Ali Kamel, este desconhecido

Uma leitora deste blog nos dá um correto puxão de orelha. Ela, na Paraíba, nunca ouviu falar do Kamel. Justíssimo. E erro nosso. Esquecemos que o sujeito só aparece em parte do Brasil, ajudado pela mídia mais do que amiga. Sem ela, ele não existe. Disse nossa leitora, Érica Santos:

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Meus queridos, gostei de muito do que li aqui, mas estou perdida para entender melhor quem é esse Ali Kamel. Aqui em João Pessoa, o único Ali que conheço é dono de um armarinho.
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Cara Érica. Nosso modesto blog começa a ser lido por muitos e gente de todos os lugares do Brasil. Estamos felizes. Mas precisamos aprender a não usar nossas ironias e incômodos de forma incompreensível:

Ali Kamel é o atual diretor de jornalismo da TV Globo. Foi repórter e depois diretor de redação do jornal O Globo, onde eventualmente ainda escreve artigos, sempre polêmicos, defendendo idéias conservadoras e justificando o injustificável. Segundo comentário de Mino Carta, ele não escreve para muitos, seu desejo é ser lido apenas por seus patrões. Neste objetivo, tentou defender a TV Globo dizendo que ela sempre apoiou o movimento das diretas, uma desavergonhada mentira. Que o jornalismo feito no Brasil é isento e de ótima qualidade. E publicou uma série de artigos, depois um livro, onde defendia que no Brasil não existe racismo.

Seus argumentos chegam a ser simplórios. Mas é sempre ajudado por uma mão amiga da mídia que faz repercussão de seus devaneios. A Kelly, minha sócia no blog, aponta as contradições de seu último artigo, onde ele critica o Bolsa Família por ter seus recursos desviados quando os beneficiários compram eletrodomésticos, e não comida. A crítica de Kamel é conflitante com as idéias do liberalismo, ideologia de seus patrões.

Obrigado pelo toque, Érica. E pedimos desculpas a todos pelo nosso esquecimento da total inexpressividade do senhor Ali Kamel.
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Da série de besteirol político de Arthur Virgílio: A denúncia vazia de tráfico de armas do exército brasileiro com a ajuda da TAM

Ontem Arthur Virgílio, do PSDB de Amazonas, subiu à tribuna do Senado Federal para denunciar que o governo brasileiro estaria transportando “secretamente” , por meio da empresa aérea TAM, toneladas de armamentos para a Venezuela. Imediatamente, o ministro da Defesa, Nelson Jobin, rebateu as acusações por serem “infundadas” . O ministro demonstrou que não havia qualquer sentido na denúncia de Virgílio.

Depois a TAM é que divulgou nota abaixo esclarecendo a questão. A denúncia descabida do senador é uma grande irresponsabilidade e leviandade com a empresa TAM e também com o governo brasileiro. Arthur Virgílio acredita em qualquer coisa, só precisa falar com ele que fustiga o governo. Daí ele sobe na tribuna do Senado e solta a voz.

A direita anda em polvorosa. Para poupar a atitude belicista do governo Uribe que invadiu a soberania equatoriana, preparam-se factóides de toda a monta. Exigem que os governos equatoriano e venezuelano combatam as FARCs em seus territórios. Só tem um detalhe. Não há qualquer indício de que as FARCs cometem ilegalidade ou crimes nos territórios desses países. Se o governo colombiano com a ajuda militar e financeira dos EUA, com armamentos bem mais modernos, e depois de décadas de conflito com as FARCs, não conseguem controlar ou evitar a movimentação da guerrilha em seu território, como exigir que outros países, que nem tem obrigação de combater as FARCs, porque elas não são inimigas, evitem que guerrilheiros movimentem em seu território?

Mas todos sabem as intenções de Álvaro Uribe. Nos anos 80 e 90 foi aliado dos narcotraficantes colombianos e estava na lista negra dos EUA, conforme publicação da Revista Newsweek. Depois, passou a ser o aliado preferencial dos EUA na região. Nada de errado nisso, mas falta-lhe moral para dizer que a guerrilha é financiada pelas drogas. Além disso, nenhum dos grandes cartéis de droga colombiana encontra-se na área de influência das FARCs. Portanto, não é o combate ao narcotráfico que move suas ações. Isso não quer dizer que a guerrilha deva ser aceita, mas que há um mundo mais complexo e nebuloso nessa relação. Mas o que a mídia direitista brasileira esconde é que a movimentação de Uribe é para forçar um terceiro mandato. Nesse quesito, o ataque foi uma jogada política de mestre. Alguém podia pedir ao Arthur Virgílio para fazer um pronunciamento a esse respeito na tribuna do Senado. Quem sabe o senador do Amazonas não passasse a defender o terceiro mandato, mas na Colômbia. Segue a nota da TAM.

Nota de esclarecimento da TAM

Sobre declaração feita hoje no Senado sobre suposto transporte secreto de armamento para a Venezuela, a TAM esclarece:
1. A companhia não realiza "vôos secretos" à Venezuela ou a qualquer outro destino. A TAM mantém vôo regular diário para Caracas, de passageiros e cargas, desde setembro de 2007;
2.A pedido do Ministério da Defesa, a companhia realizou, em caráter de urgência, uma pesquisa em seus registros dos últimos 15 dias, sem encontrar nenhuma exportação de armas, e repassou essa informação às autoridades. Em seguida, iniciou buscas nos dias anteriores, localizando uma exportação de uma carga de revólveres Taurus para um importador venezuelano, totalizando 1.3२9,4 kg.

3. A exportação, que seguiu todos os trâmites legais, contou com as autorizações oficiais devidas, e o transporte desse tipo de carga pela TAM é autorizado pelo Exército (Certificado de Registro nº 34704, de 11.10.2006, válido até 30.09.2008), que também emitiu a permissão ao exportador (Guia de Tráfego nº 000319/2008, de 15.01.2008).

4. O transporte regular de exportações da Taurus também é feito para países como os EUA e Argentina, sempre cumprindo todos os requisitos previstos em lei.
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Liberalismo à la Kamel

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Hillary interrompe seqüência de vitórias de Obama; McCain obtém a indicação republicana

Não é a toa que o dia de ontem está sendo chamado de mini-superterça. Tiveram prévias em quatros estados, sendo dois com grande número de delegados. A disputa foi emocionante no lado democrata. O primeiro resultado divulgado foi Vermont, um pequeno estado, com vitória de Barack Obama. A pré-candidata democrata interrompeu a seqüência de vitórias do rival vencendo em Rhode Island. Um estado também pequeno com poucos delegados, mas a diferença foi significativa. À noite, confirmou-se o favoritismo de Hillary em Ohio. As pesquisas de boca-de-urna deram a ela a vitória. E para a noite ser completa, Hillary acabou superando Obama também em Texas, onde as pesquisas nos últimos dias estavam dando leve vantagem de Obama. Com três vitórias seguidas, houve uma interrupção na onda da “obamania”.

No lado republicano, Jonh McCain venceu nos quatros estados e com a desistência de Mike Huckabee obtém a indicação republicana. É um dia histórico para McCain, que meses atrás era considerado carta fora do jogo. No total, McCain ficou com 1.226 delegados, contra 251 do seu rival republicano. Só a teimosia mantinha a candidatura de Huckabee no páreo, pois não apresentava qualquer chance.

As vitórias de Hillary mantêm a disputa pela indicação democrata. O movimento de crescimento da campanha de Obama não é o mesmo. O melhor da “obamania” se passou. Hillary obtém fôlego para as próximas primárias: Wyoming, no dia 8, Mississippi, no dia 11, e a realmente importante, Pensilvânia, no dia 22 de abril.

A senadora ainda tem desvantagem no número de delegados. Segundo a CNN, Obama mantém a vantagem, com 1.451 delegados (incluindo 194 super delegados), contra 1.365 de Hillary (incluindo 238 super delegados). Como são 800 super delegados, faltariam computar os votos de muitos super delegados. Hillary, no entanto, precisa vencer outras primárias importantes para manter viva sua candidatura. A mais importante delas é com certeza Pensilvânia.

A seqüência de vitórias de Hillary tem explicações na agenda negativa que dominou a campanha Obama nos últimos dias. A primeira delas foi a interferência canadense. Obama disse ao eleitor do estado de Ohio que era contra o Nafta, o acordo de livre comércio entre EUA, Canadá e México assinado no governo de Bill Clinton. Ohio é um dos estados mais prejudicados com o Nafta, portanto, muito impopular por lá. Porém, um memorando do seu principal assessor econômico para diplomatas canadenses afirma que era conversa de campanha, que não deveriam se preocupar. O problema é que o memorando vazou, intencionalmente ou não. Inicialmente, a campanha do candidato negou a existência do memorando. Depois, alegou que o que fora dito não era fiel ao conteúdo do memorando. Ou seja, a campanha cometeu um grave erro, e justamente naquilo de mais precioso para o eleitorado de Ohio.

Obama também teve que enfrentar denúncias contra Tony Rezko, investidor imobiliário de Illinois, e que levantou fundos para sua campanha. O investidor começou a ser julgado por tráfico de influência e corrupção. A situação é desconfortável para Obama. Além disso, Obama e a mulher de Rezko compraram no mesmo dia e na mesma quadra duas mansões vizinhas. Obama pagou preço abaixo do valor de mercado, e ainda comprou parte do terreno da mulher de Rezko. Não há qualquer prova de ilegalidade no negócio de Obama, e nenhuma acusação contra Rezko envolve Obama. Mas é uma agenda ruim para a campanha.

Finalmente, Hillary exibiu um comercial de televisão explorando o medo dos eleitores. Trata-se de anúncio de telefone, exibido no Texas. O anúncio mostrava um lar americano e um quarto com crianças dormindo. Mas o anúncio destacava que longe daquela imagem de tranqüilidade, às 3h da manhã, algo de grave havia acontecido em alguma parte do mundo e que uma ligação de emergência havia sido feita para a Casa Branca. O argumento era quem é mais preparado para responder a crises nacionais? Hillary por ter uma imagem mais durona e experiente, saiu-se bem na foto. É um velho truque das campanhas eleitorais americanas. Nas primárias de 1984, Walter Mondale usou o mesmo truque contra Gary Hart. Mondale era veterano de guerra e obteve sucesso na indicação democrata, mas teve de enfrentar Ronald Reagan, com uma imagem muito mais forte na segurança. O resultado é de conhecimento de todos.

O argumento de Obama é que Hillary quando teve oportunidade de responder a uma crise votou a favor da guerra do Iraque. Ele, ao contrário, foi contra. É uma tese racional, mas a campanha é sempre dominada por fatores emocionais. Argumentos racionais pouco valem, e a imagem de Hillary é melhor quando se trata em segurança nacional. A imagem de obama está associada à esperança e a possibilidade de mudança na sociedade americana. O embate foi importante para Hillary virar o jogo contra Obama no Texas. Porém, numa campanha presidencial, a segurança é o forte de Jonh McCain e do seu partido republicano. Trazer o tema segurança para o centro de debate não é bom para os democratas, pois enfrentarão um herói de guerra.

É claro que a história nem sempre se repete. E comparar campanhas com históricos tão díspares não é recomendável. Mondale teve que enfrentar ninguém menos que Ronald Reagan, um governo bem avaliado na época. Os democratas terão que enfrentar apenas o veterano John McCain. MacCain tem pontos fracos, como a rejeição ao governo Bush e o fato de não ter qualquer domínio em economia, justamente no ano que a economia americana está em crise. Mas os democratas flertarem com segurança nacional é algo como “gostar do perigo”. Mesmo porque o ideal é explorar os pontos fracos do adversário, não o contrário. Lembrando a campanha de Bill Clinton, “é a economia, estúpido”!

Nota: Hillary Clinton sugeriu hoje, quarta-feira, candidatura conjunta com o senador Barack Obama. Eleitores nas prévias decidiriam quem encabeçaria a chapa presidencial e consequentemente seria o candidato à Presidência dos EUA e o vice pelos democratas. A declaração foi feita depois da confirmação da nomeação do John McCain pelo partido republicano.

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Ele não sabe o que diz, ó pai.

Leio sobre o liberalismo. Busco em Hayek os fundamentos da crítica ao bolsa-família do nosso querido Ali Kamel. Não acho.

Mas insisto. Sou chata. Cato em seu artigo Bolsa-Eletroméstico a visão que fundamentaria a dimensão de desvio de recursos. Não acho.

Não satisfeita, já que meu lado auto-crítico é exigente, busco experiências em países de tradição liberal as críticas sobre o mau uso das políticas de compensação social. Não acho.

Assim como não encontro, nas normas da compensação, nada sobre o que deveria ser comprado, consumido ou detonado, whatever it is, com tais recursos.

Não estou falando de normas brasileiras, estou falando de economias liberais. Ou ditas liberais.


Então, vamos às aulas: os Estados Unidos, a Inglaterra etc, países que professam a teoria liberal são contrários às limitações das liberdades individuais no que dizem respeito a que fazer com nossos bens e vontades, certo? E isso é o Pareto Ótimo para estas economias. O ideal está na liberdade, certo? Neca de determinar o que fazer, confere? Ainda mais pelo Estado. Isso é economia planificada, o Mal.

Então. Os países citados foram dos primeiros a ter políticas compensatórias. A partir da idéia liberal que deveríamos ter igualdade de oportunidades, não dá para pensar em um mundo onde uns têm herança e outros só têm as dívidas paternas como futuro, blá blá. Daí, impostos sobre herança e renda mínima, educação etc etc etc para todos, para que nossas potencialidades sejam julgadas e premiadas pelo ser supremo, o Mercado.

Chegamos ao terceiro mundo. Aqui, no Brasil. Ora bolas. Alguém constesta nosso pior lugar no ranking da desigualdade social? Opa. Chegamos ao quinto. De baixo para cima....

O presidente lança o bolsa-família - é pra ganhar votos! Bem, e o que não é? - e objetivamente diminui a desigualdade social. Os cabras ganham até 200 pilas para comprar o que necessitam. Ou simplesmente o que quiserem, certo? Os meus liberais dizem que sim.

Desconsideremos a pressão positiva sobre o aumento da renda causado pela Bolsa-Familia (ou sobre a distribuição de renda, eeei, liberais, aqui temos um ponto em comum!) dos trabalhadores dos canaviais, por exemplo – foi provado que já que os usineiros pagavam meia mariola para seus escravos, ops, trabalhadores, estes assim decidiram que ficar em casa era mais negócio que receber o que era oferecido, a maldita bolsa foi de fato fator fundamental para que a remuneração para cortar cana fosse aumentada - o que foi interpretada pelos nossos liberais como "preguiça de trabalhar"...


Enfim, colegas. Catei, catei e não achei. Nada na teoria liberal clássica que condene o uso LIVRE dos recursos pelos seus beneficiários. Seriam nossos liberais ignorantes pura e simplesmente ou eles querem ter um Estado – E maiúsculo – dirigido?

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