napoleão. Ao final, os dois ao piano cantam músicas conhecidas. Sugiro começar por conhecer a série da Escola do jovem Bruno, ou a sensacional partida de Street Figher.

Outra quase piada é o lançamento tardio no Brasil de “O homem que roubou Portugal”, do inglês Murray Teigh Bloom, originalmente de 1966. Conta a história verídica do português Artur Virgílio Alves dos Reis, um dos maiores falsários do mundo. Depois de falsificar diploma de engenheiro formado em Oxford, por escola politécnica inexistente, segue carreira de agressivo player capitalista, comprando e vendendo empresas com o dinheiro dos outros. Mas seu grande e definitivo golpe, onde ficou conhecido, e motivo de sua prisão, foi usar de cúmplices nas elites, documentos falsificados e muita lábia para encomendar a impressão de 200 mil notas de 500 escudos na Waterlow and Sons Limited, de Londres, a empresa impressora do dinheiro português. As cédulas, com a figura de Vasco da Gama, representavam 1% do PIB português, o que levou o país à lona.

Como se vê, Madoff e Daniel Dantas tiveram bons professores.
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Avanço na distribuição de renda: Classe C continua em expansão

A notícia que não ganhará as primeiras páginas dos jornais. Uma pesquisa inédita do Centro de Políticas Sociais da FGV/RJ que será lançado na quarta-feira próxima mostra que a Classe C – a classe média emergente – continua em expansão. Em dezembro, a Classe C atingiu 53,8% do total de brasileiros das seis maiores regiões metropolitanas do país, contra 51,8% no final do ano passado.

O dado é expressivo, principalmente porque as Classes A e B também ficaram maiores: eram 14,76% da população em dezembro de 2007 e passaram para 15,33%. Por óbvio, as Classes D e E ficaram menores. O desafio é manter o país crescendo em 2009, mesmo que a um ritmo menor, em razão da crise que atingiu fortemente os países centrais. O governo Lula tem sido pró-ativo nesse sentido, seja com as obras do PAC, que foi incrementado, ou com o Plano Nacional de Habitação, que pretende construir 500 mil moradias populares e facilitar a compra da casa própria pela classe média.

Além disso, para continuar avançando, é urgente a redução dos spreads cobrados pelos bancos nos empréstimos. O Banco Central passou a divulgar em seu site os juros cobrados pelos bancos, o que estimula a concorrência. O governo Lula tem forçado o Banco do Brasil e a Caixa a baixar as taxas de juros, ou seja, os spreads. É uma ação que pretende forçar os bancos privados a reduzir também seus spreads. Mas são medidas ainda tímidas. Os bancos brasileiros precisam aprender a ganhar dinheiro elevando o volume de empréstimos, o que requer redução dos spreads, e não ficar especulando ou cobrando juros exorbitantes de parcela da população que acabam precisando recorrer aos bancos. A redução dos spreads eleva o volume de empréstimos, reduz a inadimplência e mantém a roda da economia girando. Todos no final saem ganhando. É uma mudança comportamental necessária para o nosso sistema bancário. 

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Bolsa família e a qualificação de trabalhadores

Ao contrário dos que alguns pensam, a população é sábia: elege para o governo o melhor que dispõe e os demais para a oposição política. Claro que a regra vale apenas no atacado, pois no varejo pode haver erros de cálculo. A notícia de que o governo lançou um programa de qualificação para os beneficiários do Bolsa Família foi mais uma prova do compromisso político de elevar os níveis de renda dessa população, combatendo a extrema desigualdade existente no Brasil. Inicialmente, a imprensa partiu para cima do ministro Patrus Ananias, denunciando que o programa não tinha atingido seu objetivo, pois houve pouca inscrição para os cursos de qualificação. O primeiro efeito saiu pela culatra: deu visibilidade a uma ação do governo que não estava devidamente divulgada. O segundo, surge agora, o Ministério do Desenvolvimento Social começa a fechar parcerias para os cursos, reconheceu os equívocos que provocaram a baixa adesão do programa, e tudo começa a entrar nos eixos.

O resultado já começa a aparecer. Cerca de 10 mil beneficiários do Bolsa Família devem passar por um programa de capacitação para trabalharem na construção civil, operação de máquinas e em elétrica e mecânica. Isso porque o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome assinou ontem (dia 05/02) convênio com a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) para utilizar o Programa Acreditar - que já é desenvolvido pela companhia para ensinar os trabalhadores das obras da Usina de Santo Antônio, em Rondônia - para capacitar os beneficiários do principal programa de transferência de renda do governo.

Claro, a oposição esperneia, faz barulho, tenta ganhar no grito. Não era de esperar uma reação muito diferente por quem propaga aos quatro ventos que o governo é ruim, ainda mais um elogio pela ação do governo. Também fica cada dia mais evidente que a maioria da população não está nem aí para o que diz a oposição, e o governo segue cada dia mais bem avaliado (é só ver a última pesquisa Census, Lula 84% de aprovação). Segundo a oposição, qualquer ação do governo, por melhor que seja para a população, é sempre com o objetivo para eleger o sucessor (a) do presidente Lula. Coisa mais óbvia, o estranho é se o governo preferisse ser derrotado nas próximas eleições. Mas o papel do governo é governar, é para isso que é eleito, e o papel da oposição é cobrar, ou melhor, estrondar a boca do trombone. Só que uma oposição inteligente tem que saber a hora de gritar para não dar um tiro no próprio pé. Caso o cobiçado senhor (a) eleitor (a) desconfie que o grito da oposição é sinal de que ela não preocupa com suas demandas, o eleitor (a) pode resolver deixá-la no mesmo lugar, ou seja, na oposição.

Nota: O programa de qualificação dos beneficiários do bolsa família é mais uma prova da excelente gestão do mineiro Patrus Ananias à frente do Ministério do Desenvolvimento Social. Meus parabéns ao ministro.
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