Entre Davos e Belém



O sociólogo francês Alain Touraine, 83 anos, diretor de pesquisas da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (Paris), é um dos grandes nomes das ciências sociais contemporâneas. Bastante conhecido no Brasil, tem vários de seus livros aqui publicados, como Crítica da modernidade, Poderemos Viver Juntos? e O novo paradigma. A América Latina e a história brasileira sempre estiveram no centro de suas preocupações, assim como os movimentos sociais. Touraine defende a prevalência da liberdade sobre os determinismos e postula a “ação social” como fulcro da sociologia, com o que tem se mantido atento a tudo que diga respeito aos distintos sujeitos sociais da modernidade atual.

No último dia 1 de fevereiro, Touraine concedeu extensa entrevista a Laura Greenhalgh e Ivan Marsiglia, do jornal O Estado de S. Paulo (Caderno Aliás), na qual foi convidado a falar sobre a crise mundial e os recentíssimos fóruns de Davos e Belém. Seu diagnóstico insiste na gravidade da crise, cujo eixo repousaria numa crescente separação entre economia e política: “após um período inicial de desenvolvimento, o sistema financeiro se descolou completamente do corpo da economia, para atuar num campo fora das possibilidades de ação social e coletiva, campo este onde ele poderia ser reequilibrado e corrigido”. Em decorrência, a desigualdade social aumentou generalizadamente e a regulação se tornou quase que impossível.

Em que pese sua convicção de que a “ação da sociedade” é a chave para a modelagem de qualquer sistema social, Touraine não acredita que ela tenha se estruturado de modo suficiente, a ponto, por exemplo, de moderar e disciplinar o mercado. Na sua opinião, é preciso investir em política: “não adianta apenas reforçar partidos e Parlamentos. Claro, eles são importantes e têm sua função no mundo da economia moderna, mas é vital reinventar instâncias de contestação e criar um movimento de opinião pública forte. Aí está a força da política”.

No segundo semestre de 2008, Touraine publicou um livro reunindo diversos “encontros por escrito” que manteve com Ségolène Royal, ex-candidata do Partido Socialista francês à Presidência. O título escolhido – Si la gauche veut des idées [Se a esquerda quer idéias] – é bem indicativo de suas preocupações atuais.

A íntegra da entrevista, bastante interessante, pode ser lida aqui.

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Essa rivalidade não vem de hoje...

Vamos combinar o seguinte: sou latino, não guardo desaforos, estou mordido com o que tenho lido da reação da direita sobre a decisão do governo brasileiro sobre Cesare Battisti. É tanta bobagem, campanha vil, que é impossível não perder a linha. Este blog já se manifestou aqui, aqui e aqui sobre o assunto, e imaginava o suficiente. Vamos agora engrossar:

A tese do DEM sobre os boxeadores cubanos já foi pro espaço. Encheu o saco até o ministro ter que perguntar a imprensa sobre o que desejavam, que prendessem os caras por desejarem ir para a Alemanha ganhar dinheiro. Chega! Para isso creio que bastam poucos neurônios para pescar a maldade.

Mas sobraram especialistas no processo de Battisti. Mino Carta é um deles. Sua nacionalidade falou mais alto, e desandou a tentar provar, tal como apaixonado e obtuso torcedor do Fiorentina, que Battisti é mero bandido. Seu erro. Na última Carta Capital culpa Battisti pelo assassinato do joalheiro Pierluigi Torreggiani, em 1979. Talvez falte a ele ler os próprios jornais paulistas. Na Folha, em 17/1/2009, o filho de Torreggiani, que estava presente no dia do assassinato de seu pai, e que ficou paraplégico por uma bala naquele dia, em entrevista disse coisa diferente:

“FOLHA - Battisti participou?
TORREGIANI - Desse crime não. Mas, segundo um de seus ex-companheiros, foi o mandante. Nesse dia, participou de outro assassinato.”

Venham cá. Que isso? Nosso governo analisou durante mais de ano o processo, suas falhas e o desejo da parte escrota da Itália em ver na prisão quem militou contra os mauricinhos fascistas de lá. E agora, aqui, tentam aproveitar mais um momento para nos colocar como terceiro mundo, atrasado? No rabo! Aliás, país em desenvolvimento por país em desenvolvimento, estamos melhores.

E, gota d’água, li hoje nossos jornais se aliando a um fascista como Ettore Pirovano, do partido conservador Liga Norte, que tem retrato de Mussolini na sala, dizer:

- Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas.

Vão à merda! Aguentei até onde foi possível. Se temos dançarinas é por existir um monte de italianos que aqui fazem turismo sexual, por não conseguirem algo melhor na Itália. E se lá tem travestis brasileiras é por terem demanda para "algo" que procuram e gostam. Deveriam ficar calados agora tendo um presidente tão imbecil que come meleca em público. Um Silvio Santos presidente, por favor. Italianos nada têm de melhor que brasileiros. Apenas nos dão algumas alegrias vez ou outra, por sua enorme incompetência. E vai, então nos lembremos de Monte Castelo, se não fossem nossos bravos pracinhas, sabe-se lá como esses carcamanos mafiosos estariam. Aliás, quem sabe se esses caras, assim como Carla Bruni, também não têm um pai brasileiro?

Sim, são absolutamente rancorosas e quase baixarias meus desabafos. Mas e o que tem sido dito pelos italianos, que se prestam ao papel de ter seu chanceler dizer que “um terrorista solto nas ruas do Rio não atrairá turistas” não tem sido muito diferente. E italianos pedófilos na praia de Copacabana, nós dispensamos, obrigado.

Vão se foder!!!
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Hasta la vista, baby


I'll be back!
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And the winner is...

Encerrada a pesquisa para a escolha do nome do novo instrumento voador de Yeda. Em uma emocionante virada, Avia Crusis superou o favorito Aerolouca, vencendo a votação com 34% dos votos contra 30% do segundo colocado. Vassoura da Bruxa também fez bonito, mas, como o Rigotto e a Manuela, ficou apenas em terceiro lugar...

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O fetiche da mercadoria e o futuro do papel

Li hoje na internet que a Amazon.com cresceu 35,5% em 2008, inclusive com aumento de 6.7% no último trimestre em relação a 2007. Não sei o que os jornalões dirão amanhã, já que suas páginas estão dedicadas apenas a falar sobre as empresas que perdem e demitem, que a crise vai nos pegar, cuidado!. Achei intrigante. A notícia na Abril tem uma justificativa para o desempenho que surpreendeu analistas: o seu treco leitor, o Kindle, que permite baixar livros online por preços bem abaixo dos impressos, possível tecnologia que salvará as árvores de virarem bibliotecas no futuro. A trosobinha eletrônica, que guarda até 200 livros, está esgotada. A empresa promete nova versão para fevereiro, mas até onde sei, não foi esse o motivo principal dos números da Amazon. A Sony tem sua versão de leitor de e-book desde 2006, sem grande sucesso.

No Globo de hoje, quinta-feira, matéria de capa do Segundo Caderno conta o que é o Kindle e discute seu futuro. Entrevista Chintia Portugal, relações-públicas da Amazon, que é enfática ao dizer que as próximas gerações lerão apenas em formato digital. Já os leitores do Globo, nos comentários da matéria, estão divididos. Entre os entusiastas que já usam o trem e os céticos, que gostam do cheiro do papel e querem manter sua biblioteca em pesadas estantes, nem que compradas à metro.

Uma primeira reflexão é pensar que há muito a indústria pensa em produzir este tipo de artefato, mas sem conseguir montar um bom plano de negócios. Em 1981, há quase 30 anos, a Knight-Ridder, uma das corporações que monopolizam o mercado de mídia americano, pensou que tinha aí uma grande oportunidade. Nomeou Roger Fidler, jornalista, designer, autor de Mediamorphosis, como gestor de um enorme projeto que iria acabar, não com os livros, mas com os jornais. Seria um tablet, um leitor que seria alimentado por cartões comprados em bancas. Claro, não deu certo. Queriam um projeto proprietário, não rolou. Isso em época em que a internet estava no maternal, e ainda jogávamos Atari.

Como fica esse futuro, que aparentemente teima em chegar?

Meus palpites:

Do meu ponto de vista proleta esta tecnologia seria o melhor dos mundos. Eu não quero continuar abarrotando meu pequeno apartamento com um monte de livros. Há muito adoraria viver em um lugar onde a educação fosse levada à sério, com bibliotecas eficientes que me emprestassem o que desejo ler. Podendo ter acesso de forma digital ao que desejo, com confortável leitura, é tudo o que quero. Há infinitas obras que não podem ser impressas ou reimpressas por custos de demanda. Quantos novos autores não poderiam alcançar seu público? Quantas obras raras não poderiam ficar disponíveis? O custo de um livro implica papel, tiragem mínima. A obra digital gasta apenas em digitalização. Imaginem as maiores bibliotecas do mundo disponíveis. Imaginem os estados investindo no lugar de prédios para bibliotecas para guardar papel.

Temo que o capitalismo ainda levará um tempo para montar seu “business plan”, como dizem os mauricinhos que gostam do inglês para explicar o mundo. Terão que vencer os mesmos desafios que a indústria fonográfica. Enfrentarão a pirataria. Como?

Mas, fundamentalmente, o problema é que eles não querem nos dar o que desejamos, apenas o que estamos dispostos a pagar.

Acho que ainda vai demorar.

Em tempo: Já que estamos falando de mídia, no próximo dia 4 de fevereiro o 1º Juizado Especial Federal de São Gonçalo emitirá sentença contra Graça Rocha, da rádio comunitária Novo Ar, por infração ao artigo 70 da lei 4117/62: “Constitui crime punível com a pena de detenção de um a dois anos, aumentada da metade se houver dano a terceiro, a instalação ou utilização de telecomunicações, sem observância do disposto nesta Lei e nos regulamentos”.

A lei determina pesadas restrições para quem deseja usar de telecomunicações, não importa com quais objetivos. Infelizmente Graça não ganhou uma concessão de rádio, tal qual muitos empresários e bispos de igrejas ganharam por servirem aos interesses das elites que ocuparam o estado brasileiro. Estado que usou tal direito como mera mercadoria em troca de interesses.

Graça apenas quer ir ao ar em sua comunidade. E nós, do povo, que pagamos nossos impostos, que alimentamos o estado e sua justiça, queremos ouvi-la. A ela damos este direito.

Todo o nosso apoio a sua rádio!
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