Justiça tucana tira blog do ar

O blog Flit Paralisante, do delegado Roberto Conde Guerra, líder da greve da polícia civil de São Paulo, foi tirado do ar na última sexta, por decisão da justiça paulista. A mídia, que foi avisada no próprio dia, omitiu totalmente o fato em seus noticiários. Esta mídia não se importa que a decisão do juiz Davi Capellato golpeie frontalmente a Constituição da República no direito à livre expressão. Logo ela que vive se fazendo de vítima de censura quando a sociedade lhe cobra ética e princípios no seu trabalho. Como a censura é a um blog, de um inimigo de seu candidato à presidência, vale a punição.

Esta é a nossa justiça, sempre aliada aos interesses das elites e contra o povo. Na última eleição legislou para o poder econômico, contra o debate de idéias. Agora, revive as táticas da ditadura.

Mas, como sempre, a direita é burra. O juiz está desde a sexta emitindo novas sentenças contra o Google, pelo simples fato que muitos ajudam o delegado, recuperando textos do cache do blog censurado e criando outros.

O tucanato sabe tudo do pior da ditadura, mas não conhece o poder da internet.

Todo apoio ao delegado censurado!
Censura a internet NÃO!

PS: Alguns links que estão mantendo o blog no ar, enquanto a justiça tucana tenta impedir:

www.flit-paralisante.blogspot.com
www.flitparalisante.wordpress.com


O assunto foi noticiado pelo Rodrigo Vianna ontem, segunda, e reproduzido hoje no Vermelho.

A decisão do juiz, sobre a tentativa de proibir outros blogs com o mesmo conteúdo, é um primor de estupidez. Lembra as mais notórias asneiras da censura da ditadura militar. Vejam aqui.
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A entrevista de José Dirceu

Achei louvável a Carta Capital ter entrevistado José Dirceu em sua última edição. Depois de Mino Carta e Dirceu terem publicamente divergido por episódio sobre um encontro, suas interpretações, negações, em quantos toques foi combinada uma resposta, depois mudada etc, fazer uma entrevista onde todas as mesmas e severas acusações são feitas, permitindo sua defesa, é digno do melhor jornalismo. E o resultado é concreto, muito além das limitadas análises sobre se entre entrevistadores e entrevistado houve vencedores. O que fica evidente na entrevista, muito além das especulações sobre culpabilidade, é a enorme capacitação política de José Dirceu, sua notória expertise em negociação, que agora se volta apenas para o mundo dos negócios, onde é acusado de ter relações com Daniel Dantas, o que nega. Que valor é esse que julga um dos melhores quadros políticos brasileiros, que amarga uma das mais venais perseguições políticas? Que está inelegível por decisão de comissão do Congresso, acusado sem provas por parlamentar que também foi condenado. Que teve sua vida devassada pela justiça. Exposto à execração pública pela mídia, partidária e atuante ao lado dos setores mais atrasados do país. O resultado é vergonhoso. Aqui, mostrei um vídeo onde José Dirceu é hostilizado ao votar nas últimas eleições municipais. Contraditoriamente, Paulo Maluf, condenado pela justiça, réu em mais de uma centena de processos, candidato a prefeito, votava sem constrangimentos. É crime tal uso da mídia. E maior incômodo reside no fato de vermos setores da própria esquerda chafurdarem no mesmo conto do vigário. Ingenuidade? Até há. Mas, infelizmente, maldade também. Uma pergunta e resposta são esclarecedoras:

Carta Capital – Muitos petistas não gostam do senhor e dizem o oposto do que o senhor diz aqui agora. O senhor sabe, não?

José Dirceu – Infelizmente de maneira trágica, durante o caso que ficou conhecido como mensalão, usou-se a crise como instrumento de luta interna do PT. Num momento daquele, quando era preciso defender o partido, tentou-se dentro da legenda destruir algumas lideranças. Respondo pelo que fiz. Mas daí a quase se aliar aos algozes que nos acusavam para tentar alcançar a direção do partido foi muita hipocrisia.
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Exposição no T Cultural na Câmara de Vereadores de Porto Alegre

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Três reflexões sobre as eleições: Preconceito, conservadorismo e mídia

A idéia de colocar a culpa no suposto preconceito da elite paulistana à candidata Marta Suplicy não é boa explicação, pois não é verossímil. É claro que existem segmentos que podem trazer algum preconceito, mas nada que possa ser generalizado para a cidade de São Paulo. Afinal, a população paulistana quase a levou para o segundo turno na eleição para o Estado de São Paulo em 1998, elegeu Marta prefeita em 2000, e nas eleições de 2004 e 2008 levou sua candidatura para o segundo turno. Além do mais, como bem disse o Blog do Alon, que outra grande capital no país elegeu (i) uma assistente social vinda do interior da Paraíba (Erundina em 1988); (ii) um descendente de libaneses (Maluf); (ii) um negro vindo do Rio de Janeiro (Pitta); e (iv) uma mulher que se tornou famosa por apresentar um programa de orientação sexual na televisão numa época em isso era um escândalo (Marta). De fato, é uma explicação bastante simplória, e que escamoteia os erros que o PT e a campanha martista tiveram ao longo da eleição paulistana.

Uma outra explicação pouco feliz diz respeito ao suposto conservadorismo paulistano que impediria a vitória de uma candidata do campo de esquerda. As vitórias de Marta e Erundina desmentem ou, pelo menos, estão na contramão dessa versão. Além disso, como assinalou um leitor atento da blogosfera, José Márcio Tavares, numa mensagem que recebi por meio de e-mail, o Rio de Janeiro é considerado de esquerda e São Paulo de direita, mas a última vez que o Rio teve um candidato de esquerda no segundo turno foi na eleição de 1992, com Benedita da Silva (PT). Qual dessas cidades é mais conservadora mesmo? É uma observação pertinente, algo para refletir.

É importante assinalar que a questão da mídia permanece em aberto, e esta extremamente desfavorável à candidata petista. Na verdade, a grande mídia em geral, e a paulista em particular, travam batalhas constantes contra o campo mais à esquerda. No episódio que envolveu a suposta invasão da privacidade do candidato Kassab, a mídia teve uma reação desproporcional. Isso porque a mídia nunca teve zelo com a privacidade dos políticos ligados ao campo mais popular (e duvido que passará a ter). Segundo, é bom fazer uma comparação entre a escorregada da campanha martista e as escorregadas do candidato do PV à prefeitura do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira (este apoiado pela mídia). Gabeira mostrou desprezo para com a população do subúrbio quando disse que a vereadora tinha uma visão suburbana. Ele não atacou apenas a vereadora eleita, mas os eleitores e moradores das regiões pobres do Rio. Em outra ocasião, o candidato também atacou ao mesmo tempo três símbolos do carioca: a feijoada, o samba e o carnaval. O Biscoito Fino e a Massa fez uma ótima análise sobre a candidatura verde trazendo esses elementos. E por fim, Gabeira deixou transparecer o preconceito com as regiões pobres mais uma vez, ao dizer que o prefeito não deveria ficar apenas no Rio, mas também na Zona Oeste (ou seja, o Rio para o Gabeira é apenas a Zona Sul, o resto é subúrbio).

No episódio de Marta, ela não aparece, nem houve sinais de que participou de alguma maneira da decisão de veicular o comercial de sua campanha. É óbvio que a responsabilidade é da candidata, porém é diferente quando isso vem do próprio candidato. Gabeira, por sua vez, é o principal ator dos seus escorregões, pois saíram de sua boca as palavras que mostraram preconceito ou desprezo com segmentos que são a maioria do eleitorado carioca, ou seja, a população do subúrbio e os amantes do samba, da feijoada e do carnaval. Porém, a mídia deu super exposição ao escorregão da campanha petista, taxando-a de preconceituosa, mas minimizou aqueles do Gabeira. Imaginem se Gabeira fosse candidato pelo PT? Ou se fosse Marta que tivesse professado aquelas palavras? No fim, Gabeira foi vendido pela mídia como o candidato moderno, de uma nova forma de fazer política (isto é, o PSDB, DEM e PPS, a centro-direita), e Marta como a preconceituosa. Mais uma vez, dois pesos e duas medidas, a tão propalada indignação seletiva. Dizem que o Gabeira saiu da eleição com uma vitória moral, enquanto Marta saiu menor que entrou na campanha. Pode ser verdade, mas o papel que desempenhou a mídia na construção (Gabeira) e destruição (Marta) da imagem do candidato foi fundamental.

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Aldir Blanc.

Aldir Blanc, 62 anos, médico psiquiatra, cronista, compositor, carioca do Estácio, vascaíno. Múltiplas definições para uma personalidade única. Como se não bastasse ter composto algumas das melhores letras da música brasileira dos últimos 40 anos – “O Bêbado e a Equilibrista”, “O Mestre-Sala dos Mares”, “Querelas do Brasil”, “Saudades da Guanabara” – disse recentemente uma frase definitiva: “Prefiro ir para a segunda divisão com o Roberto Dinamite, do que ficar na primeira com o Eurico”. Seus sambas-crônicas bem humorados são verdadeiras aulas sobre como se escrever uma letra simples e sem firulas, mas ao mesmo tempo irretocável. Além disto, sabe como ninguém escolher os seus parceiros musicais: João Bosco, Guinga, Maurício Tapajós, Moacyr Luz e tantos outros. Enfim, um craque! Destaco abaixo duas das suas letras que estão entre as que mais gosto: a primeira – “Catavento e Girassol” – por motivos, não nego, essencialmente sentimentais; a segunda – “A nível de” – por ser uma genial e engraçadíssima crônica de costumes.

Catavento e Girassol
(Guinga - Aldir Blanc)

Meu catavento tem dentro o que há do lado de fora do teu girassol
Entre o escancaro e o contido, eu te pedi sustenido e você riu bemol
Você só pensa no espaço, eu exigi duração
Eu sou um gato de subúrbio, você é litorânea

Quando eu respeito os sinais vejo você de patins vindo na contramão
Mas quando ataco de macho, você se faz de capacho e não quer confusão
Nenhum dos dois se entrega, nós não ouvimos conselho
Eu sou você que se vai no sumidouro do espelho

Eu sou do Engenho de Dentro e você vive no vento do Arpoador
Eu tenho um jeito arredio e você é expansiva, o inseto e a flor
Um torce pra Mia Farrow, o outro é Woody Allen
Quando assovio uma seresta você dança havaiana

Eu vou de tênis e jeans, encontro você demais, escarpin soireé
Quando o pau quebra na esquina, cê ataca de fina e me ofende em inglês
É fuck you, bate bronha e ninguém mete o bedelho
Você sou eu que me vou no sumidouro do espelho

A paz é feita num motel de alma lavada e passada
Pra descobrir logo depois que não serviu pra nada
Nos dias de carnaval aumentam os desenganos
Você vai pra Paraty e eu pro Cacique de Ramos

Meu catavento tem dentro o vento escancarado do Arpoador
Teu girassol tem de fora o escondido do Engenho de Dentro da flor
Eu sinto muita saudade, você é contemporânea
Eu penso em tudo quanto faço, você é tão espontânea

Sei que um depende do outro só pra ser diferente, pra se completar
Sei que um se afasta do outro, no sufoco, somente pra se aproximar
Cê tem um jeito verde de ser e eu sou meio vermelho
Mas os dois juntos se vão no sumidouro do espelho

A nível de
(João Bosco e Aldir Blanc)

Vanderley e Odilon
são muito unidos
e vão pro Maracanã
todo domingo
criticando o casamento
e o papo mostra
que o casamento anda uma bosta...
Yolanda e Adelina
são muito unidas
e se fazem companhia
todo domingo
que os maridos vão pro jogo.
Yolanda aposta
que assim a nível de Proposta
o casamento anda uma bosta
e a Adelina não discorda.
Estruturou-se um troca-troca
e os quatro: hum-hum... oqué... tá bom... é...
Só que Odilon, não pegando bem a coisa,
agarrou o Vanderley e a Yolanda ó na Adelina.
Vanderley e Odilon
bem mais unidos
empataram capital
e estão montando
restaurante natural
cuja proposta
é cada um come o que gosta.
Yolanda e Adelina
bem mais unidas
acham viver um barato
e pra provar
tão fazendo artesanato
e pela amostra
Yolanda aposta na resposta.
E Adelina não discorda
que pinta e borda com o que gosta.
É positiva essa proposta
de quatro: hum-hum... oquéi... tá bom... é...
Só que Odilon
ensopapa o Vanderley com ciúme
e Adelina dá na cara de Yoyô...
Vanderley e Odilon
Yolanda e Adelina
cada um faz o que gosta
e o relacionamento... continua a mesma bosta!
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