A crise da mídia

A sentença do juiz De Sanctis marca mais um capítulo das infâmias recentes do cartel midiático brasileiro. A imprensa foi participante ativa do massacre ao juiz, junto a parlamentares e ao presidente do STF. A opinião pública saiu majoritariamente com a alma lavada. Não entrou no jogo e comemorou a decisão. Esta nova derrota, que soma às variadas tentativas frustradas de organizar oposição ao atual governo, leva às inevitáveis reflexões sobre o papel da mídia, sua atual força e sua notória crise. E são nestas dificuldades econômicas onde há algo a ser pensado, que talvez ajude a melhor explicar tantos desastres.

Vale agora a releitura de um texto de março de 2004 do professor Guastavo Gindre, membro do Comitê Gestor da Internet do Brasil. Nele, um bom relato das dificuldades da mídia para entender a mudança de seus negócios, os erros praticados e a tentativa de pressionar o Estado para salvar suas empresas. Em um resumo da ópera: durante o governo FHC, certamente alertados por seus consultores, as empresas de comunicação entenderam que no breve futuro celulares falariam com as TVs, os jornais em papel perderiam força, a internet chegaria a muitos e tudo iria mudar em sua forma de fazer negócios. Convergência era palavra nova. Tomaram várias decisões. A Folha criou o UOL, em parceria com a Abril, depois com a Portugal Telecom. O Estado de São Paulo investiu na BCP, de telefonia celular, assim como a RBS se associou à Telefônica de Espanha. A Abril investiu em provedor de acesso, portais temáticos, canais de televisão paga, etc. A Globo diversificou indo da eletrônica (NEC) à transmissão de dados (Vicom), passando por pager, TV a cabo e Internet. Neste mundo novo, nem tudo deu certo, com micos notórios, que foram somados às dívidas anteriores, em dólar, resultado de outros erros de avaliação. Talvez tenham lido e acreditado na Miriam Leitão, prata da casa, paciência.

O resultado foi um rombo de R$ 10 bilhões no setor, onde a Globo detinha 60%. Isto em um cenário de perda de publicidade e queda de circulação de seus impressos. Para se ter uma idéia do estrago, em abril de 2007 o ex-ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, em entrevista ao Observatório da Imprensa, reproduzida no Vermelho, dizia: “Os três grandes jornais perderam nos últimos cinco anos aproximadamente um terço da circulação. Isso equivale a dizer que um deles já teria acabado”.

Mas, para efetivamente entender o ponto: assim que o governo Lula tomou posse, os representantes do setor formalizaram em Brasília um pedido de ajuda. Chegaram à época comentar algo em torno de R$ 2 bilhões, dinheiro via BNDES. O que nunca aconteceu. O resto da história fica agora melhor conhecido.
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A fórmula

Assistir aos telejornais pode ser uma experiência transcendental. Tive uma verdadeira revelação durante o Jornal da Globo do dia 2 de dezembro de 2008, quando a apresentadora fez a chamada das matérias da edição:

-A expectativa de vida dos brasileiros aumentou. Mas poderia ser ainda maior, não fossem as mortes violentas.

Que análise profunda! Dito de outro modo, se eliminarmos as mortes violentas, os brasileiros viverão mais. E, seguindo o raciocínio, ao eliminarmos também as não-violentas, viveremos para sempre! Genial! Graças ao Jornal da Globo, descobri a fórmula da imortalidade: basta não morrer.
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O fechamento da Tribuna da Imprensa

É uma pena, sou leitor diário do Helio Fernandes, o acho mais interessante que uma penca dos colunistas de nossa mídia. Mas o fato é que o fechamento do jornal era esperado há muito. A Tribuna é o diário carioca com o maior índice de ações trabalhistas, mesmo com uma redação menor que a de seus concorrentes. Há dívidas diversas com fornecedores. Segundo o sindicato dos jornalistas do Rio, a empresa sempre foi mal administrada, vivendo apenas pelo personalismo de seu dono. O que Hélio agora deseja é receber uma indenização pelas perseguições durante a ditadura, recebendo um troco para pagar fornecedores e possivelmente a alguns funcionários. Dificilmente resolvendo em definitivo o problema do jornal. O que é uma pena. O Rio já teve diversos diários, alguns extremamente combativos. O fechamento da Tribuna parece enterrar de vez a possibilidade de haver alguma opção ao cartel midiático.

Ps: A empresa declarou que pretende continuar na internet. Conseguindo, será talvez um forte sinal da chegada do futuro na mídia brasileira.
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