Que falam sobre o Brasil McCain, Obama e Hillary, do Blog do Pedro Dória

Há um ditado que diz que já que as eleições americanas têm efeito no mundo todo, cada ser humano neste Planeta deveria ter o direito de votar nos seus candidatos. É notória a influência para o bem ou para o mal das decisões de Washington sobre as vidas do mundo inteiro. Ao lado das decisões na economia (FED), o destaque fica por conta da polítca externa americana. A esse respeito, vejam o que colocou Pedro Doria em seu blog.

Do Blog do Pedro Doria, publicado em 12/02/2008.

E o que pensa o futuro presidente dos EUA a respeito de Brasil e América Latina? Os trechos foram pescados dos artigos que fizeram publicar na prestigiosa Foreign Affairs, revista do Conselho de Relações Exteriores.

Tanto McCain quanto Obama endereçam frontalmente – e favoravelmente – uma questão cara ao Itamaraty, que é poder no Conselho de Segurança da ONU ou algo semelhante. Quando se referem ao Brasil, não é no contexto ‘América Latina’ – é no contexto poder mundial. Hillary é vaga – e cita o país como estratégico apenas regionalmente.

John McCain:
John Kennedy descrevia os povos da América Latina como ‘nossos amigos mais firmes e antigos, unidos a nós pela história e experiência e pelo objetivo de levar à frente a civilização americana’. Os países do continente são nossos parceiros naturais mas a desatenção dos EUA danificou esta relação. Precisamos melhorar a relação com o México para controlar a imigração ilegal e enfrentar os cartéis de drogas. Outro cuja relação precisa atenção é o Brasil, parceiro cuja liderança perante as forças de paz da ONU no Haiti serve de modelo para o cuidado com a segurança regional. Meu governo vai dar a estas e outras grandes nações da América Latina uma voz forte da Liga das Democracias – uma voz que lhes é negada no Conselho de Segurança da ONU.

Precisamos trabalhar juntos para enfrentar a propaganda de demagogos que ameaçam a segurança e a prosperidade das Américas. Hugo Chávez desmontou a democracia venezuelana ao diminuir a importância do parlamento, do judiciário, da imprensa, dos sindicatos livres e das empresas privadas. Seu regime está comprando equipamento militar avançado. Ele deseja construir um eixo global anti-EUA. Meu governo vai se dedicar a marginalizar tais influências nefastas. Também vai se preparar imediatamente para a transição de Cuba para a democracia ao desenvolver um plano em conjunto com parceiros da região e da Europa engajados num regime pós-Fidel. Queremos mudanças rápidas naquele país que sofre há tanto tempo. Precisamos investir na passagem criada pelo CAFTA – Acordo Centro-Americano de Livre Comércio – ratificando outros acordos de comércio já negociados com Colômbia, Panamá e Peru com o objetivo de completar o processo da ALCA – Área de Livre Comércio das Américas.

Barack Obama:
Precisamos da colaboração das grandes nações para lidar com as grandes questões globais – e isto inclui os poderes emergentes como Brasil, Índia, Nigéria e África do Sul. Precisamos que eles tenham mecanismos para ajudar na manutenção da ordem internacional. Para que isto aconteça, a Organização das Nações Unidas precisa ser reformada. A gerência da Secretaria Geral da ONU é fraca. As operações das tropas de paz vão muito além de sua capacidade real de ação. O novo Conselho de Direitos Humanos da ONU passou oito resoluções condenando Israel – mas nenhuma condenando o genocídio em Darfur ou os abusos dos direitos humanos no Zimbabwe. Nenhum destes problemas será resolvido se os EUA não voltarem a se dedicar à ONU e a sua missão.

Na América Latina, do México à Argentina, falhamos ao enfrentar as questões da imigração, igualdade e crescimento econômico.

Hillary Clinton:
Impondo um risco a nós, o governo Bush foi negligente com nossos vizinhos ao sul. Presenciamos, em parte da América Latina, ao surgimento de obstáculos para o desenvolvimento de democracias e abertura econômica. Devemos tornar a uma política de negociação, questão por demais crítica para que os EUA assistam a tudo impassíveis. Devemos dar apoio às maiores democracias regionais, Brasil e México, e aprofundar nossa relação econômica e estratégica com Argentina e Chile. Precisamos continuar a cooperar com nossos aliados na Colômbia, na América Central e no Caribe para combater as ameaças interconectadas do tráfico de drogas, crimes e insurgências. Por fim, devemos trabalhar com nossos aliados para prover programas de desenvolvimento sustentado e criar oportunidades econômicas que reduzam desigualdade entre os cidadãos da América Latina.
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Acordo Pimentel-Aécio (PT-PSDB) em Minas Gerais

A imprensa tem publicado matérias sobre a união das forças do PT e PSDB para a eleição da capital mineira. A chancela política seria um acordo entre o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o governador de Minas, Aécio Neves. O jogo político por trás da complicada equação é o olho no futuro, mais precisamente em 2010. Pimentel poderia ser candidato a governador com o apoio de Aécio. Uma versão é que tal acordo facilita a obtenção de sua candidatura dentro do PSDB, pois poderia propor um governo de união nacional, incluindo a participação do PT. Mas o PT terá candidato em 2010, alguém duvida? Nesse cenário, Pimentel terá condições de retribuir o apoio de Aécio à sua futura candidatura a governador? Difícil imaginar não é.

Há uma outra versão circulando nos bastidores. Aécio sairia do PSDB em direção ao PSB, de Ciro Gomes. Só que o PSB tem candidato a presidente em 2010. Ou será que Ciro não é candidato? Será que aceitaria ser vice de Aécio? Como ficará o PT nesse jogo? Será que abrirá mão de sua candidatura para ser mero coadjuvante? Muitas perguntas aguardando respostas. Como a política tem caminhos tortuosos, o que parece hoje pouco lógico pode ser amanhã bastante óbvio. O jeito é aguardar.
Já que entramos no terreno das especulações em torno das articulações políticas mineiras, o Blog do Rovai informou que Fernando Pimentel encontrou com José Dirceu nesta quarta-feira (13/02) em São Paulo. O ex-ministro fazia uma palestra para sindicalistas e a interrompeu para ir ao encontro do prefeito de Belo Horizonte. Queria ser uma mosca para estar no local e saber o que trataram. Será que falaram da aproximação do PT (ou Pimentel) com Aécio? Mistério.
Falando nisso, vale conferir a matéria (logo abaixo) do jornalista Pedro Venceslau, publicada no Portal Imprensa (http://portalimprensa.uol.com.br/), em 13/02/2008.

Uai, cadê o mensalão?

Em Minas Gerais não se fala de outra coisa. Finalmente, o governador Aécio Neves, do PSDB, e o prefeito Fernando Pimentel, do PT, chegaram a um nome de consenso para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Trata-se de Márcio Lacerda, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Minas Gerais. Pelos relatos da mídia mineira, Lacerda reúne todas credenciais necessárias para selar o casamento entre tucanos e petistas: é homem de confiança de Aécio Neves, mas não é filiado ao PSDB (e sim ao "socialista" PSB). Não é um nome conhecido, mas está em um cargo com bastante visibilidade. Por fim, a cereja do bolo: tem um passado de militância de esquerda - foi quadro da ALN, a mitológica organização de Carlos Marighella. Ainda falta fazer alguns ajustes e apagar alguns incêndios internos (Luiz Dulci e Patrus Ananias são contra), mas, pelo menos entre colunistas e repórteres, essa fatura é dada como liquidada.

O amigo e jornalista mineiro Kerison Lopes me ligou na redação para a contar novidade. Papo vai, papo vem, ele me convida para um passeio pelos jornais mineiros na Internet, a fim de conferir a repercussão da novidade. Não foi manchete de capa, mas todos os jornalões mineiros trataram do assunto e fizeram perfis sobre o indicado da inusitada aliança. "Estado de Minas", "Hoje em Dia" e "O Tempo" informam o passado de preso político de Lacerda. Contam que ele entrou no curso de Administração de Empresas da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, mas só se graduou 10 anos depois. E que foi secretário-executivo de Ciro Gomes (PSB-CE) no Ministério da Integração Nacional, além de assessor do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). A biografia acaba por aí.

"Tá bom, agora vamos dar uma olhada no Google", convida Kerison. Ao digitar o nome de Márcio Lacerda, uma surpresa: quase todas as primeiras vinte referências que surgem no site de busca remetem a um episódio que passou batido pela apuração dos cronistas mineiros. O nome do secretário de Aécio aparece em várias reportagens com o chapéu: "Escândalo do mensalão". Vamos refrescar a memória. Quando o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza leu para os parlamentares, durante a CPI, duas listas de pagamentos feitas por suas empresas, foram "revelados" os nomes das pessoas que sacaram recursos das suas contas em 2003 e 2004. Entre eles está Márcio Lacerda, então secretário-executivo do ministro Ciro Gomes, da Integração Nacional, que teria sacado R$ 457 mil.

Na ocasião, Ciro saiu em defesa de seu secretário e disse que houve um equívoco. Mas não teve jeito. Lacerda acabou tendo que deixar o cargo. Em nota lacônica, a assessoria do ministro informou: "Para assegurar a normalidade da missão institucional do Ministério da Integração Nacional e compreendendo que estaria em marcha uma tentativa de envolver esta pasta e seu titular no ambiente de escândalo por que passa o país, o sr. Márcio Lacerda solicitou seu afastamento do cargo."

Pode ser que Márcio Lacerda tenha sido vítima de mais um linchamento da mídia. Mas também pode ser que não. A novela do "mensalão", como sabemos, está em curso e ainda vai demorar para terminar. O que causa estranheza é que uma passagem relevante como essa não tenha sido sequer citada em nenhum jornal ou site mineiro. Amnésia? Preguiça? Duvido. Bastava acessar o Google antes de escrever.

Em tempo: não por acaso, Minas Gerais é o estado onde está concentrado o maior foco do movimento pela democratização da mídia no Brasil.
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Sobre as primárias americanas e as pré-candidaduras de Barack Obama, Hillary Clinton e John McCain

O senador Barack Obama continua obtendo importantes vitórias com sua mensagem de esperança. Nesta terça-feira obteve mais três: Washington (DC), Virgínia e Maryland. A diferença de votos em relação à Hillary superou as previsões mais otimistas, numa clara demonstração de que passou a obter votos da base de sua adversária: mulheres brancas, eleitores mais velhos e hispânicos. O Barack Obama candidato tem uma plataforma ousada. O senador por Illinois condenou a política do medo instaurada após o 11 de setembro: não foi usada para unir o país, mas para levar medo à população americana. Sua plataforma eleitoral inclui: (i) aumentos anuais no salário mínimo; (ii) um sistema nacional de saúde; (iii) a retirada de tropas americanas do Iraque; e (iv) a controversa diplomacia com países “inimigos” dos EUA na atualidade, como Irã.

Ninguém pode negar que ele é um político corajoso. Isso pode representar uma vantagem na sua luta para conquistar a indicação democrata, em confronto com o discurso tecnicamente correto (e em certa medida conservador) da senadora Hillary Clinton. Só que não dá para saber pelo simples resultado das primárias, que traduz o sentimento de parcela do eleitorado, até que ponto a conservadora sociedade americana aceitará mudanças significativas de rumo, especialmente na política externa e segurança nacional.

Tanto Obama quanto Hillary prometem reformar o sistema nacional de saúde. Mas há divergências em suas propostas. A senadora Hillary pretende implantar um sistema de seguro saúde para toda a população, enquanto Obama quer implantar um programa apenas para aqueles trabalhadores em que o empregador não fornece o benefício. Na área externa, Obama é mais arrojado que sua adversária democrata. Hillary votou pela guerra do Iraque, embora condene a atuação americana. Mas é incapaz de admitir o erro, e isso pode estar tirando preciosos votos nas primárias democratas. Barack Obama, por outro lado, votou contra a guerra, e inclui na sua plataforma a retirada das tropas americanas do Iraque e a possibilidade dos EUA abrir conversas diplomáticas com países “inimigos”, a exemplo do Irã. Hillary, por sua vez, manifestou o desejo de melhorar as relações com os países da América Latina. Dificilmente adotaria o programa do adversário.

Há ainda uma discussão sobre a imigração que está deixando os republicanos mais conservadores desconfiados do seu próprio candidato mais bem colocado, John McCain. Os conservadores mais ferrenhos não admitem concessões para os imigrantes ilegais, de origem principalmente hispânica. Porém, Hillary, Obama e o candidato republicano McCain deram mostras de maior flexibilidade, podendo apoiar uma política de regular o sistema imigratório, inclusive legalizando aproximadamente 12 milhões de imigrantes ilegais. Os candidatos democratas admitem publicamente a necessidade de regular o sistema imigratório, enquanto o republicano já manifestou simpatia pela idéia. De fato, existe um projeto de sua autoria nesse sentido no congresso americano.

A senadora democrata também tenta puxar a discussão para o lado da economia. Os americanos têm boa lembrança dos bons ventos para a economia dos anos Clinton, além da senadora mostrar-se maior habilidade nos temas econômicos que seu rival democrata. A expectativa é que a economia torne o ponto central da política americana nesse ano, mas até agora outros temas tem ganhado destaque na pauta política: imigração, seguro saúde, política externa. Nesse sentido, o senador Obama tem-se beneficiado por conseguir trazer a campanha para esses outros temas. Além disso, a economia é um assunto bom para debates, mas ainda não ocorreram muitos. Os debates podem equilibrar a brutal diferença de fundos em favor de Obama na campanha democrata, pois representam tempo de televisão gratuito (isto porque os candidatos não pagam para ir aos debates promovidos pelas redes de televisão, apenas comparecem). Nos discursos de campanha, Obama tem conseguido entusiasmar o eleitorado, principalmente os jovens. O apoio dos jovens e do eleitorado negro é que traz a vantagem para Obama sobre Hillary. Hillary ainda tem vantagem com os eleitores hispânicos.

No lado republicano, com a saída de Mitt Rommey, a indicação de John McCain tornou-se praticamente certa. Além disso, é o único candidato do partido com condições de vencer os candidatos democratas. É o que mostra todas as pesquisas. Dizem que a galera conservadora americana detesta John McCain e que poderia votar até mesmo num candidato democrata. A tese é muito fraca. Os republicanos conservadores detestam Hillary, bem como seu colega democrata. Por outro lado, McCain deve buscar um vice para sua chapa da ala mais conservadora do partido, o que os deixará sem condições de negar o voto ao candidato McCain. Política é assim. Cada candidato busca camuflar suas fraquezas.

Há uma tese que deveria deixar os partidários democratas de cabelo em pé. É verdade que os EUA são um país de direita, não existem dúvidas sobre isso. Bill Clinton chegou ao poder porque soube fazer inúmeras concessões aos conservadores americanos, ou seja, à direita do seu partido. Segundo essa versão, John McCain vencerá as eleições americanas porque representa os conservadores americanos. Nesse sentido, o favoritismo democrata poderia não confirmar na hora do voto. É que os eleitores americanos deparando-se com um candidato negro e progressista ou uma mulher, também progressista, acabarão elegendo um candidato branco, seja ele quem for. E John McCain é o nome do momento.

Tal tese foi defendida por Sheila Machado, editora Internacional do Jornal do Brasil, segundo Tales Faria do Blog dos Blogs. Conspiro contra a tese, pois prefiro uma vitória democrata. É minha torcida. Mas a tese é aceitável. Não sei até que ponto a sociedade americana estaria preparada para eleger um candidato negro ou uma mulher, sendo ambos progressistas. O choque não é pequeno. Um pouco de conservadorismo poderia facilitar as coisas. É o que parece fazer a candidata democrata. De repente o entusiasmo dos eleitores democratas podem não contagiar a maioria dos eleitores americanos. As primárias não captam o sentimento de todo o eleitorado americano, pois somente votam eleitores filiados ao partido ou simpatizantes. Prevalecendo o conservadorismo, o republicano liberal de direita John Mccain pode ter a chance de chegar à presidência dos EUA, apesar da desastrosa administração Bush. Venceria a própria desconfiança dos conservadores republicanos.
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Universidade e mercado

Se a universidade não formasse para o mercado deixaria de cumprir parte de sua missão. Ou será que alguém imagina que um jovem dos dias de hoje pode entrar no mundo e se tornar independente sem pisar no chão do mercado? Se lhe virasse as costas, a universidade se desconectaria da vida.

Mas a universidade não pode formar somente para o mercado, nem principalmente para ele, sob pena de trair a si própria. Forma essencialmente para a vida, a cidade (a polis), a comunidade. Ao fazer isso, cumpre a função de preparar pessoas para conviver criticamente com o mercado, para entrar nele não com o intuito de estimulá-lo a ser sempre mais irresponsável ou de maximizá-lo em benefício próprio, mas para ajudar a submetê-lo a alguma regulação e impedi-lo de colonizar a sociedade.

Acontece que hoje o mercado é uma extraordinária base de hegemonia, o que significa que sua cultura tende a modelar comportamentos e consciências e a fornecer uma espécie de pauta para instituições, governos, grupos e indivíduos. Por ser assim, o mercado funciona efetivamente como uma fôrma para tudo, portanto também para a universidade. Ele invade o campus universitário de mil maneiras. Mostra-se na expansão do ensino particular em detrimento do ensino público e na fixação de parâmetros mais concorrenciais e produtivistas para a organização da vida acadêmica e a avaliação do mérito científico. Muita coisa na universidade vira então mercadoria e passa a ser calculada como mercadoria: aulas, pesquisas, relacionamentos, currículos. Todos – professores, funcionários, estudantes, dirigentes – são afetados por esse processo, que dissemina complicados traços de egoísmo, desarticulação e corporativismo.

A estrada não é, porém, de mão única. No fundo, a universidade está mais acossada que formatada pelo mercado. Não está ocupada nem sitiada por ele. Em decorrência, preserva importantes zonas de autonomia e reflexão em seu interior. E é quando seus integrantes ativam e expandem essas zonas – encontrando-se reflexivamente, desenvolvendo o pensamento crítico, buscando interpelar a sociedade real e ajudá-la a crescer – que a universidade diz a que veio. Seria trágico imaginar que professores e estudantes poderiam se deixar levar pela miséria ética e intelectual que deriva inevitavelmente de um mercado deixado a si próprio, descontrolado e irresponsável.

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Obama abre vantagem sobre Hillary nas primárias democratas

Obama obteve vitórias esperadas nesta terça-feira nos estados de Virgínia, Maryland e Washington (DC). O tamanho da diferença é que surpreendeu, ficando no topo das estimativas mais otimistas. É claro que Obama contou com uma numerosa população afro-americana Distrito de Colúmbia e a jovem população de Virgínia. Nesse cenário, o difícil é administrar as expectativas da campanha Hillary daqui para frente. A demografia do voto mostra que a campanha de Obama chegou aos eleitores mais fiéis à senadora democrata: mulheres brancas, eleitores mais velhos e latinos. Dessa forma, além de contar com o apoio dos negros e jovens, Obama começa a conquistar a base social de Hillary Clinton.

Obama obteve 64% dos votos da Virgínia, contra 35% de Hillary. Na capital (DC), a diferença foi de 75% para Obama e 24% para Hillary. E em Maryland, a diferença foi de 62% contra 35%. Além de grande, a diferença mostra penetração de Obama no eleitorado mais fiel à Hillary Clinton: os latinos e mulheres brancas. Há uma clara migração de votos de grupos que constituem a base social de Hillary para a campanha de Obama. As previsões indicam uma vantagem de 100 delegados de Obama frente à Hillary, computando os votos prováveis dos “superdelegados”.

Além disso, após as primárias do último fim de semana, a campanha de Hillary entrou em crise. A coordenadora da campanha foi substituída numa demonstração de evidente fraqueza e uma tentativa de conter a “obamania”. A cada vitória de Obama, a campanha de Hillary passa a depender mais ainda dos estados grandes que faltam: Texas Ohio e Pensilvânia. O plano de Hillary é vencer nesses estados com muitos delegados e onde a demografia é mais favorável. A estratégia é arriscada e melancólica. Ignora a dinâmica política que pode levar a mudanças no eleitorado após diversos triunfos consecutivos de seu adversário.

As próximas primárias são Winsconsin e Havaí, com amplo favoritismo de Obama. Vencendo nesses dois estados, Obama chegará às primárias de Ohio e Texas com 10 vitórias consecutivas após a superterça. Mesmo vencendo as duas, Hillary precisará vencer na Pensilvânia no final de abril, encerrando o ciclo das primárias nos grandes estados. Se perder num dos três Estados, perde a indicação democrata. O dilema da campanha Hillary é grande. Está na dependência de três Estados para continuar tendo fôlego para a disputa. Mas há a possibilidade de permanecer a indefinição até as primárias de Indiana, Carolina do Norte, Virgínia Ocidental, Oregon, Montana e Dakota do Sul. São Estados com poucos delegados, que não permitem definir uma indicação. Dessa forma, a indicação será definida pelos chamados “superdelegados”. São 800 votos que em tese só confirmariam seu apoio na Convenção Democrata, mas alguns deles já declararam comprometimento com as candidaturas de Hillary ou Obama.
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