Economia da má fé

Um ótimo artigo de Krugman acerca das críticas de setores conservadores às políticas de Obama. Os adversários do plano de Obama contra a crise usam a má-fé. No Brasil, por exemplo, teve colunista que criticou as medidas de Obama sem mesmo conhecê-las. Segue o artigo publicado originalmente no sítio do Terra Magazine.

Paul Krugman

Do New York Times
À medida que se inicia o debate sobre o plano de incentivo da economia do Presidente Barack Obama, uma coisa é certa: Muitos dos oponentes do plano não estão argumentando com boa fé. Os conservadores não querem, e não querem mesmo, ver um segundo New Deal e certamente não querem ver o ativismo do governo reconhecido. Então, eles estão pegando qualquer vareta que conseguem achar com a qual possam derrubar propostas para um aumento nos gastos públicos.

Alguns destes argumentos são zombarias óbvias. John Boehner, o líder das minorias da Câmara dos Representantes, já fez parte das manchetes com esta tirada: Olhando para um plano de US$800 bilhões para reconstruir infra-estrutura, manter serviços essenciais e outros, ele ridicularizou uma cláusula que aumentaria os serviços de planejamento familiar da Medicaid - e chamou-a de um plano para "gastar centenas de milhões de dólares em anticoncepcionais".
Mas as zombarias óbvias não representam tanto perigo aos esforços da administração de Obama para fazer com que um plano supere os obstáculos quanto os argumentos e declarações que são igualmente fraudulentas, mas possam parecer plausíveis na sua superfície para aqueles que não saibam se virar com números e conceitos econômicos. Então, como um serviço público, deixe-me tentar desmascarar alguns dos maiores argumentos antiincentivo que já surgiram. Toda vez que você ouvir alguém citando um destes argumentos, escreva a ele ou ela para chamá-lo de propagandista desonesto.

Primeiro, há o tema de discussão fictício de que o plano de Obama custará US$275.000 por emprego criado. Por que é fictício? Porque envolve tomar o custo de um plano que se prolongará por vários anos, criando milhões de empregos a cada ano, e dividi-lo pelos empregos criados em apenas um destes anos.

É como se um adversário do programa de almoço da escola tomasse uma estimativa do custo daquele programa pelos próximos cinco anos, então o dividisse pelo número de almoços oferecidos em apenas um destes anos e afirmasse que aquele programa era muito esbanjador, porque ele custa US$13 por almoço. (O custo real de um almoço escolar grátis, falando nisso, é de $2,57.)

O custo real por emprego do plano de Obama provavelmente estará mais perto de US$100.000 do que US$275.000 - e o custo líquido será de apenas US$60.000, uma vez que você leve em consideração o fato de que uma economia mais forte significa maior renda com impostos.
Em seguida, escreva para qualquer um que afirme que é sempre melhor reduzir impostos do que aumentar os gastos públicos, porque os contribuintes, não os burocratas, são os melhores juízes de como gastar o seu dinheiro.

Aqui está como pensar sobre este argumento: Ele implica que devemos desligar o sistema de controle de tráfego aéreo. Afinal de contas, aquele sistema é pago com taxas nas passagens aéreas - e certamente seria melhor deixar o povo que viaja manter o seu dinheiro ao invés de entregá-lo para os burocratas do governo. Se isto significasse muitas colisões no ar, bem, estas coisas acontecem.

O propósito é que ninguém realmente acredita que um dólar de redução de impostos é sempre melhor do que um dólar de gastos públicos. Enquanto isto, está claro que quando se trata de incentivo econômico, os gastos públicos oferecem muito mais retorno do investimento do que reduções de impostos - e portanto custa menos por emprego criado (veja o argumento fraudulento anterior) -, pois uma grande parcela de qualquer redução de impostos será simplesmente economizada.

Isto sugere que os gastos públicos, ao invés da redução de impostos, deveria ser o centro de qualquer plano de incentivo. Mas ao invés de aceitar aquela implicação, os conservadores buscam refúgio em um argumento absurdo contra o gasto público em geral.

Por fim, ignore qualquer um que tente fazer alguma coisa com o fato de que o principal consultor econômico tenha, no passado, favorecido políticas monetárias ao invés das políticas fiscais como uma resposta a recessões.

É verdade que a resposta normal a recessões seja reduções na taxa de juros por parte da Reserva Federal, não gastos públicos. E esta poderia ser a melhor opção neste momento, se estivesse disponível. Mas não está, porque estamos em uma situação não vista deste a década de 1930: As taxas de juros que a Reserva Federal controla já estão efetivamente em zero.

É por isso que estamos falando de incentivo fiscal em larga escala: É o que resta no arsenal de políticas, agora que a Reserva Federal gastou a sua munição. Qualquer um que citar argumentos velhos contra incentivos fiscais sem mencionar que ou não sabe muito sobre o assunto - e, portanto, não tem assunto para trazer ao debate - ou está sendo deliberadamente tacanho.

Estas são apenas alguns dos argumentos antiincentivo essencialmente fraudulentos por aí. Basicamente, os conservadores estão jogando qualquer dificuldade que conseguem contra o plano de Obama, esperando que alguma delas funcione.

Mas sabe de uma coisa: A maioria dos americanos não está ouvindo. A coisa mais animadora que ouvi nos últimos tempos foi a resposta de Obama divulgada às objeções republicanas quanto a um plano econômico orientado a gastos: "Eu venci". Ele realmente venceu - e deveria desconsiderar os esperneios daqueles que perderam.

Paul Krugman é economista, professor da Universidade de Princeton e colunista do The New York Times. Ganhou o prêmio Nobel de economia de 2008. Artigo distribuído pelo New York Times News Service.
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E Catanhêde lembra que a democracia é um perigo

Nossa mídia mauricinha continua as exéquias sobre sua derrota no referendo boliviano. Destacam, em previsibilidade de informação, títulos como “metade do país está descontente”, “líderes de Santa Cruz rejeitam texto”. Mas, nada foi tão representativo do chororô quanto a opinião de Eliane Cantanhêde na Folha de hoje.

Ela dá importância às palavras de Enrique Iglesias, atual secretário-geral ibero-americano, que demonstra preocupação com as 14 eleições presidenciais na América Latina que ocorrerão nos próximos 3 anos. Chega a concluir: “E eleições provocam tentação populista”.

Pronto, nada mais explícito. Iglesias descobriu o problema, e Cantanhêde achou importante alertar: é a democracia. Se a AL continuasse com seus fiéis ditadores, seguindo as ordens da matriz, não haveria perigo agora. Viveríamos com a certeza do futuro, tal como ainda existe no Egito, onde Hosni Mubarack há 30 anos mantém a ferro e fogo a oposição distante para fazer a política dos EUA e a de Israel, nunca lembrado pela nossa mídia como ditadura, apenas como “fator de equilíbrio” na região.

E a jornalista ainda tenta raciocínio com a cabeça do espanhol: “Populismo com dinheiro público é sempre preocupante, mas pode ter consequências dramáticas se combinado com crise econômica”. E o cita para alertar que nas crises não há como fazer política compensatória para com o andar de baixo, apenas nos momentos de bonança, tem que crescer o bolo para dividir. Blá, blá, blá...

Faltam lições de história para a jornalista. E menos cara de pau para o ex-diretor do BID. Deveriam lembrar que o decantado “new deal” de Roosevelt, agora tão lembrado pela mídia, tinha como um dos seus principais pontos a política compensatória, com a ajuda direta aos necessitados em um de seus 3 erres: Relief, Recovery e Reform (auxílio, recuperação e reforma). Claro que à época o baronato americano reclamou auxílio apenas para si, suas fábricas, bancos e estradas, não para a “gentalha”, que ganhava seus “bolsas-família”, auxílios para a moradia etc. Mas foram derrotados e Roosevelt salvou o capitalismo da burrice de seus players.

A jornalista e a mídia da colônia falam agora até de um novo “new deal”, mas seguindo a tradição do pedaço, sem concessão ao gentio. Talvez o modelo da vez seja o Mubarack.
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Homenagem ao Projeto Pontal do Estaleiro




Para homenagear o projeto Pontal do Estaleiro, nada melhor do que um sucesso do YouTube!
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Fogaça paz e amor...e continua com a "cara da cidade"!



A lamentável vitória de Fogaça à Prefeitura de Porto Alegre no final de 2008, expõe a incapacidade da classe média da capital, ser "protagonista de suas próprias conclusões " com relação a avaliações sobre as ações da administração Fogaça&Eliseu Santos. Aquela coligação passou quatro anos "arrumando a casa".

Ao assumir, Fogaça já sinalizava com cortes nas secretarias para preparar a cidade para a crise. Mais uma vez, a cidade jogou o voto pelo esgoto!

Porto Alegre é um "lixo"!
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Charge de Eugênio Neves sobre a desinformação...

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