Serra em transe



Ontem fui aos chopes e encontro a dupla de quem ouvi a conversa sobre a demissão de Paulo Henrique Amorim. Desta vez, desavergonhadamente, me convido a sentar na mesa. E logo puxo o assunto:

− PHA também suspeita de Serra, faz sentido?

− Serra? Bom, é certo que ele abriu uma garrafa de champanhe quando soube. Mas, sinceramente, ele ali só manda mesmo é no Caio Túlio.

− Mas não tinha margem para nenhuma manobra dele pela demissão?

− Bom, aí é outro papo. Vou te dizer uma coisa: a demissão do PHA me lembra o filme Gosford Park, você viu?

− Acho que sim, mas não lembro.

− Em um final de semana numa mansão aristocrática do interior da Inglaterra o patriarca reúne a família e amigos. É assassinado e todos têm motivos para matá-lo, é o que vamos descobrindo ao longo da história..

− Bem, motivo Serra tem para querer a cabeça do PHA.

− Claro. E ele adora pedir a cabeça de jornalistas. Do PHA já pediu duas vezes na Record. Serra é o presidente do PIG. Ele é amigo de vários jornalistas conhecidos. Janta, toma café, conversa diariamente com todos os que mandam em redação, de colunistas a donos de jornais. Ele fornece pautas, ajuda na apuração. Há uma troca de favores, com interesses ideológicos e por amizade. Serra odeia engenheiros, economistas. Gosta de jornalistas. É o político com o maior trânsito nas redações. Se não fosse isso, Serra já estaria de pijamas.

− Se assim, manda demitir com facilidade.

− Claro. O Caio é seu empregado, como o irmão, Bob Costa, que o ajudou na campanha em 2002 e hoje cuida da publicidade do governo de São Paulo. Mas Caio não podia demitir PHA. Outras partes decidiram, e Caio e Serra colocaram pra fora toda a raiva contida. Foi uma decisão passional, e burra. PHA não morreu, ficou ainda mais em evidência, vai continuar a bater no Serra, acho que até mais forte.

− E ele tem onde bater, né?

− Só tem. Seu telhado de vidro é imenso. Mas vive cercado da proteção do PIG. Está vivendo hoje um inferno astral. O processo eleitoral para a prefeitura saiu diferente do que desejava, rachando a sua sonhada aliança DEM-PSDB. Perdeu a liderança da Câmara dos Deputados para o candidato apoiado por Aécio. Veio o Apagão. Agora ficou na mão com a privatização da Cesp. Mas a mídia ajuda. No apagão chegou a ser infame. A mesma mídia que batia diariamente em Lula sobre um possível apagão do governo federal, calou-se no apagão concretizado de Serra.

− E tem as notas frias de campanha, ambulâncias, os cartões corporativos com altas despesas em boates...

− A lista é grande, mas nada se compara ao passado recente, suas campanhas. Veja suas ligações com Daniel Dantas, Márcio Fortes, Ricardo Sérgio de Oliveira. Este último, se seu nome for pronunciado na frente de um tucano, ele gela.

− E teve o caso Roseana...

− Este é um dos melhores exemplos de como Serra trabalha, e junto da mídia. A operação da PF na Lunus, os dólares filmados, é Hollywood puro. Nada ali teria impacto se não fossem as imagens. Tudo tramóia de Serra e seus arapongas da Fence Consultoria, empresa de espionagem que era paga pelo Ministério da Saúde.

− É muita coisa, até onde ele consegue chegar?

− Ele se imagina em Brasília, mesmo vivendo a atual agonia. Mas acho que não vai muito longe, ainda que com toda a ajuda do PIG.
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E aí?

A mídia americana e as indigentes editorias de internacional dos jornalões brasileiros não deram importância às declarações de Dick Cheney dadas a repórter Martha Raddatz, da ABC. No programa Good Morning America, dia 19 último, o vice-presidente justificava o sucesso da invasão do Iraque, em seu quinto ano de ocupação:

RADDATZ: Dois terços dos americanos dizem que não é uma
batalha digna.

CHENEY: E aí?

RADDATZ: E aí? O senhor não se importa com o que os americanos pensam?

CHENEY: Não. Penso que não podemos ficar atrelados às flutuações das pesquisas de opinião pública.

Nossa mídia e a deles acharam pouco importante tais palavras. Melhor publicar notícias com títulos sobre Cheney falando do perigo que é o Irã. A próxima vítima. Morreram 4 mil soldados americanos? 100 mil foram feridos? Um milhão de iraquianos foram mortos? Democracia? E aí? Os gráficos da Halliburton apontam para cima, é o que importa.
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Edson Luiz, presente!


Dia 28 de março, sexta-feira, ao meio dia, na Candelária, os estudantes cariocas têm um encontro com o passado e o seu presente. É a data da morte de Edson Luiz, o estudante assassinado pela ditadura militar na mesma data, em 1968, no restaurante Calabouço, palco da resistência estudantil.

Tomei conhecimento lendo a Agência Petroleira de Notícias, ótimo site da mídia alternativa, que descobri agora, e que já faz parte de minhas leituras diárias.

Eu, como ex-estudante carioca, que lutou contra a ditadura, presto aqui todas as homenagens ao fato histórico e dou meu apoio a esta nova geração, que tem o compromisso de honrar com seu passado.
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Miriam, A Suína, desta vez se superou

Na "defesa" da Vale..

O Globo já virou assessoria da mineradora faz tempo, mas assim já está ficando ridículo...
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MAIS DIFERENÇAS QUE SEMELHANÇAS ENTRE LULA E FHC NA ECONOMIA

Um artigo interessante do jornalista José Paulo Kupfer porque coloca outras linhas de análise na política econômica do governo atual. Em termos políticos, o governo atual não é visto como igual ou parecido para a maioria da população com relação à sua política econômica. É melhor, simplesmente. É um engano acreditar nisso, mesmo para aqueles que não encontram diferenças entre as políticas praticadas. O que importa é o resultado e, nesse quesito, tirando o ano de 2003, o resultado é bem melhor. Segue o artigo abaixo:
Do Blog do José Paulo Kupfer

Enquanto o fracasso é órfão de pai e mãe, o sucesso costuma dar briga de tapa pela paternidade. Nem se sabe ao certo quanto pode durar o êxito da política econômica do governo Lula, mas é recorrente a disputa pela autoria do feito. Num certo tipo de ambiente, o mote de que a única coisa boa da economia de Lula é a continuidade do que foi feito no governo Fernando Henrique pipoca mais do que catapora.

De tão repetido, já parece um daqueles lugares-comuns* que acabam soando falsos ou como solução de estilo preguiçosa. Assim como toda desculpa é esfarrapada, toda dúvida é atroz, toda ascensão é meteórica, e toda mentira é deslavada, há quem não consiga mencionar o sucesso da economia de Lula sem a fatal ressalva de que isso não passa de continuidade do governo FHC. Percebe-se, facilmente, até pela especialidade profissional dos falantes e escreventes, muitas vezes longe da economia, que a maioria não sabe bem onde está metendo a colher. Mas isso não tem importância, não é mesmo?

O governo Lula seguiu o padrão do anterior – prioridade com a estabilidade da moeda, ênfase em reformas microeconômicas – em parte de seu primeiro mandato, com Antonio Palocci à frente da economia. Mesmo ainda com Palocci e, depois, mais francamente com Guido Mantega, a política econômica descolou da anterior de tal forma que só mesmo uma miopia ideológica para explicar a insistência na visão distorcida.

Pode-se até discordar do que passou a dar dinâmica à economia, mas nunca enfiar as políticas adotadas no governo atual no mesmo saco das implantadas ou, pelo menos desenhadas, na quadra anterior. Não há comparação, por exemplo, na política de valorização real do salário mínimo, adotada contra muitos bem pensantes de luvas de pelica. Muito menos na expansão do crédito – com destaque, para o bem e para o mal, da modalidade de crédito consignado – e, por fim, mas não por último, a maneira de encarar a previdência social. Onde dá mais para comparar, o setor fiscal, os nostálgicos de FHC preferem não bater o bumbo. De fato, carga tributária e endividamento, que explodiram com FHC, ainda não desinflaram com Lula.

Nem mesmo os programas de transferência condicionada de renda, tão invocados como prova de continuidade, se sustentam como tal. Há nítidas diferenças – no foco, na abrangência, no acompanhamento e até nas falhas – entre as bolsas-escola de origem e o bolsa-família de hoje. Sem falar em outros programas menos votados, como o “Luz para todos”, e no famoso PAC, de que muitos duvidam e malham por antecipação, embora fosse mais prudente aguardar um pouco mais antes de cair de pau.

Até a política monetária, que se concentra no cumprimento das metas de inflação, adotadas em 1999 – e, essa sim, mantém desde então o mesmo curso –, começa a se ver diante de novidades. Há, mais recentemente, fora do Banco Central, uma escalada no governo em busca de saídas não monetárias, na tentativa de desviar o rumo de elementos macroeconômicos centrais, como os juros e o câmbio, do inglório destino determinado por uma ortodoxia já fora de moda
– ver, a propósito, a atuação do BC americano.

Além de medidas já adotadas – IOF em aplicações financeiras de estrangeiros e fim da cobertura cambial para exportadores –, está previsto para logo um pacote de benefícios tributários de estímulo às exportações de manufaturados e à inovação tecnológica, que o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, chama de política industrial. Se essas medidas vão funcionar – ou mesmo se serão implantadas por completo – também ainda é cedo para garantir. Mas a direção, que conta com o apoio aberto do presidente Lula, é clara. E não tem muito a ver com o que se procurou implantar no governo de FHC.

(*) Os lugares-comuns citados na sentença seguinte fazem parte de uma longa lista coligida pelo jornalista Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa (www.todoprosa.com.br), a quem o autor agradece a cessão.

Comentário do blogueiro: Salvo a política monetária, não há quase nada de parecido, como querem sugerir alguns. Não há dúvidas da preponderância da política monetária, mas é preciso sair do debate unicamente centrado nela. Além disso, como o governo atual tem uma política fiscal mais rígida (para o bem e para o mal), cada vez mais a participação dos juros no total de gastos do governo se reduz. Mas o país cresce pouco. Será? Se tirarmos o resultado pífio de 2003, os anos seguintes foram satisfatórios (não bons). É claro que se compararmos com Argentina, Venezuela, China, Índia e Rússia, o crescimento brasileiro é baixo. Mas comparar com os dois primeiros não vale. O primeiro além de ter tido forte recessão no início da década, vive uma escalada inflacionária. O segundo foi amplamente beneficiado pela disparada dos preços do petróleo, ou seja, não dá para avaliar a qualidade do governo pelo seu crescimento. Já os três últimos é pedir demais na conjuntura atual. Tenho impressão de que a maioria da população não enxerga a política econômica de Lula como parecida (nem igual) à de FHC. É um bom sinal. Não adianta repetir o discurso tosco.

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