Nabuco em Yale

Joaquim Nabuco foi embaixador brasileiro nos Estados Unidos entre 1905 e 1910. Morreu no cargo, fechando assim seu último ciclo de vida, depois da militância empolgante do abolicionismo (1880-1888) e dos anos de recolhimento e ostracismo (1890-1899), quando teve de digerir a derrocada da Monarquia e assimilar a consolidação da República.

Chegou aos Estados Unidos doente e frustrado por não ter conseguido ocupar uma embaixada na Europa. Mesmo assim, procurou brilhar e cumprir um papel. Seduziu os círculos diplomáticos, políticos e intelectuais de Washington e recebeu inúmeros convites para proferir conferências em círculos literários e universitários de todo o país. Continuou a se equilibrar entre a paixão intelectual e o dever profissional, buscando causas que contivessem uma boa dose de universalismo, possibilitassem vôos literários e repercutissem nos destinos do Brasil. Encontrou esta causa no pan-americanismo, que, naqueles anos, embora fortemente associado à política de potência dos EUA, sugeria um caminho para que os países latino-americanos ganhassem maior poder de fogo diante dos imperialismos europeus. Para Nabuco, a união americana teria um parceiro natural no Brasil, sempre “leal a seu continente”, e contribuiria para que se introduzisse, no mundo, uma perspectiva de maior harmonia entre ordem e liberdade. Não era uma causa destinada a ter ressonância popular, como a abolição, mas seguramente não se tratava de um súbito raio estético, descolado da realidade, estranho à lógica dura da política.

Em maio de 1908, Nabuco foi convidado para proferir duas conferências na Yale University. Falou sobre Camões, literatura brasileira e portuguesa, sentimento de nacionalidade e história do Brasil, buscando associar tais temas ao valor estratégico da amizade e da cooperação entre os países das Américas.

Para comemorar o centenário desta visita, o Departamento de Espanhol e Português e o Council on Latin American and Iberian Studies da Yale University realizarão um seminário no próximo mês de abril, cuja programação está reproduzida abaixo.

Coordenado pelo professor Kenneth David Jackson, o seminário revela o prestígio e importância de Nabuco na história das relações Brasil-Estados Unidos, além de indicar o cuidado simbólico e as preocupações acadêmicas de uma das mais importantes universidades norte-americanas. Dele participarão: João Almino; Leslie Bethell, Oxford University; Stephanie Dennison, University of Leeds; Humberto França, Fundação Joaquim Nabuco, Recife; K. David Jackson, Yale University; Jeffrey Needell, University of Florida; Marco A. Nogueira, UNESP; Paulo Pereira, PUC-SP; John Schulz, Brazilian Business School; Norman Valencia, Yale University.

JOAQUIM NABUCO AT YALE

Brazilian Statesman, Author, Ambassador

A Centenary Commemoration (1908-2008)

Conference Program

2:00 p.m. Friday, April 4, 2008

Sterling Memorial Library, Lecture Hall


Welcome and Opening

K. David Jackson, "A Statesman in the Academy: Joaquim Nabuco at Yale"

Stephanie Dennison, "A Aproximação das Duas Américas: Joaquim Nabuco's promotion of Brazil in US Universities"

Leslie Bethell, “Joaquim Nabuco and the Abolition of Slavery in Brazil

João Almino, "The Earthenware and the Iron Pot: Nabuco’s Utopia for the Two Americas."


Reception, 5:00-6:30 p.m.

Ezra Stiles College, 19 Tower Pkwy


10:00 a.m. Saturday, April 5, 2008

Sterling Memorial Library, Lecture Hall


Norman Valencia, "Joaquim Nabuco and Camões"

Marco A. Nogueira, "Do abolicionismo à diplomacia, um liberalismo multifacetado"


Humberto França, "Joaquim Nabuco e Elihu Root, A viagem pan-americana”



2:30 p.m. Saturday, April 5, 2008

Sterling Memorial Library, Lecture Hall


Paulo Pereira, "The Role of Joaquim Nabuco at the Brazilian Embassy in Washington (1905-1910): Between Idealism and Pragmatism"


John Schulz, “Nabuco and the Failure of Social Reform”


Jeffrey Needell, “Glory at Dusk: Nabuco’s Activism, His Meditation, and the Choice for Diplomacy.”


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E também não era por causa da Al Qaeda...

Estudo do Pentágono admite que não existiam laços entre Saddam Hussein e a Al Qaeda, motivo que o governo americano justificou para a invasão do Iraque. Disse a AFP ontem, mas nossos jornalões não se interessaram ou estavam distraídos. O estudo foi distribuído com discrição pelos militares, sem referências em seu site na Internet.

Só uma pergunta: se mataram aquela gente toda, não por existência de armas químicas, não pela ligação do governo com a Al Qaeda, foi por qual motivo? Mas acho que essa pergunta a nossa mídia não vai fazer.
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Diálogo da América louca



− Estou bolado com a quebra do Carlyle Capital. Tem a maior cara de escândalo da Enron, alguns personagens são os mesmos...

− Quem?

− Pô, a família Bush. Ken Lay, fundador da Enron, foi o principal financiador das campanhas políticas de Bush. Amigão do peito. Os negócios eram estreitos com a Casa Branca. O congresso americano tentou cobrar, falaram grosso, a mídia saiu de fininho. Eles tinham foco nos investimentos em energia, expertise dos Bush e bando, ficavam no Texas, as ligações são grandes...

− Ah...tá, e o Carlyle Capital?

− Faz parte do Carlyle Group, empresa com negócios diversificados. Até há pouco, Bush pai era um de seus diretores. Você viu o Fahrenheit do Michael Moore? Ele mostra isso...

− Ah, mas o Michael Moore...

− Nem vem, é notório. Uma das empresas do grupo é a United Defence, uma das maiores empresas mundiais da indústria armamentista, donos dos tanques Bradley, canhão Crusader entre outras traquitanas mortíferas que fizeram a festa em Bagdá.

− Não vejo nada de errado...

− Cacete! Sabe quem eram diretores, sócios? A família Bin Laden. Pensa só: um membro da família, dizem, faz um atentado. Em reação, uma guerra. Os negócios da família prosperam intensamente. E não fica só. Qual o grande negócio original dos Bin Laden, que fez a fortuna de seu falecido pai?

− Sei lá.

− Indústria de construção. Na reconstrução do Iraque quem estava junto com a Halliburton do vice-presidente Dick Cheney? Os Bin Laden. Quer dizer, os caras, todos eles, estão envolvidos com destruição e reconstrução, apropriação de recursos de outros, petróleo, quebra de empresas, mamatas. A lista é grande.

− Você é um exagerado e crédulo em teorias conspiratórias. Eles são homens de negócios que sabem enxergar oportunidades.

− Pomba, eles ferraram com um montão de pessoas, tem armação em tudo, picaretagem braba, e o Bush vai terminar seu segundo mandato, talvez reelegendo o candidato do seu partido. Enquanto isso, o governador de NY perde o cargo, talvez a licença de advogado por uma ferradinha em garota de programa...

− Ah, mas aí já é diferente... Por falar nisso, você viu a moça? Hummm...

− ...
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E sobre cara feia...

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A farsa do diário da guerrilheira



O diário colombiano El Tiempo publicou, em setembro de 2007, reportagem com trechos do diário da guerrilheira “Eillen”, supostamente achado em acampamento das FARC. A jovem, de 29 anos, foi identificada pelo jornal como a holandesa Tanja Nijmeijer, graduada em filologia hispânica, de família de classe média e na Colômbia desde 2002, quando chegou dentro de programa da ONG Pax Christi, para logo em seguir entrar na guerrilha.

A versão, divulgada pelo exército e publicada pelo jornal, repercutiu em toda a mídia mundial, e com grande comoção na Holanda. Um dos trechos no alegado diário dizia o seguinte:


Estou cansada, cansada das FARC, cansada desta gente, cansada de viver em comunidade, cansada de nunca ter algo para mim.


Desde então, a mídia e o governo Uribe sustentam que ela é mais uma seqüestrada, ao ser impedida de sair da guerrilha, o que sua família não confirma. Sua mãe disse que, pouco antes do episódio, a filha garantiu estar planejando férias em casa.

Seguindo a mesma tese, em 16 de fevereiro último, a revista colombiana Semana, pró-Uribe, publica que a guerrilheira está em julgamento militar e, como castigo, está sendo obrigada a fazer um documentário, nos moldes de Guerrilha Girl. E que tal produção , de uma equipe holandesa, era patrocinada com dinheiro das FARC.

A matéria é veementemente desmentida pelo próprio diretor do documentário, Ivan vd Boer, nome de guerra, em texto na Agência de Notícias Nova Colômbia, que reafirma que em nenhum momento Tanja foi obrigada a participar e que o seu interesse é o da Nova, produtora independente de TV holandesa. Diz ele:


Finalmente, quero deixar claro ao analista que não pode haver comparação alguma com outras produções e a determinação de produzir um filme sobre a vida da guerrilheira Eillen é uma determinação pessoal e livre, o processo está em marcha, queira-se ou não, junto ao direito irrenunciável de um povo que tem empreendido o caminho de sua definitiva independência para o socialismo e a Pátria Grande, que um povo que tem cultura é um povo que luta, resiste e se liberta.


Belas palavras, promete um imperdível filme. Uribe-Bush devem estar em pânico.
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