E Chaplin falou



"Chaplin morreu no dia de Natal. É um desafio simbólico à
civilização contemporânea, que se encontra profundamente ameaçada
pelo Apocalipse. A morte de Chaplin corresponde hoje à morte do
humanismo do século XX, no definitivo fracasso da civilização
ocidental. O fato de isso ter ocorrido no dia de Natal deve servir
de alerta para todos aqueles que controlam o poder atômico e para
todas as forças progressistas que lutam pela justiça social e pela
liberdade. Ele é a maior imagem estética do século XX. No século XXI
ficará apenas uma imagem do cinema: a imagem de Carlitos."


Glauber Rocha
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Deu no Blog dos Blogs: Se é para vencer, o nome é Patrus

Durante uma audiência na Câmara, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, foi surpreendido por uma declaração do deputado Inocênio Oliveira (PL-PE), uma das maiores raposas do Congresso, e especalista na arte de sentir para onde sopra o vento:

"Faço tudo o que o Lula mandar, mas tenho a minha preferência, e ela está nesta mesa"।Inocêncio referia-se ao ministro. Dizia, em outras palavras, que seu candidato a presidente é Patrus Ananias.

Pois estive conversando com alguns caciques dos partidos aliados ao governo justamente sobre isso: o sucessor de Lula। A turma não gosta de falar sobre isso abertamente. Então foram conversas "off the records". Mas posso garantir que eram cabeças coroadas do PMDB, do PSB, do PR e do PTB.

Reservadamente, o que tenho ouvido é o seguinte: Lula pode preferir lançar a ministra Dilma Roussef como sua candidata, ou pode até deixar o PT lançar a ministra do Turismo, Marta Suplicy। Mas se ele quiser mesmo vencer as eleiçõe, o nome é Patrus Ananias.

Mineiro, o petista Patrus sairia já com apoio do vice-presidente José Alencar e do minisro das Comunicações, Hélio Costa, podendo até obter uma sutil e quase-explícita simpatia do governadr tucano Aécio Neves e do ex-presidente Itamar Franco, praticamente unificando Minas Gerais। Não há eleição presidencial que não passe por Minas.

Patrus, para quem não atenta, é o homem do Bolsa Família। Hoje, praticamente desconhecido. Mas fortíssimo, na hora em que começar a ser apresentado ao eleitorado pobre como o "Homem da Bolsa".

Pois é. Ouvi e registrei. Mas ainda acrescento outra formulação: se Lula não escolher Patrus, se insistir, por exemplo, numa burocrata como a Dilma ou num nome cheio de rejeição como a Marta, ele na verdade estará apostando em outra direção. Estará torcendo pela vitória de José Serra.Não é impossível. Afinal, presidentes da República são figuras esquisitas. O antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso, fez que apoiava Serra, mas torcia mesmo por Lula (depois se deu mal, mas isso é outra história). Lula também pode achar que um sucessor oposicionista é melhor do que qualquer governista...

Comentário do blogueiro: Inocêncio Oliveira está certíssimo. Patrus é o melhor nome no bloco governista para vencer as eleições contra o candidato da oposição José Serra (porque, sabe-se, esse será o candidato do PSDB). Ciro Gomes lhe falta a musculatura do PT. No PT, falta muito carisma e principalmente jogo de cintura à Dilma. E a Marta ainda precisa reduzir bastante sua rejeição (embora o índice de rejeição não é algo estático como alguns tentar iludir). E continuaria sendo uma disputa paulista, o que faria com que o candidato Serra saísse com grande vantagem. Já o ministro-candidato Patrus, tem carisma, mas é pouco conhecido. Mas isso não é um grande impeditivo. Bastaria colocá-lo mais forte na mídia. Com habilidade poderia unir Minas Gerais, e buscar o fortalecimento de sua candidatura nas regiões Norte e Nordeste. Mas isso é outra história.
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Deu hoje no Estadão: Preparando a guerra

Oposição planeja fazer Lula 'sangrar' sem trégua até 2010

Ana Paula Scinocca, no "Estadão" de hoje

Depois de derrotar o governo e pôr fim à CPMF, a oposição pretende daqui para a frente aproveitar todas as chances de desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso tem uma razão: evitar que, em 2010, Lula ainda tenha silhueta de candidato ou de forte cabo eleitora.
Líderes do PSDB e do DEM, os dois principais partidos da oposição, sabem que não podem repetir o erro cometido em 2005. À época, acharam que o desgaste natural de Lula no escândalo do mensalão iria prejudicá-lo na campanha à reeleição. Não foi o que se viu. Agora, caciques e parlamentares das duas siglas estão convencidos de que precisam trabalhar com os erros do adversário.

Dois dos principais estrategistas da oposição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-senador e ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen estão convencidos de que o governo não pode ter uma agenda positiva. Eles acham que o desgaste de Lula é a única maneira de os dois partidos chegarem a 2010 com alguma chance de voltar ao poder. Embora ressalve que o petista não tem perfil de ditador, Fernando Henrique tem expressado o temor de o PT, na ausência de um candidato de peso, ressuscitar a tese do terceiro mandato.

“Lula não pode chegar em 2010 com a popularidade de 60%. Se repetir o fenômeno Aécio Neves em Minas, que sem oposição tinha bons índices de popularidade, ninguém supera o PT no próximo pleito”, afirmou o novo presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), em conversa informal no cafezinho do Senado na segunda-feira.

O DEM vai aproveitar a temporada de combate ao PT para fazer renascer as idéias liberais que deram origem ao partido. O combate ao aumento de impostos e à gastança do governo foi uma pitada inicial do que vem por aí.

O partido pretende ataques mais ousados , em 2008, mas sem dar ao governo o discurso de que a oposição aposta no quanto pior, melhor. “Não temos de fazer essa linha. A oposição tem de administrar o seu dia-a-dia e trabalhar com os erros e fraquezas do governo”, analisa o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Ele afirma que não foram os oposicionistas que articularam a derrota do Planalto no Senado com a derrubada do imposto do cheque.

“Foi o governo que perdeu, pois não conseguiu unir sua base e ter 49 votos para aprovar a CPMF”, completa.

O prefeito do Rio, César Maia (DEM), afirma que 2008 é um ano “muito importante” para a oposição. “A base do governo se fraciona nas eleições municipais, pois estas são vitais para as eleições a deputado federal e estadual dois anos depois”, argumenta. “Com a base do governo fracionada a oposição terá um ano, de julho de 2008 a julho de 2009, até que as feridas da base sejam cicatrizadas. É saber aproveitar.”
Comentário do blogueiro:
Como se vê, a oposição não tem tanta certeza da vitória em 2010 como alegam os noticiários de jornais. O fato do PT não ter candidato natural não significa derrota prévia. Como sabemos que o fenômeno de transferência de votos existe (só não transfere quem não tem votos para transferir) - o maior cabo eleitoral de 2010 ainda é Lula. E por esse motivo, o melhor para a oposição é enfraquecê-lo para a reconquista do poder.
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Comentários sobre a troca de cartas entre Letícia Sabatella e Ciro Gomes

Este texto começou com alguns comentários sobre a transposição do rio São Francisco que surgiram da leitura da carta do deputado Ciro Gomes à atriz Letícia Sabatella. Com a resposta da atriz ao deputado, resolvi desenvolver melhor o texto, após reflexões sobre a transposição e a greve de fome de Dom Luis Cappio.
É certo que a greve de fome de Dom Cappio acabou, mas não a discussão sobre a transposição do Rio São Francisco. De início, não queria entrar muito nesse debate. Uma razão é que sou leigo no assunto, assim como a grande maioria dos brasileiros (inclusive dos que debatem fervorosamente). Mas a razão principal é que o debate fugiu à racionalidade, com pitadas de "messianismo puro". Não sei dizer com certeza se vale ou não à pena fazer a obra. Se as alternativas colocadas com relação à transposição (ou integração de bacias) são realmente viáveis. Se elas teriam ou não o mesmo impacto para a população do semi-árido nordestino. Da mesma forma, não sei dizer com convicção se o dinheiro a ser gasto na transposição é muito elevado. Se não seria suficiente para atingir o mesmo resultado com outros projetos (e talvez gastando menos). Se o tal projeto alternativo da Agência Nacional das Águas (ANA) - se é que existe mesmo, pois parece ser apenas um Atlas - é mesmo viável, melhor, mais econômico e potencialmente obtém resultados equivalentes (ou maiores).

Para início de conversa, não gosto do argumento puramente econômico. Ele tem um viés de origem. O governo gastar alguns bilhões para beneficiar 12 milhões de nordestinos da região pobre do semi-árido não é democrático (é gastança exagerada). Por outro lado, duvido que o mesmo questionamento estivesse sendo feito se a destinação do recurso tivesse como beneficiários uma parcela de moradores da região sul e sudeste. Seriam mais produtivos. Isso é no mínimo questionável. O que parece claro é que a transposição não inviabiliza outros projetos que poderiam amenizar o problema humanitário, como a construção de cisternas ou de reservatórios para guardar a água da chuva.

Parece-me pouco lógico a idéia de que tirar 1,5% do volume de água do rio, quando ele está quase desaguando no mar, em Sergipe - o Rio nasce em Minas Gerais -, pudesse levá-lo à ruína. Isso não tem o menor cabimento. E também fiquei sabendo que alguns contrários ao projeto justificam seu argumento sob o pretexto de que a água desviada do São Francisco não servirá para matar a sede dos nordestinos, mas para projetos agroindustriais (fruticultura, por exemplo) e siderúrgicos. Como supostamente a transposição não serviria para questões humanitárias (matar a sede), o que ela faz é beneficiar os mesmos de sempre (os velhos coronéis). Desconfio da tese. Quer dizer que se for para questões humanitárias o projeto não prejudicará o rio. O problema é o desvio da água ou sua destinação? Não entendi tal argumento.

Na minha opinião, o problema do nordestino do semi-árido sempre foi de renda (ou melhor, aquela renda incapaz de suprir necessidades mínimas). Ele tem que escolher entre comprar água ou comida. Por isso, acaba vivendo com uma quantidade insuficiente de água e de comida. Se o projeto de transposição do rio ajudar a gerar renda na região do semi-árido (não estou falando que isso acontecerá), não tenho dúvida de que isso trará benefício para todos os que residem naquela região. Não há muito sentido assumir posição contrária a um projeto porque não servirá apenas para matar a sede, mas para gerar desenvolvimento na região. Sempre acreditei que desenvolver a região fosse interesse da maioria, que acabaria se beneficiando.

Agora, pensando politicamente na questão do rio (não do projeto). Acredito ser bem mais viável uma solução para a preservação das nascentes do Rio São Francisco com a transposição do que sem ela. No meu entendimento, a transposição fortalece politicamente a defesa do rio (e de suas nascentes), não o contrário. Como sei que Dom Cappio é um líder religioso inteligente, bem informado e politicamente inserido, não consigo entender claramente suas razões (ou objetivos). O que estaria por trás de seu sacrifício? Não estou dizendo que ele não tenha razão. Apenas que não há clareza nesse sentido.

O que não pode acontecer é um assunto dessa importância ser discutido como um Fla x Flu. Ou um plebiscito sobre a atuação do governo junto aos movimentos sociais. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Nessa linha, acabam-se unindo gente que não tem qualquer ponto em comum. Ou nenhum motivo para caminharem juntos. Entram aqueles que são oposição ao governo (e só isso). Outros que não querem que o governo gaste tanto dinheiro na região nordeste (sei lá porque). E ainda legítimos movimentos sociais, inclusive alguns que não têm qualquer idéia sobre transposição. Realmente, o ponto de partida dos que se opõem ao projeto de transposição não é bom. Deveriam melhorar bastante seus argumentos. Não quero dizer que o projeto seja bom ou ruim. Apenas que precisam de justificativas mais aceitáveis. Não oposição pura e simplesmente.
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Do Blog do Desemprego Zero: Resposta de Letícia Sabatella a Ciro Gomes publicada no O Globo

Como esse blog é democrático, na medida que publiquei a carta do deputado Ciro Gomes à atriz Letícia Sabatella, também publico agora a resposta da atriz ao deputado.

Escrito por Imprensa em dezembro 23, 2007

LETÍCIA SABATELLA

Caro deputado Ciro Gomes,

Antes de visitar frei Luiz Cappio em Sobradinho, tinha conhecimento desse projeto da transposição de águas do Rio São Francisco, através da imprensa, e de duas conferências sobre o meio ambiente, das quais participei a convite de minha querida amiga, a ministra Marina Silva. Há alguns anos, quieta também, venho escutando pontos de vista diversos de ambientalistas, dos movimentos sociais, de nossa ministra do Meio Ambiente e refletindo junto com o Movimento Humanos Direitos (MHuD), do qual faço parte.

Acompanho a luta de povos indígenas e ribeirinhos, sempre tão ameaçados por projetos de grande porte, que visam a destinar grande poder para um pequeno grupo em troca de tanto prejuízo para esses povos, ao nosso patrimônio social, ambiental e cultural.

Acredito que devam existir benefícios com a transposição, mas pergunto, deputado, quem realmente se beneficiará com esta obra: o povo necessitado do semi-árido ou as grandes irrigações agrícolas e indústrias siderúrgicas? Afinal, a maior parte da água (bem comum do povo brasileiro) servirá para a produção agrícola e industrial de exportação e apenas 4% dessa água serão destinados ao consumo humano.

Sabendo do desgaste que historicamente vem sofrendo o rio, necessitado de efetiva revitalização, sabendo do custo elevado de uma obra que atravessará alguns decênios até ser concluída e em se tratando de interferir tão bruscamente no patrimônio ambiental, utilizando recursos públicos, por que razão, em sendo sua excelência deputado federal, este projeto não foi ampla e especificamente discutido e votado no Congresso? Por qual motivo essa obra tão “democrática” foi imposta como a única solução para resolver a questão da seca no semi-árido, quando propostas alternativas, que descentralizam o poder sobre as águas, não foram levadas em consideração? No dia 19 de dezembro de 2007, o que presenciei na Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi a insensibilidade do Poder Judiciário, a intransigência do Poder Executivo, e a omissão do Congresso Nacional. Será que não precisamos mesmo falar mais sobre democracia republicana, representativa? Ou melhor, praticar mais? Quanto ao gesto de frei Luiz, sinto que o senhor não age com justiça, quando não reconhece na ação do frei uma profunda nobreza. Sinto muito que o senhor ainda insista em desqualificálo. Por tê-lo conhecido e com ele conversado, participado de sua missa na Capela de São Francisco junto aos pobres, pude testemunhar sua alma amorosa e plena de compaixão humana, pastor de uma Igreja que mobiliza e não anestesia, que ajuda a conscientizar e formar cidadãos. Ele vive há mais de trinta anos entre ribeirinhos, indígenas, trabalhadores rurais, quilombolas e é por eles querido e respeitado.

Conhece profundamente as alternativas propostas pelos movimentos sociais, compostos por técnicos e estudiosos que há muitos anos pesquisam o semi-árido. Uma dessas alternativas foi proposta pela Agência Nacional de Águas, com o Atlas do Nordeste, que foi objeto de seu debate com Roberto Malvezzi, da Comissão Pastoral da Terra, cuja honestidade intelectual o senhor publicamente enalteceu em seminário realizado na UFF. Ele mostrou que o projeto da ANA custaria R$ 3,3 bilhões, metade do custo da transposição, beneficiando com água potável 34 milhões de pessoas, abarcando nove estados: então, por que o governo não levou em consideração esta opção mais barata e mais abrangente? Infelizmente, caro deputado, Dom Cappio não exagerou quando decidiu fazer seu jejum e fortalecer suas orações para chamar a atenção de todos à realidade do povo nordestino. O governo do presidente Lula optou por um modelo de desenvolvimento neocolonial que, dando continuidade à tradição de realizar grandes obras para marcar seus mandatos, sacrifica o povo com o custo de seus empreendimentos, enquanto o que esperávamos deste governo era a prática de uma verdadeira democracia.

Rio de Janeiro, 20 de dezembro de 2007

Letícia Sabatella
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